terça-feira, 31 de dezembro de 2013

FELIZ ANO NOVO, TDAH!






Feliz Ano Novo!
Desejo que em 2014 você se aceite!
Que você se perdoe!
Que você se trate!
Desejo, sinceramente, que no ano novo você abrace o novo. E que esse novo seja você mesmo!
Deixe de se criticar; deixe de se diminuir; deixe de se desvalorizar.
Abrace com carinho e admiração esse ser humano que a tantos anos luta para ser respeitado; abrace esse ser humano valente e destemido que se reergueu um sem número de vezes, mesmo quando a queda parecia definitiva.
Deseje a essa pessoa que você acaba de descobrir, que ela enfim reconheça seu próprio valor e não se sinta mais inferiorizada.
Abrace essa nova pessoa e descubra o quão sensível, carinhosa e legal ela pode ser. Basta que você a enxergue.
Desejo que você procrastine suas dores, que você seja impulsivamente feliz, e que você esqueça -completamente -  tudo aquilo que te fez triste e inseguro.
Mas não vamos nos esquecer de 2013; deixe para o ano velho, como presente, todos os seus medos. Mesmo aqueles mais profundos e arraigados; ou os mais infantis.; deixe-os todos. O ano novo não merece que você carregue todos aqueles sentimentos que te pesaram o coração e ataram seus passos.Não! Deixe-os para o ano velho!
Mas para que o ano novo comece, realmente novo, é preciso que você se descubra; que você se trate; que você policie; que você se ame mais; muito mais.
Feliz Ano Novo, TDAH!
Ah, por favor, deseje o mesmo para mim.
Vou precisar muito...

sábado, 21 de dezembro de 2013

TDAH: EU NÃO CONSIGO SAIR DE MIM MESMO








O que nos leva, Walter Nascimento, a ficar paralisados num sofá, diante da TV, ou simplesmente inventar um motivo qualquer para não conviver com pessoas de quem gostamos?
E por que, Walter, as pessoas não respeitam nossa vontade de recolhimento? Ao contrário, insistem em nos chamar, em reforçar nosso constrangimento. Sempre tem alguém que se julga especial ou diferente, que acha que seus argumentos farão a diferença; e insistem ainda mais.
Eu não sei com você, amigo Walter, mas comigo, quanto mais insistem, mais eu empaco. Sim, esse é o termo, empacar. Como um burro velho, eu empaco e nada, nem ninguém, me faz mudar de ideia.
Mas por quê? Não sei. Costumo usar a expressão 'preguiça de gente' pra definir essa necessidade de isolamento, essa vontade de não ir a encontro de pessoas que, como você disse em seu comentário, eu posso nutrir um carinho especial. E o pior, Walter, essa inércia não é indolor. De maneira alguma; não ir ao encontro dessas pessoas dói, incomoda, constrange. Mas, não tenho forças pra vencer a inércia. Paralisado, troco o convívio por nada, por ficar diante da TV, ou de um livro, ou por coisas que eu poderia fazer em outro dia ou outra hora. Sinto que preciso sair, encontrar amigos e parentes, mas não vou; mantenho-me, confortavelmente, na minha casa, no meu mundo, naquilo que não me agride, não me testa, nem me contesta. Como um cego, opto por aquele ambiente onde me movimento com facilidade, não esbarro em nada, nem corro nenhum risco.
Paralisado em meu sofá fico a pensar nas desculpas ou nas explicações que terei de dar ao me encontrar com aquelas pessoas. Isso também tortura, mas achar uma boa desculpa é um lenitivo; uma quase vitória. Um quase prazer. Não ir é uma vitória. Não ceder às súplicas das pessoas tem lá o seu sabor.
Mas será só isso?
Será só preguiça?
Só de marcarem um evento qualquer comigo, já começo a imaginar formas de burla-lo. Passo a imaginar uma série de problemas que poderiam surgir para me impedir de comparecer. E aí, querido Walter, soma-se mais um item do TDAH: a incapacidade de lidar com o tempo. Sempre imagino que o tal compromisso está longe, que até lá muita coisa vai acontecer... E o dia do compromisso chegou; eu não providenciei nada para comparecer, nem me preparei pra não ir. E a tortura começa. Vou ou não vou. Em geral não vou. Marco sabendo que não irei. E agora?
Bem, agora é inventar uma desculpa que impeça mais essa pessoa a desistir de mim.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O TDAH ESTRANGEIRO






Não pertenço a esse mundo;
muito menos a esse tempo.
Não pertenço a esse corpo;
muito menos a essa alma.
Estrangeiro de mim mesmo.
Deslocado de minha vida,
vasculho mundos, almas, tempos
que me caibam.
Sequer sonho em ser acolhido,
no máximo ser aceito.
Deixar de ser estrangeiro.
Deixar de ser deslocado.
Deixar de ser pitoresco.
Deixar de ser reconhecido.
Atingir a finalidade suprema:
ser anônimo.
Imperceptível.
Invisível.
Apenas ser...
Sem rótulos.

domingo, 15 de dezembro de 2013

O TDAH DILACERADO!






Castelos na areia...
Perenidade efêmera...
Eternidade passageira...
A longevidade de um átimo...
A espessura do vento...
O calor glacial...
Um freio no tempo...
Esse sou eu!
Ergo castelos na areia e torço contra as ondas, e o vento, e a chuva.
Invisto no efêmero e espero que seja perene.
Tantas expectativas...
Tanta ansiedade...
E a onda chega...
E o vento ruge...
E a chuva corrói...
Sob o manto glacial do meu rosto a raiva ferve...
Arrependo-me pela enésima vez ...
Anseio atirar-me contra o tempo...
Anseio atirar-me contra o vento...
Anseio atirar-me contra o mar...
Mas só consigo atirar-me contra o muro...
De novo, o muro...
De novo...
O muro...
E como dói...

sábado, 14 de dezembro de 2013

O TDAH AUSENTE







Não me acuse de ter Déficit de Atenção.
Nada disso. Eu não me esqueci daquilo que você disse outro dia; eu não estava lá. De nada vale você dizer em que posição eu estava sentado, em qual cadeira da sala, ou como eu segurava a xícara de café; eu não estava lá. Se você não me conhece o bastante para saber que eu estava ausente, você não me conhece. Eu simplesmente não estava lá.
Se o assunto só interessa a você, se só diz respeito a você ou aos seus sentimentos, preste atenção: eu posso viajar. Posso me desgarrar ainda que permaneça diante de você. Quem sabe se você dançar enquanto fala.  Ou dramatizar suas maçantes palavras. Ou eu não estarei ali para ouvir.
E você não pode me acusar de Déficit de Atenção, não se fala pra quem não está presente; talvez seja até falta de educação. De sensibilidade é, com certeza.
Às vezes viajo, vou longe, embalado pela cantilena da sua voz e pelo ritmo incessante de seus lábios; ah como viajo...
Se você me acusa de Déficit de Atenção posso acusar você da mesma coisa: onde você estava que não percebeu que falava para as paredes?
Mas não vou acusar você de nada; apenas ignoro e sigo a vida. Afinal, o que você disse ou tentou dizer não deveria ser nada importante; ou fascinante; ou interessante...
Guardo na memória coisas do arco da velha, coisas aparentemente inúteis, mas que tiveram força suficiente para imprimir sua marca em minh'alma. Muitas coisas de ontem, ou de hoje, evaporaram-se; simplesmente por que não tinham importância.

Mas do que você estava falando mesmo? Desculpe-me, eu me desgarrei de novo...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

TDAH, PERDOE-SE!



  
Claro, sempre haverá um ex marido ou uma ex namorada que o acusará de ser mau caráter, de usar o TDAH para tripudiar sobre os sentimentos alheios...
E aí eu lhe pergunto: quem , com ou sem TDAH, nunca errou, nunca pisou na bola com um(a) ex?
Quem o acusa de usar o TDAH é santo(a)?
Ora, sejamos sinceros: todo mundo erra; todo mundo, em algum momento,  magoou alguém, foi insensível, impulsivo, grosseiro. Não vá se apequenar por essas acusações torpes, quem o acusa, usa o TDAH para espezinhá-lo, tentando fazer crer que você é uma pessoa sem caráter e não doente. O simples fato de tentar descaracterizar uma doença biológica, reconhecida mundialmente pela OMS, é uma prova de que o(a) acusador é uma pessoa sem caráter e tenta piorar ainda mais o sentimento de inferioridade típico do transtorno.
Portanto, irmão TDAH, perdoe-se!
Você é mais impulsivo do que os não TDAHs.
Você é mais desatento do que os não TDAHs.
Você, ao contrário dos seus detratores, tem enorme dificuldade em aprender com os próprios erros; e os repete ao longo da vida.
Quantas vezes você jurou não ceder à esse ou àquele impulso; a não cair naquela tentação, só para deixar-se enredar mais adiante por tudo aquilo que tentava vencer?
Quanta culpa te corroeu por atitudes que você não conseguiu controlar?
Quanto de sua vida você viu desmoronar por erros que você mesmo cometeu?
Quanta dor você sentiu por ter dito aquela palavra na hora errada, com a pessoa errada, com a intensidade errada?
Não se deixe levar por seus detratores; o TDAH existe e é reconhecido no mundo inteiro; muito do que você sofre é fruto, sim, do TDAH. Só você sabe a luta diária que enfrenta para engolir aquela palavra destruidora; aquele ato que colocará tudo a perder; aquela distração que pode lhe custar o emprego ou o relacionamento; aquela desorganização que te faz parecer um irresponsável desleixado; aquele comportamento temerário que chega a colocar em risco a própria vida. Quem te acusa e tenta descaracterizar a sua doença nem imagina o seu esforço pra ser uma pessoa melhor e mais equilibrada; do alto de sua 'perfeição' essa pessoa usa o seu ponto fraco, aquilo que mais o perturba para torturá-lo e fazê-lo ainda mais culpado.
Perdoe-se! Você errou e vai errar ainda outras vezes. O importante é que você se trate, que você tenha consciência da sua doença para poder policiar seu comportamento e tentar minimizar os erros.
Perdoe-se, você tem uma doença que te faz perder o controle; quem o acusa não, quem o acusa não tem caráter, não o respeita e não te deseja o bem, apenas afundá-lo ainda mais.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

BOAS FESTAS, TDAH ?




Esse é mais um post inspirado por um comentário do amigo Diego Bueno.Em seu comentário, Diego afirma estar a cada dia mais isolado, menos sociável e, com as festas de final de ano esse comportamento anti social só faz aumentar.
Isso é TDAH?
A tendência ao isolamento, sim, faz parte do TDAH.  A vontade de se isolar que cresce com as festas de fim de ano, mesmo estando sob tratamento, acredito que não; imagino que a culpa é da sociedade atual em que vivemos.
Esse frenesi que paira no ar, essa felicidade forçada que nos obriga a dar um presente a um colega de trabalho que detestamos, ou a frequentar aquelas festas abominavelmente maçantes onde imperam o cinismo e a hipocrisia, só aumentam nossa tendência ao enclausuramento.
Vivemos uma época anti TDAH por excelência! Nossas características comportamentais não se coadunam com as exigências da sociedade atual. Apenas para citar um exemplo: somos péssimos sob pressão e, nunca, jamais em tempo algum a sociedade pressionou tanto seus membros quanto atualmente. As exigências de sucesso profissional, de sucesso financeiro, sucesso emocional e afetivo, enfim, uma sociedade corrupta e decadente, que se acha no direito de nos cobrar perfeição e sucesso em todas as áreas.
Além do sucesso, precisamos ter amigos aos montes - ou às quicambadas, como diz a Ana -mesmo que sejamos retraídos e não gostemos muito de sair de casa.
Sou um chato assumido, gosto de pouquíssimas coisas e pessoas. Mesmo com as pessoas que gosto, convivo pouco; menos do que deveria. Não por desamor ou desinteresse, mas por pura preguiça de interagir. Prefiro o silêncio da minha casa ao barulho infernal dos bares e sua felicidade alcoólica; prefiro a mesmice modorrenta das poucas músicas de que gosto, do que ser esmagado pela mediocridade musical dos ambientes públicos; prefiro o som da minha TV ao 'UUUHHHUUU' de uma época em que até as manifestações de alegria são ditadas pelos modismos.
É, amigo Diego, acho que nascemos - ou eu nasci - na época errada. Ou no país errado.
Não sei se o recrudescimento do seu isolamento é devido ao TDAH, mas acho que você está certíssimo; se o que te faz feliz é passear com seu cachorro e interagir com seus livros e seus pensamentos, não se violente, faça-se feliz. Essa sociedade já nos violenta com suas exigências cruéis e descabidas.
Se a sociedade atual não suporta olhar-se no espelho e insiste em não ouvir os próprios pensamentos, o problema é dela; nós encontramos em nossas idiossincrasias nossa melhor companhia, e não cabe a ninguém nos julgar  ou tentar nos obrigar a vestir uma roupa que não nos serve. Além de ser esteticamente ridícula.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O TDAH, A RITALINA E A CRIATIVIDADE



Recebi o comentário de um leitor narrando suas primeiras experiências com a Ritalina.
Empresário, ele conta que a Ritalina embotou sua criatividade, deixando-o sem estímulo e desinteressado por sua própria empresa.
Como de costume, quero deixar claro que não sou médico, psicólogo, ou mesmo um estudioso do assunto; esse blog trata das minhas experiências, sensações e sentimentos.
Não é a Ritalina, amigo, é a pressão que você se impôs. A pressão por uma normalidade que jamais vai chegar; a pressão para ser uma nova pessoa que nunca se materializará. Não se cobre ser uma nova pessoa. Você nunca será um empresário melhor, você será uma pessoa melhor.
Você nunca será uma pessoa 'normal', você será um TDAH sob controle.
Você não vai acordar uma nova pessoa, não existem milagres. Ao acordar pela manhã, você terá os mesmos desafios de antes de se tratar; apenas terá novas armas para enfrentar seus problemas.
Desarme seu espírito, deponha suas expectativas, tire a mordaça de seus pensamentos. Você é e sempre será um portador de TDAH, com ou sem Ritalina. A sua criatividade está intacta dentro de você. Como estão intactas a procrastinação, a impulsividade, a dispersão, as variações de humor. A Ritalina apenas nos dá forças para enfrentar esses problemas.
Deixe escapar a pressão por resultados , a Ritinha não opera milagres. 
Aprenda a avaliar suas emoções e principalmente suas reações. Pense antes de agir, dois segundos bastam para que você engula a palavra que destrói, a reação destemperada, a impulsividade sem retorno.
De resto amigo, vida normal. Deixe que suas ideias fluam normalmente; toque sua empresa como sempre tocou; aprenda apenas a atentar-se aos detalhes de controle e organização que antes você passava por cima. São controles chatos, mas decisivos para a sobrevivência de qualquer empresa; de um TDAH então, nem se fala.
Pare de se cobrar o que você não pode se dar, e viva. O TDAH não pode nos impedir de viver, ele é um obstáculo, um peso, mas nada que seja intransponível ou insuportável.
Trate-se, mas não se escravize com o tratamento; policie-se, mas não se impeça de viver; organize-se, mas não se imobilize.
Uma das pouquíssimas virtudes do TDAh é a absurda criatividade que possuímos, matá-la nos deixa mentalmente aleijados. E meio órfãos.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O TDAH EM BUSCA DE SI MESMO







Ainda me surpreendo comigo mesmo.
Sou capaz de atitudes que não imaginava, de sentimentos inesperados, de reações surpreendentes.
Mas quando uma pessoa amada se descobre TDAH e se entristece com isso só tenho um conselho:
mergulhe-se em si mesma.
Foi assim que aprendi a controlar uma série de reações que me pareciam incontroláveis. Escavando minha mente consegui separar o Alexandre do TDAH e hoje consigo enfrentar a doença ou deixar que ela aja por mim e com minha concordância.
Sim, muitas vezes me deixo levar pelo TDAH!
Sim, muitas vezes quero viver ou sentir aquilo que o TDAH está me oferecendo.
Isso é um retrocesso? Não, não acredito. Uma coisa é saltar em um precipício sem saber que é um precipício, sem saber o que te espera ao fim da queda. Outra muito diferente é saber-se saltando de um precipício, conhecendo o que te espera ao final, mas avaliando que o prazer do salto é maior do que a dor da queda.
Isso é uma opção consciente, uma escolha pessoal e não um salto no escuro.
Já disse isso a muita gente, conheça-se!
O diagnóstico de TDAH não é uma condenação, pelo contrário, é a chave de uma libertação, ou por outro lado, é a chave de um cadeado que abre a janela permitindo entrar o sol e a claridade que faltavam em nossas vidas.
Ritalina é importante, Concerta é importante, Venvanse é importante; coach é importante, psicóloga é importante. Mas encontrar-se, conhecer-se, explorar-se é fundamental; é uma viajem única, deliciosa, e absolutamente fundamental para o 'enquadramento' do TDAH.
Foi diagnosticado como TDAH? Está com fortíssimas suspeitas de ser um TDAH?
Não se desespere!
Não se deixe abater pelo TDAH! Levante a cabeça e enfrente, talvez essa seja a maior oportunidade que você terá em sua vida de assumir o controle da sua existência e mudá-la para sempre. No rumo que você desejar.
É ruim saber-se portador de uma doença?
É, mas não saber não te deixa imune a ela, pelo contrário, até então você lutava contra um inimigo escondido nas sombras da sua ignorância. O diagnóstico jogou luz sobre esse inimigo e você pode enfrentá-lo às claras, frente a frente.
Passe a pensar em todas as suas atitudes, sentimentos e reações.
Essa atitude é minha ou do TDAH? Dando a resposta agressiva que brota instantaneamente em sua menta você estará destruindo anos/meses de um relacionamento que deseja manter, ou é essa a resposta que merece ser dada?
Antes de explodir de ódio respire e pense quem está explodindo, você ou o TDAH?
Há meses, muitos meses, não tenho uma explosão de ódio. Daquelas de arrasar quarteirão.
Claro, não virei um santo ou um camarada perfeito, mas me policio. Os erros que cometo, cometo de forma consciente e pensada, se alguém tiver de arcar com as consequências serei eu, por pura opção.
Respire fundo, encha-se de coragem e siga em frente; a partir de agora você só tem a colher bons frutos de seu diagnóstico.
O TDAH é sério, é bravo, é sorrateiro, é ladino, mas você já está consciente de sua existência e sabe como ele age, enfrente-o, ele não é invencível; você sim.
O TDAH que nos derruba é o mesmo que nos dá força para nos reerguermos.
Use essa força a seu favor, você pode!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O TDAH FELIZ








Eu tenho consciência da sombra, da dor, da morte, dos prejuízos causados pelo TDAH; mas sou feliz.
Instintivamente fazemos um balanço do ano e da vida no dia do nosso aniversário, pelo menos eu faço. E ano após ano esse balanço tem sido positivo, e esse ano não foi diferente
Muitos dirão: mas depois de tantos posts sofridos, tantas lamurias esse cara vem falar que ta tudo bem, que ele é feliz?
Pois é, aprendi que a felicidade é algo muito mais amplo do que os revezes ocasionados pelo TDAH. As tragédias pessoais, ou mesmo a consciência que tenho das mazelas de nosso cruel país ou do mundo não têm o poder de me infelicitar.
Muito se diz que não existe felicidade, mas momentos felizes; discordo, eu sou feliz no sentido amplo da palavra e da vida. Sou feliz por estar vivo e saudável, por ter minhas filhas, minhas irmãs e meus pais.
Não estou fazendo o jogo do contente, detesto esse tipo de comportamento, mas apenas expondo minha maneira de sentir minha vida. Gosto de pensar na vida como uma grande jornada; e o prazer da caminhada, o explorar novos caminhos, o descortinar de novas paisagens é muito mais prazeroso e importante do que as quedas, as topadas, as câimbras, ou seja lá o que tive de enfrentar nessa caminhada. Ser TDAH não aumentou ou diminuiu minha sensação de felicidade; assim como me dificultou em muitos momentos, me proporcionou prazeres intensos em outros.
O TDAH dificultou-me a vida, mas não inviabilizou-a.
Como eu seria sem o TDAH? Jamais saberei. Pior ou melhor? Nunca poderei julgar isentamente.
Pra que me entregar a essa doença?
Vivi 50 anos com TDAH e sem diagnóstico, quantos mais viverei com o diagnóstico e a consciência de que posso ser uma pessoa melhor? Que posso fazer da minha jornada algo mais prazeroso e mais leve?
Ou por outro lado, que a consciência do TDAH possa melhorar minha convivência com as pessoas que amo?
Com ou sem TDAH os seres humanos falham, magoam e são magoados, claro que a doença potencializa nossas chances de erro, mas não posso vincular minha vida a isso.
Eu sou muito maior do que o TDAH; eu sou muito melhor do que os erros que cometi; eu sou muito mais do que as mágoas que causei.
Cheguei aos 53 anos de muita luta, e muitíssimo prazer; de muita dor e muitíssimo amor; de muita solidão e muitíssima convivência prazerosa. Com ou sem TDAH, cheguei aos 53 anos feliz!
E ninguém jamais vai me tirar isso!

sábado, 2 de novembro de 2013

O TDAH NÃO SOU EU






Não sou conformismo
Sou experimentação
Não sou estabilidade
Sou inquietação
Não sou aceitação
Sou revolução
Não sou lago
Sou arrebentação
Não sou fúria
Sou paixão
Não sou represa
Sou explosão
Não sou hermético
Sou exposição
Não sou descanso
Sou transformação
Não sou certeza
Sou indefinição
Não sou morte
Sou mutação
Não sou vida
Sou transição
Não sou artista
Sou criação
Não sou sabedoria
Sou interrogação
Não sou coletivo
Sou solidão
Não sou TDAH
Sou libertação

domingo, 27 de outubro de 2013

TDAH - EU AJUDEI A CANCELAR O NOSSO FÓRUM







Acabei de ler no blog da Avoada que o Fórum Nacional de TDAH foi cancelado; provavelmente por falta de doações que viabilizassem o projeto.
Descobri através do projeto desse Fórum uma entidade interessantíssima chamada BENFEITORIA, que nada mais é do que uma 'empresa' que tenta viabilizar projetos através de doações na internet. Um sistema tão legal que eu pensei em apresentar um projeto para transformar meu blog em um portal de discussão sobre o TDAH, com chat ao vivo, multi participações, videos e etc.
Mas aí, o TDAH se manifestou com toda a sua força!
Fiquei empolgadíssimo com a BENFEITORIA  e com o Fórum, tão empolgado que me inscrevi como doador, mas tão empolgadíssimo que me inscrevi para doar um dos valores mais altos disponíveis. Claro, não era nada absurdo, eu poderia pagar mesmo sabendo que atravessava naquele mês um de meus maiores apertos financeiros do ano.
Depois de tudo gerado, inclusive o boleto de pagamento, percebi que o tal boleto tinha vencimento para daí a dois dias e não para o dia do meu pagamento. Uma ira santa apossou-se de mim e, imediatamente, enviei um email para a BENFEITORIA; nele eu narrava minha enorme vontade de participar da viabilização do Fórum Nacional de TDAH, mas esbarrava numa impossibilidade burocrática, numa falha tecnológica que impedia que o boleto fosse datado para o dia 5 do próximo mês. Claro que isso foi dito em linguagem educada, mas eivada daquela enfase típica do TDAH.
Dois dias depois, recebo no meu celular um email polidíssimo se desculpando pelo inconveniente e um novo boleto em anexo com a data de vencimento que eu precisava.
Ai meu Deus, que droga! Isso não podia ter acontecido!
No momento em que recebi o email eu estava desesperado com minhas contas, estava em meio a uma ginástica mental/financeira pra fazer o dinheiro dar para as contas regulares e ainda me aparece esse boleto.
Confesso que me deu até uma certa raiva da tal BENFEITORIA e do Fórum de TDAH. Mas racionalizei; foi minha escolha, eu preciso dar minha contribuição e encaixei aquele boleto nas minhas contas.
Ainda faltavam uns dez dias para o fatídico dia cinco. Um dia que mistura a alegria de receber o salário com a tristeza de constatar que ele nunca dá pra todas as minhas fantasias e sonhos. Mal dando pra realidade. Até que o dia cinco chegasse fiquei maldizendo aquele boleto, minha empolgação irresponsável, o TDAH que me gerou aquela empolgação infantil e até mesmo a BENFEITORIA que aceitou meu pedido de prorrogação do boleto. Por diversos momentos decidi não pagar aquela m.... daquele boleto, largar pra lá; mas eu pensava no Fórum e no meu blog. Como vou apresentar um projeto se não paguei o boleto de doação a que me propus? Por fim decidi atrasar uma das contas regulares e pagar o boleto da BENFEITORIA. Não contei isso pra ninguém, já não tenho fama de bom administrador, com mais essa agora...
E chegou o dia cinco. Confesso que não sei responder com sinceridade se tive tanto trabalho assim, ou se me enrolei propositalmente, o caso é que não consegui pagar as contas no meu horário de almoço como faço habitualmente. Deixei pra pagar à noite.
Moral da história: o caixa eletrônico se recusou a receber o boleto da BENFEITORIA com uma mensagem ridícula, do tipo:  HORÁRIO ULTRAPASSADO PARA ESSE TIPO DE DOCUMENTO.
Uma raiva quase homicida tomou conta de mim, me deu gana de destruir aquele caixa eletrônico, de insultar aos banqueiros, aos bancários que fecham as agências tão cedo, bater a cabeça na parede...
Resignado, nada fiz. Saí do banco com o rabo entre as pernas e pensando em pedir arrego à BENFEITORIA  e um terceiro boleto.
Jamais o fiz. Fiquei imaginando as pessoas da BENFEITORIA me criticando, rindo da minha incompetência, fiquei com vergonha, e larguei pra lá. Desnecessário dizer que jamais apresentei o projeto do blog, também por vergonha.
Fiquei com tanta vergonha que nunca mais acessei o site da BENFEITORIA com receio de ser 'reconhecido' e ridicularizado por aquele sistema que eu critiquei e que me atendeu tão bem.
Só quem é portador de TDAH entende a tortura por que passamos ao tomarmos essas atitudes idiotas, infantis, incompetentes e que nos deixam rastros de dor e vergonha.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O TDAH E A EXPECTATIVA DE TRATAMENTO







Muitos emails chegam repletos de expectativa quanto ao tratamento que está por se iniciar.
Um misto de expectativa e esperança; de medo e revolta; um choque de emoções contrárias e intensas.
Mesmo quanto à medicação os sentimentos são conflitantes; o medo proveniente das asneiras que são ditas contra a Ritalina, ao mesmo tempo que a alma está cheia de esperanças de deixar pra trás a vida de erros e fracassos.
Mas enfim, o que esperar do tratamento?
Saiba, em primeiro lugar, que sua vida não vai mudar num passe de mágica. Não vai haver aquele dia em que você acordará focado, produtivo, com memória de elefante e pensando racionalmente antes de agir.
Não, isso não vai acontecer.
A Ritalina não faz milagres! E age de maneira diferente em cada pessoa. Quando leio os comentários do blog eu percebo isso claramente. Não posso falar pelos outros, mas relacionarei o que senti:

1) Fiquei mais atento, mais focado para dizer o termo da moda.
2) Fiquei mais animado. Diminuiu muito aquele desânimo típico do TDAH.
3) A Ritalina diminui o sono durante o dia.
4) Fiquei mais produtivo, me enrolo menos nas coisas, faço minhas coisas com mais objetividade.
5) Fiquei menos disperso. Menos suscetível a ser interrompido por ruídos e conversas paralelas.
Esses cinco efeitos podem parecer poucos, mas são muito importantes na mudança de vida. Mas, e o que não funcionou, ou em quê a Ritalina não atuou?

1) Na impulsividade.
2) Na procrastinação.
3) No sentimento de inferioridade.
4) No auto isolamento, ou na absoluta falta de vontade de conviver com outros seres humanos.
Sim, são sintomas importantes, que no meu caso, o remédio não atuou.
Aí entra outra ferramenta de auxílio ao tratamento: auto controle. Passei a me policiar mais, a pesar melhor minhas reações, a fiscalizar mais meus sentimentos e comportamentos.Isso serve pra alguma coisa? Pra muita coisa. Eu sempre fui muito suscetível às mudanças de humor repentinas e inexplicáveis; ou desproporcionais ao fato que enfrentei. Hoje, quando me vejo numa tristeza acachapante, me encaro nos olhos e digo pra mim mesmo: levanta a cabeça, esse sentimento não é meu, é do TDAH. E sigo a vida. Eu sei que parece idiota, mas funciona como um milagre.
Com o sentimento de inferioridade também funciona. Quando estou naqueles dias que me sinto um pano de chão, o mais idiota e incompetente dos mortais, mergulho em minha alma e a alerto que esse sentimento é um equívoco; na verdade eu sou foda! Cheguei aos 53 anos carregando esse maldito transtorno nas costas, e cheguei relativamente bem, feliz, saudável e produtivo. Então não tenho por que me achar inferior a alguém. Claro, nem sempre funciona assim em todas as vezes, existem dias em que cometemos erros graves, falhamos pela enésima vez, da mesma maneira. Mas até isso pode ser superado à luz do TDAH.
Mas não é fácil! Continuo um procrastinador profissional. Luto diariamente contra isso; e perco na maioria das vezes. Ainda sou um impulsivo de carteirinha, tão impulsivo que coloquei minha própria vida em risco a pouco tempo. E ainda não estou completamente livre desse risco.
Melhorei?
Valeu a pena tratar-me?
Sim, o saldo é muitíssimo positivo. minha vida hoje é muito mais centrada e produtiva.
Trate-se, é muito bom; muito bom não, é ótimo.
Só não acredite em contos de fadas; eles não existem e só servem pra aumentar nossas decepções.

PS.: ATENÇÃO, UMA CRIATURA DESONESTA E COVARDE, CRIOU UM PERFIL FALSO COM MEU NOME E VEM POSTANDO LINKS PARA VÍDEOS NO YOUTUBE; ESSES VÍDEOS SÃO CONTRA O TDAH E CONTRA A PSIQUIATRIA. REFORÇO O QUE DISSE: NÃO SOU EU QUEM COLOCA ESSES LINKS ANTI PSIQUIATRIA! POR FAVOR,IGNOREM! 

sábado, 28 de setembro de 2013

O TDAH E A DOR DA MUDANÇA







Erro.
Erro e persisto.
Erro, persisto e insisto.
Erro, persisto, insisto e repito.
E arco.
Arco com a dor.
Arco com os prejuízos.
Arco com as nefastas consequências.
E então ergo a cabeça e retomo o caminho.
E erro; de novo.
Erro e persisto; de novo.
Já conheço a dor.
Já conheço os prejuízos.
Já conheço as nefastas consequências.
Então por quê?
Talvez...
Bem, talvez meu cérebro já tenha se habituado ao hedonismo.
E o TDAH se manifesta novamente: e que mal há em ser hedonista?
Quem estará certo, Esopo a quem se atribui a autoria da fábula A Cigarra e a Formiga ou Raul Seixas que afirma que a Formiga só trabalha por que não sabe cantar?
Onde andará a razão?
Eu quero ser uma metamorfose ambulante, e sou. Não uma metamorfose teórica, meramente opinativa.Não! Sou uma metamorfose empírica, prática, vivida. Atiro minha própria vida à gigantesca centrífuga emocional do TDAH e renasço de maneira absurdamente nova.
Trago todas as cicatrizes das metamorfoses passadas, mas a alma ganha um novo brilho, a boca um novo sabor, a vida uma nova motivação.
Ah, mas então a metamorfose é ótima!
Ledo engano! Apesar do novo brilho, a alma se tortura e cobra coerência; a nova cicatriz lateja  e os fantasmas daqueles que ficaram pelo caminho volta e meia tentam me assombrar.
A metamorfose é pesada, difícil de conviver e cansativa. Exige muita coragem (ou inconsequência), muito sangue frio (ou alheamento) e uma capacidade infinita de auto regeneração moral e psicológica (ou indiferença). Mas, com todas as dores, ainda é graças a ela que vivo hoje emoções que jamais imaginei viver, seja em intensidade, seja em quantidade e qualidade.
O maior problema do TDAH é que não acumulamos esses sentimentos. Assim como não aprendemos com os erros, não nos fortalecemos com suas recuperações. Se enfrentamos os erros de peito aberto, sentimos todas as dores a cada vez que os repetimos, como se fosse a primeira vez.
Gostamos de falar com certa leveza sobre nosso TDAH, alguns de nós até valorizam ser TDAH, mas a verdade é que é muito destrutivo, doído e intenso demais.
Já disse Guimarães Rosa: Viver é muito perigoso.
Com TDAH é nitroglicerina pura!

PS.: ATENÇÃO, UMA CRIATURA DESONESTA E COVARDE, CRIOU UM PERFIL FALSO COM MEU NOME E VEM POSTANDO LINKS PARA VÍDEOS NO YOUTUBE; ESSES VÍDEOS SÃO CONTRA O TDAH E CONTRA A PSIQUIATRIA. REFORÇO O QUE DISSE: NÃO SOU EU QUEM COLOCA ESSES LINKS ANTI PSIQUIATRIA! POR FAVOR,IGNOREM!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

TDAH - OS MALABARISTAS DA VIDA









Parado no sinal de trânsito, observo um jovem que faz malabarismos em troca de algumas moedas
Bolas coloridas giram em suas mãos, não com a maestria que se espera de um malabarista profissional, mas com a insegurança dos que lutam pela sobrevivência nesse país cruel e indiferente.
Meus olhos acompanham as bolinhas e meu pensamento viaja na louca velocidade do TDAH: cada bola daquela que gira em círculos desiguais e inseguros, simboliza um aspecto da minha personalidade. A impulsividade pode ser a laranja; a azul, a desatenção; a preta, a fúria que a duras penas consegui dominar; a amarela, a personalidade sonhadora; a vermelha, essa representa a paixão exacerbada; a branca a inconsequência.
Já não enxergo o garoto do sinal, ali estou eu, um malabarista da vida, numa esquina qualquer da minha existência equilibrando emoções que não domino, tentando mantê-las alinhadas e seguras em minhas mãos.
Apesar do meu esforço minhas mãos tremem, o ruído das ruas me incomoda e me faz perder a atenção; a bolinha preta passa a milímetros da paixão exacerbada. Meu Deus, penso, isso é perigosíssimo; a fúria e a paixão juntas. Então a impulsividade esbarra levemente na desatenção, foi tão de leve que parece que não surtirá nenhum efeito. Ledo engano; o círculo se desfaz entortando para fora. O laranja impulsividade choca-se com a bolinha branca da inconsequência; juntas inconsequência e impulsividade perdem velocidade e são alcançadas pela bolinha vermelha da paixão incandescente. Suo frio e tento desesperadamente controlar as bolinhas desgovernadas. Acelero meus movimentos na vã tentativa de impedir que se choquem com a fúria que anda bem controlada em uma das mãos. Mas já é tarde, os sonhos da bola amarela se chocam com a impulsividade, a inconsequência e a paixão. E começam, uma a uma, a cair ao chão. Impotente olho-as saltando ao redor dos meus pés. Na minha mão apenas a bola preta. Nesse instante a bolinha azul da desatenção caiu sobre meu pé e correu pra longe, onde eu não poderia alcançá-la rapidamente.
Meu olhos enchem-se de lágrimas, a mão crispa-se sobre a bolinha preta, mas um estranho alento tomou meu coração: a fúria ainda está sob meu controle. De resto, agacho-me num movimento milhares de vezes repetidos ao longo da vida e recomeço a juntar as bolinhas da minha personalidade espalhadas no asfalto.
Meu Deus, falo pra mim mesmo, quantas vezes mais terei de juntar os cacos da minha vida?
A bolinha azul da desatenção sumiu. Não me recordo sequer pra que lado ela rolou.
Olho ao redor... Em vão. A bolinha azul sumiu.
Trago a mente vazia e no peito uma sensação estranha de que jamais serei um exímio malabarista da vida.

ESSE POST É DEDICADO AO LEITOR DIEGO BUENO QUE CUNHOU A EXPRESSÃO: MALABARISTA DA VIDA, AO FALAR DAS CARACTERÍSTICAS DO TDAH EM NOSSAS VIDAS NUM COMENTÁRIO POSTADO NO DIA 8 DE SETEMBRO ÚLTIMO.
DIEGO É PSICÓLOGO, PROFESSOR, TDAH E VEM ENRIQUECENDO NOSSO BLOG COM SEUS COMENTÁRIOS BRILHANTES.

OBRIGADO POR SUA COLABORAÇÃO.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

UM TDAH SERÁ NORMAL UM DIA?





Estarei no caminho certo?
Jamais saberei.
Mas existe um caminho certo?
Sob qual parâmetro?
Lembrar-me de tudo?
Abandonar a impulsividade?
Derrotar meus sabotadores?
Estabilizar meu humor?
Acabar com meu sentimento de inferioridade?
Ou quem sabe desistir do meu isolamento?
Mas este é o caminho certo?
O linear caminho do equilíbrio.
A vida previsível dos que se lembram.
A monótona estabilidade dos que pensam antes de agir.
A feliz vida de quem jamais se sabotou.
O estável humor dos equilibrados.
Ah, a autoconfiança dos 'normais'.
Sem contar com os felizes sociáveis e seu incontável número de amigos.
Os piores momentos da minha vida vivi quando cedi aos meus impulsos.
Mas os melhores também devo à minha impulsividade.
Minha péssima memória me propiciou uma enorme capacidade de improvisação.
A auto sabotagem dói, não aprendemos com nossos erros, temos prejuízos constantes.
Mas e daí?
Esse sou eu!
Com ou sem remédio eu sou um TDAH.
Com ou sem remédio jamais serei como os'trouxas'.
Trarei sempre em minha alma as marcas gravadas pelo TDAH.
A torturada e riquíssima alma TDAH.
Não quero glamourizar o TDAH, mas ando pensando que o sonho de domá-lo, ou subjugá-lo, é apenas isso: um sonho.
Cinquenta anos de TDAH não tratado exigiriam um tratamento psicológico que não posso pagar. Terei de me confrontar comigo mesmo, enfrentar-me, destruir castelos imaginários erguidos ao longo da vida; escavar minha mente em busca de um Alexandre que jamais conheci ou convivi. E não sei se gostarei de conhecer.
Não estou pregando o não tratamento, apenas questionando nossa tentativa de ser 'normal'.
Creio que jamais o seremos. Seremos sempre um esboço, um rascunho de normalidade. Basta que cortemos as amarras de nossa camisa de força medicamentosa para que nosso TDAH transborde e reassuma o controle de nossas vidas.
Perdoem-me, me perdi.
Me perdi de mim mesmo.

domingo, 25 de agosto de 2013

O TDAH PULSANDO DE CULPA!






Mais que uma tatuagem, a culpa é uma cicatriz em nossas almas.
Uma cicatriz inchada e latejante a nos lembrar de sua existência.
Os erros passados desfilam em nossos olhos.
As críticas pretéritas ainda ecoam em nossos ouvidos.
Os olhares acusatórios pesam como uma cruz em nossas costas.
A culpa; sempre ela, gêmea xipófaga do TDAH; unidos pela mente, pelo coração, pela alma.
Ao contrário do que dizem nossos detratores, o TDAH não é insensível; muito pelo contrário, impelidos por um desejo incontrolável, por uma impulsividade indômita, erramos continuamente e acabamos eternamente torturados pela culpa.
Uma culpa pulsante, viva, interminável.
Velhos erros dançam diante de nós, como a oferecer-se para que os escolhamos como pares novamente. Aquela palavra final que jamais deveria ter sido dita, volta à nossa mente, sempre na superfície oferecendo-se para ser repetida. e a repetimos. E a velha cicatriz pulsa, a velha dor nos aterroriza e juramos não experimenta-la de novo.
Ah, mas o TDAH é ladino! Espertamente nos faz 'esquecer' a dor, ameniza-a e nós, seus fantoches, acreditamos em seus ardis. E falhamos de novo!
Aquele desespero tantas vezes experimentado volta à nossa vida.
E nos cobramos de novo.
Quantas vezes, no auge do desespero imaginamos acabar com nossas vidas de erros e agressões?
Em outras tantas, decidimos romper relacionamentos, pedir demissão de empregos, abandonar pessoas e situações ao cometer pela milésima vez o mesmo erro. Nem precisa ser um erro grave, mas eternamente repeti-lo nos enche de vergonha.
Que vontade de abandonar o mundo, sair por aí de andarilho; um desconhecido sem passado, futuro ou expectativas!
Um andrajoso a despertar a comiseração de seus pares, mas livre, livre das cobranças, da culpa e dos erros infindáveis.
Mas o TDAH não nos abandona. Como diz meu amigo Marcel - ex Frank Slade - o TDAH que nos derruba é o mesmo que nos dá força para que nos reergamos.
E nos dá nossa famosa cara de pau para enfrentar , aparentemente, impávidos os nossos detratores. E essa aparente força interior para enfrentarmos nossos fantasmas, nos faz esquecer as dores passadas e nos impede de aprender com os erros.
E erramos de novo.
E a cicatriz pulsa.
E o gosto amargo da derrota nos inunda a boca novamente...


domingo, 18 de agosto de 2013

TDAH - MEDICAI E VIGIAI






O amigo Rafael Salazar em um comentário muito inteligente diz que apenas a Ritalina não resolve no tratamento do TDAH, o que resolve é: 'MEDICAI E VIGIAI'.
Esta expressão sintetiza minha última consulta com minha neurologista, a Dra. Valéria Modesto. Com o desaparecimento da Ritalina do mercado, resolvi racionar o medicamento, reduzindo a dosagem de 30mg por dia para apenas 10mg por dia; mesmo assim, sem tomar aos sábados e domingos e, ao final da última caixa tomando em dias alternados. Ou seja, na prática, fiquei sem tratamento; e não fiz grandes besteiras. Claro, minha produtividade caiu, fiquei mais disperso e menos concentrado, mas como fiz pra não voltar à estaca zero?
VIGIEI!!!!
Mas vigiei muito! Mas muito mesmo! Penso em função da doença.
Quero enrolar no trabalho? logo me aviso: Alexandre, esse é o TDAH pensando por você.
A ira me sobe? respiro e penso: não vou falar nada agora, esse não sou eu.
A impulsividade me convida? calma, Alexandre, é isso que você quer para o seu futuro?
E juro a vocês, é exatamente assim que eu penso; me chamando pelo nome, me perguntando e me cobrando. Quantas vezes nesse período me levantei da mesa e disse pra mim mesmo: vai trabalhar vagabundo, você tem metas a cumprir, precisa desse emprego...
Um sem número de vezes engoli aquela palavra destruidora que nos vem à ponta da língua e põe fim a relacionamentos, amizades, empregos e diálogos.
Descobri, graças à NOVARTIS, que o VIGIAI é tão importante quanto o MEDICAI, mas sei também que um não vai muito longe sem o outro. Um desânimo tem me invadido, pensamentos derrotistas começam a surgir no horizonte, com o VIGIAI ligado tenho afastado essas possibilidades de entreguismo, mas sei que a força do TDAH é muito grande e, a persistir a falta do uso contínuo, eu estaria fadado ao fracasso no meu tratamento. Por isso marquei uma nova consulta com minha 'anja da guarda' e ali decidimos dar um novo passo em meu tratamento. Aliás um passo caríssimo, mas eu mereço. Vou começar na próxima semana a tomar o Venvanse. Caro pra caramba, mas é mais importante do que gastar essa grana a esmo, com coisas sem importância. Repito: eu mereço!
A base de todo o meu tratamento, de meus posts e, principalmente, das respostas aos comentários é: aceite seu TDAH, conheça a fundo a sua doença, leia, assista vídeos, discuta o assunto, aprenda e conheça o TDAH; e policie-se para enxergar quando ele está atuando em sua vida. Quando sua vontade é substituída pela vontade sabotadora do TDAH. Quando suas atitudes são substituídas pela impulsividade do TDAH. Quando suas respostas são substituídas pela ira do TDAH.
Enfim, VIGIAI, para que o TDAH não o pegue desprevenido como pegou nosso amigo e colaborador precioso Walter; trazendo-lhe transtorno num momento da vida em que parecia que não seria mais pego de surpresa. Mas o VIGIAI é importante para que percebamos que não podemos abrir mão do MEDICAI, como eu, que quase caí nesse engodo ao me achar ótimo mesmo sub medicado. O VIGIAI e este blog, que amo, me fizeram ver que, lentamente, eu descia a ladeira de volta à base do caminho.
Por fim, se seu dinheiro (como o meu) não dá pra fazer terapia, escreva um blog, um caderno, folhas soltas; mesmo que ninguém leia, mesmo que você ache que escreve mal, ao escrever você "movimenta" seu TDAH; você vivencia seu TDAH, e enxerga novas possibilidades, novos caminhos, novas alternativas.
Não se esqueça, MEDICAI E VIGIAI!
Mas, se você quiser (e precisar) de uma ajuda extra, uma força a mais, acrescente o ORAI, como sugeriu a amiga Maria Bonita.
MEDICAI, ORAI E VIGIAI. Assim você estará protegido pela ciência, por Deus e por você mesmo.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O TDAH INDOMÁVEL






Meu coração transborda.
Meu peito não me cabe.
Minha cabeça não me obedece.
Meu peito transborda.
Minha cabeça não me cabe.
Meu coração não me obedece.
Minha cabeça transborda.
Meu coração não me cabe.
Meu peito não me obedece.
Transborda meu peito que não me cabe.
Não me obedece meu coração que transborda.
Não me cabe minha cabeça que não me obedece.
Já que não me cabe,
já que transborda,
já que não me obedece;
pra que resistir?
Entrego meus sentimentos ao turbilhão do TDAH.
Atiro-me nesse tsunami de emoções que me arrasta.
Se dores intensas experimentei,
emoções e prazeres inenarráveis saboreei.
Não quero a vida insossa dos 'normais'.
Quero o peito em brasa a um toque.
Quero a respiração ofegante por um olhar.
Quero as mãos úmidas de expectativa.
Se dor ou prazer,
o que importa é viver.



sábado, 10 de agosto de 2013

UM TDAH EM ESTADO DE CHOQUE





Estou diante dele, em silenciosa expectativa.
Dessa vez será diferente, tenho praticamente certeza do que tenho..
Será possível que ele me reserva algum dissabor?
A imagem do desastre forma-se diante de mim.
Meu Deus, mais uma decepção!
Como sempre uma surpresa desagradável.
Imagens desconexas povoam minha cabeça.
Tento descobrir o que pode ter acontecido; do que eu esqueci.
O que fazer diante desse quadro caótico?
 Mas por que sempre que aqui chego tomo um choque?
 Encontro-me num beco sem saída.
 Estático, indefeso, observo a imagem diante de mim.  Essa é a imagem de um inimigo, de um adversário que teima em atirar na minha cara uma verdade diversa daquela que eu imaginava.
Até quando essa realidade artificial vai insistir em sobrepor-se à minha realidade?
Não posso ter errado de novo! Não, dessa vez não!
Tenho que tomar uma decisão; não vou me apequenar diante do inimigo.
Engulo seco e o provoco novamente. A imagem muda, altera-se apenas por instantes, e logo retorna ao mesmo quadro de doentia penúria.
Uma raiva intensa se apodera de mim, uma vontade de agredi-lo, de massacrá-lo. Sua indiferença quase sarcástica me exaspera.
Não aguento mais isso!
Indignado arranco meu cartão e saio do banco desfiando milhares de impropérios contra esse maldito caixa eletrônico que insiste em me apresentar um saldo muito menor, muito inferior àquele que eu, de memória, achava que tinha em conta.
Um dia ainda vou explodir esse desgraçado.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

TDAH, TUDO DE BOM ?










Meu peito dói,
não sei pra onde ir.
Um estranho mal estar.
Não físico;
nem mental.
Algo inexplicável.
Mas palpável.
Quero ir,
mas fico.
Quero estar,
mas vou.
Violento (me).
Engano (me).
Frustro (me).
Caio.
Choro.
Derroto (me).
Levanto (me).
Reergo (me).
Olho pro céu
e como na infância
ainda creio que posso atingi-lo.
Salto, salto, salto...
Mas não o alcanço...
Meu peito dói,
não sei pra onde ir.
Um estranho mal estar...

Esse post foi escrito em virtude do comentário de uma portadora anônima de 22 anos que citava o DINHO, dos Mamonas Assassinas e dizia amar ser TDAH. 

domingo, 4 de agosto de 2013

O TDAH E O DESINTERESSE DOENTIO





Existe uma música velhíssima, se não me engano do Erasmo Carlos, que diz assim:

Vejo caminhões
E carros apressados
A passar por mim
Estou sentado à beira
De um caminho
Que não tem mais fim...

E os carros passam. E passam os caminhões. E a vida passa.
E continua-se, ali, sentado à beira do caminho.
Nem a poeira ou a chuva despertam a vontade de sair. 
Preguiça?
Não. Desinteresse.
Seguir a estrada ou ficar à margem dela; qual a diferença?
Nenhuma.
Ao cobrir-se de pó, uma hora será lavado pela chuva; se esta esfria, pode ser coberta - novamente- pelo pó.
Seguir a estrada? 
Proteger os olhos que ardem? 
Passam mais carros ou mais caminhões? 
Tanto faz...
As vezes, num vislumbre, um rosto chama a atenção dentro de um daqueles veículos. 
Mas passou tão rápido...
Carona? Não precisa... Espera... Sim, espera... Não importa...
Um súbito ímpeto de erguer-se; mas, pra quê? 
Olha pra trás e enxerga no início da estrada a criança agitada, curiosa, que pensava que o mundo conseguiria abraçar. Onde foi parar? 
Quem sabe num dos desvios de dopamina do cérebro confuso.
Numa das falhas geológicas da memória.
Ou derreteu-se nas lavas incandescentes de um acesso de raiva.
Talvez, não a reconheça mais por culpa do pó que estragou os olhos. 
Mas essa criança curiosa existiu mesmo ou é apenas cria de sua memória indomável?
Não faz diferença...
Nunca fez...

FÓRUM NACIONAL DE PESSOAS COM TDAH








Precisamos nos unir e dar uma resposta aos detratores do TDAH , aqueles que ironizam e tripudiam de nosso sofrimento, e esse fórum pode ser uma das boas iniciativas.
Um grupo de TDAHs está arrecadando verba para realizar em dezembro próximo em São Paulo um fórum sobre TDAH onde serão discutidas as políticas públicas voltadas para pessoas portadoras do transtorno, crianças e adultos.
Já estão convidados - e confirmados- deputados e autoridades ligadas a educação, além do presidente da Federação Mundial do TDAH.
Para que o fórum se concretize, é preciso que se arrecade um valor mínimo e podem ser doados valores a partir de R$15,00 (quinze reais). Vamos lá pessoal, ninguém vai ganhar nada pessoalmente com isso, o valor arrecadado viabilizará um Fórum em nosso favor e em favor de nossos filhos ou de quem amamos.
Não faço parte da organização, apenas recebi um link, vi o vídeo e decidi apoiar. A turma do anti TDAH está a cada dia mais visível, precisamos nos fortalecer; eu já dei minha contribuição.

                                           http://benfeitoria.com/forumnacionaltdah

Acessem o link acima e vocês poderão ver o vídeo e conhecer as formas de apoio.
Ah, mas por favor, apressem-se, o prazo pra viabilização financeira do projeto encerra-se no fim do mês.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O TDAH E A BATALHA INTERIOR



                                                                                                                                                                                                                                                



Hum, essa viagem vai ficar mais cara do que eu imaginei, dava pra pagar o IPTU atrasado.E se eu desistisse? Ligo e e falo que tô sem grana... Não, que minha mãe adoeceu...Mas vai ser uma decepção, duas semanas planejando...Eu já sabia que ia me enforcar; hotel, avião, e eu nem  tô contando aquelas comprinhas típicas de cidade turística...Ai meu Deus, tenho de cancelar essa viagem, não posso gastar isso tudo.Posso pagar só o minimo do cartão mês que vem e vou rolando. O juro vai me comer pelo pé.mas eu mereço um descanso também! Sei lá qual foi a última vez que fiquei uma semana descansando.Dou um, duro danado... mereço...E ela também é linda... se eu não for ela vai achar que sou um pé rapado. Mas sou... Mas tenho crédito, posso rolar o cartão...E o show em setembro? O Marcão me chamou pra ir com ele. Porra vai ser muito legal. Muita mulher bonita, sol, mar...Minha mãe disse que ia dar sol hoje, mas tem cara não. Tá gelado...E ainda assim fui beber gelado ontem e minha garganta tá doendo. Eu deveria operar essa merda dessa garganta, tirar logo isso. Ihhhh mas o plano de saúde tá atrasado. Amanhã eu pego o dinheiro do IPVA do carro e pago o plano de saúde; o governo não cobra muito nada. Eu não sei se eles apreendem o carro. Amanhã vou ligar pro meu parceiro, Dr. Rodrigo e perguntar. Parceiraço aquele cara, nem parece advogado famoso, humilde pra caramba. Mas humildade também deveria ser obrigação de todo ser humano, ninguém é melhor do que ninguém.Ihhhhh, viajei!Volta pras contas, mané!E se eu barateasse o hotel. Falo com ela que tava lotado aquele hotel que eu havia dito. Lotado na baixa temporada. kkkkkkk, imagina, alugo uma pensão bem fuleira, kkkkkkkk, eu queria ver a cara dela, toda riquinha, de roupa de marca, bolsa Louis Vuitton na pensão da tia Maria. kkkkkkkk. Igual aquela que eu fiquei em Passatempo, kkkkk, o colchão era um colchonete em cima do estrado, aiaiaiai, minhas costelas batiam o tempo todo no estrado da cama. kkkkkk. Ô vida difícil... esse negócio de representante é difícil, a gente sai viajando por aí, ninguém sabe pelo que a gente passa. É uma vida dura... nego acha que é legal viver viajando... lembro de um cara que conheci em Nepomuceno que dormia no bagageiro da Parati dele pra economizar. Deve tá rico, mas com um problemão  na coluna. kkkkk. Nessas alturas deve andar de quatro.kkkkk.De quatro tô eu por causa dessa menina e vou gastar o que não tenho. Foco, idiota, foco. Prestenção...Não, faço assim: rolo o cartão e arrumo um bico à noite, uns três dias na semana faço um bico aí. Sei lá, qualquer cenzinho ou duzentinho que entrar já ajuda.Mas bico de quê? Aonde? Isso eu vejo depois. Se eu não achar nada eu tento fazer umas horas extras na companhia. Mas lá não pagam hora extra. Ah sei lá, eu dou um jeito de aumentar minha renda.É isso aí, vou fazer a viagem por que eu mereço, tô cansadão, preciso relaxar, quero muito pegar essa menina linda... a grana? Pego alguma coisa pra vender nas horas vagas... é posso fazer isso. Odeio vender qualquer coisa, mas, quem sabe, carro apertado é que canta.... Minha avó é que falava isso. Era o carro de boi...  kkkkk quanto mais apertada a roda no eixo, mas o carro rangia e assoviava, e isso era lindo aos ouvidos roceiros dela. kkkkk Pois é, eu sou assim, quanto mais apertado eu estiver, melhor eu canto. kkkkk De mais a mais a prefeitura que se dane, o dia que eu tiver dinheiro eu pago o IPTU. kkkkkIhhh o telefone..Claro minha querida, já reservei o hotel que vimos na internet... Caro nada, tranquilo... Isso, uma semana de vida de reis... Você merece... E eu também né?Jantar hoje? Ah naquele restaurante novo? Claro que vamos... Então deixa eu me arrumar por que lá é muito chique. rsrsrs Nada, bobagem, aperta um pouquinho só, fica tranquila...tchau, beijo...Ai meu Deus, e esse restaurante agora...Que vontade de morrer meu Deus...Onde fui me meter... Acho melhor sumir dessa mulher.. sumir da vida... eu deveria ter nascido numa favela, sei lá, na roça...

Essa é uma pálida ideia do bombardeio de pensamentos contraditórios que sofremos ao tomarmos uma decisão.Na vida real, são mais rápidos, se sucedem sem intervalo; em alguns casos ficamos quase atordoados com esse bombardeio.O pior de tudo é que, na maioria dos casos, o diabinho sempre vence.
É uma batalha do bem contra o mal, do imediato contra o perene, do prazer contra a necessidade.
Uma batalha que se trava em nosso interior a cada decisão que precisamos tomar; a Maria que está insatisfeita com o curso de química; a Anônima que pensa em abandonar o namorado;  cada um de nós é o palco dessa guerra em que só existe um perdedor, nós mesmos. Ainda que tomemos a melhor decisão, resta-nos o desgaste mental e a enorme dúvida de termos ou não tomado a decisão correta.
Dá um cansaço...

domingo, 28 de julho de 2013

TDAH, O TRATAMENTO NÃO É FÁCIL






Não, Simone; o tratamento do TDAH não é tão mágico quanto um par de óculos para quem é míope. Pelo menos no meu caso, mesmo o tratamento tendo mudado minha vida, ainda luto cotidianamente contra o TDAH e sua equipe de sabotadores. Creio, honestamente, que a idade em que fui diagnosticado - 50 anos - influi diretamente no resultado do tratamento.
Cinquenta anos de TDAH  não tratado criaram em minha personalidade defesas, artimanhas e comportamentos que não se apagam somente com o remédio. Eu precisaria (e preciso) de uma boa terapia, mas a grana não dá; me restam o blog e uma sistemática auto análise em todos os meus comportamentos. Praticamente tudo o que eu faço - e principalmente o que eu NÃO quero fazer - eu submeto a essa auto análise. É preciso fazer? É importante que seja feito? Se eu não fizer o que estarei perdendo? O que estou trocando por aquilo que deveria estar fazendo, vale a pena? Por exemplo: trabalho de uma forma bastante livre, tenho um netbook com acesso à internet à mão, se eu não me policiar acabo usando o net pra acessar o blog em lugar de trabalhar. Eu abasteço o Facebook da empresa de informações; e a vontade que dá de acessar o meu Face pra saber das novidades! Isso parece muito fácil pra quem não tem TDAH, nós temos nosso próprio cérebro como inimigo; ele nos alimenta de falsos prazeres imediatos, de desculpas para que façamos o prazeroso e não o necessário. Um comportamento quase infantil. E não é apenas nesse campo da vida que o TDAH atua; no relacionamento afetivo aquele jogo de sedução e conquista com outra mulher (ou outro homem) é plenamente justificado por nosso cérebro doente. Por mais que amemos nossos parceiros, nossa mente inunda-se de pensamentos negativos sobre nossos relacionamentos. As brigas, os defeitos, tudo isso surge diante de nossos olhos como a nos dizer: a pessoa que está diante de você não tem nenhum desses defeitos! Um estímulo ao prazer imediato alimentando o jogo da sedução.
Aí entra a auto análise de que falei; penso a médio e longo prazo. Vale a pena o risco ao meu relacionamento? Sou eu que quero manter esse jogo ou é a necessidade de prazer imediato do TDAH? Em 90% dos casos a culpa é da doença. Eu mudo meu rumo e sigo minha vida.
Acho quase impossível vencer o TDAH sem medicamento algum. A ritalina aumenta minha concentração, meu foco, minha disposição, minha memória. O resto é comigo e minha vontade de não repetir os mesmos erros. E confesso que caio muito, erro muito e repito muito dos erros passados; mas aprendi a me perdoar, a enxergar que tenho uma doença incurável e que, às vezes, parece invencível. Aí entra, de novo, o remédio; é ele quem me dá forças pra enfrentar e derrubar o que parecia invencível.
Estou me preparando para experimentar o Venvanse. Minha médica acredita que será muito melhor. Eu torço por isso, mas, se eu não me adaptar, não tem problema, volto pra minha ritinha, com ela, mais a força de recuperação que tenho, eu  enfrentarei o TDAH de novo.
Todos os dias da minha vida, se for preciso.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

SAMBA DO TDAH DOÍDO







    PARÓDIA DO SAMBA DO CRIOULO DOIDO DE STANISLAW PONTE PRETA

Os mais velhos certamente se lembrarão de Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo do jornalista Sérgio Porto). Uma de suas obras mais conhecidas foi o SAMBA DO CRIOULO DOIDO, uma enorme gozação com a história do Brasil. Há tempos atrás eu fiz uma paródia desse samba e, nem sei por que, não a publiquei.
Publico agora e peço a todos um favor: se algum de vocês fazem parte, ou conhecem quem faz parte, de um grupo de samba ou pagode, eu gostaria de fazer um vídeo de samba pra postar no blog. Cantado é mais legal do que lido.
Aí vai; gostei bem do resultado: em negrito está a minha versão, abaixo dela a letra original.

Foi em Juiz de Fora, na terra do Itamar
(foi em Diamantina, onde nasceu JK)
Que a ironia do destino me fez nascer TDAH
(e a princesa Leopoldina arresolveu se casar)
Era o Brasil de JK presidente
(mas chica da silva, tinha outros pretendentes)
E um menino hiperativo era visto como insolente
(e obrigou a princesa a se casar com Tiradentes)
La, la, la,la, la, la, laia
A vida começou a complicar
( o bode que deu vou te contar)
La,la, la, la, la, laia
A vida começou a complicar
(o bode que deu vou te contar)
Impulsividade,
( Joaquim José)
Desatenção.
(que também é)
Hiperatividade
( da Silva Xavier)
Eu era ligado na tomada
(queria ser dono do mundo)
Prenúncio de uma vida complicada
(e se elegeu Pedro segundo)
Era pipa e pião, era briga de rua, pulava carniça,
(das estradas de minas seguiu pra são Paulo e falou com Anchieta)
Futebol na calçada, banho de enxurrada, não tinha preguiça,
 (o vigário dos índios aliou-se a d Pedro e acabou com a falseta)
Era irrequieto, sonhava acordado, andava no teto,
(da união deles dois ficou resolvida a questão)
Um TDAH não descoberto
( e foi proclamada a escravidão)
Assim eu conto a minha história
(assim se conta esta história)
Muita derrota e pouca glória
(que é pros dois a maior glória)
Não fiquei casado com ninguém
(D. Leopoldina virou trem)
E hoje não tenho nem um vintém
(D Pedro é uma estação também)
Oooooo o meu tratamento enfim chegou
(oooooo o trem tá atrasado ou já passou)




quinta-feira, 18 de julho de 2013

O TDAH SEM RUMO








A esmo vago pela vida.
Entre quedas e derrotas reergo-me e continuo a vagar, apenas para cair novamente mais adiante.
Achacado por pensamentos incontroláveis, por impulsos inconfessáveis; vivo(?) à mercê dos hábeis sabotadores que habitam minha mente.
Imagino seguir em frente, mas, como num jogo de espelhos, o futuro reflete o passado e a mão que me é estendida revela-se um engodo; frágil, quebradiça, apenas ilude aumentando a dor da nova queda.
Como uma nau apátrida, navego ao largo de portos os mais diversos, mas não posso atracar. Daquele povo não faço parte, àquela terra não pertenço.
O velho barco combalido pelas intempéries afasta-se de mais um porto e empreende uma nova busca ao longo do vasto oceano da vida.
Qual nada, não existirão portos amistosos. A nada ou a ninguém pertenço. Meu destino é vagar; vagar sem rumo à espera da borrasca final que selará o destino de uma vida inteira vivida à margem, à espreita, sem jamais experimentar o inebriante sabor do pertencimento.

PS.: Este post foi inspirado no comentário anônimo postado ontem no texto O Tdah Desempregado

domingo, 14 de julho de 2013

O TDAH DESEMPREGADO.






O desemprego é difícil para qualquer pessoa, e quando perdura, é muito pior. A falta de trabalho e a consequente incapacidade para manter-se e à família, reduz a auto estima e potencializa todos os defeitos da pessoa.
Gonzaguinha tem uma música que fala sobre isso e num determinado trecho diz assim: sem o seu trabalho um homem não tem honra...
Imagine se essa pessoa for TDAH!
Por influência da doença, já temos uma baixa auto estima, desempregados então...
Vamos imaginar o quadro descrito pela leitora Simone: o marido desempregado, sustentado pela mulher e fica em casa o dia inteiro nos joguinhos de computador.
Que comportamento ridículo, o camarada desempregado e fica perdendo tempo em joguinhos?
Pois é amigo, pense bem, sem emprego, sem dinheiro, e com auto estima lá em baixo. Procurar emprego pra quê, ninguém vai contratá-lo mesmo. E a vergonha de sair de casa e ter de explicar a quem encontrar que está desempregado; de novo. E a falta de noção de tempo, que faz com que as horas escoem diante da tela do computador e ele nem perceba. E a infantilidade típica da doença que faz com que ele espere uma grande oportunidade caindo em seu colo.
E a esposa chega em casa morta de trabalhar e se depara com a casa bagunçada, nenhum currículo distribuído e o marido no computador jogando sem parar. Dá uma raiva!
E o marido fica agressivo, grita, discute.
Essa é a maneira que ele encontrou de se defender do indefensável: agredindo.
Acuado, sabendo-se sem razão mas não querendo admitir a derrota, parte para o ataque.
O ataque trás em seu bojo todo o desespero pela doença, trás a negação do diagnóstico, trás a recusa ao tratamento; mas trás também uma inconsciente vontade de que tudo piore; uma estranha vontade, inexprimível, de experimentar o fundo do poço. Um amargo e doce flerte com a tragédia total; desemprego, separação, e a pena de todos os que o cercam.
Não sei se algum de vocês já sentiram o estranhíssimo fascínio de saltar de lugares altos, muito altos; eu sinto isso. Sei que jamais concretizarei, mas uma vontadezinha de experimentar o salto final, lá isso dá.
O comportamento do marido é típico do TDAH! Ele foi diagnosticado e, por falta de sorte, tratado erradamente, mas ao mesmo tempo ele ligou o foda-se. E isso serve pra tudo em sua vida. Nós portadores sabemos do que estou falando.
Sabe, Simone, enfrentar essa barra requer uma força que eu não teria; e nem sei se queria ter.
O normal ao sermos diagnosticados é um profundo mergulho no universo TDAH para aprendermos a lidar com a doença, para criarmos estratégias para driblá-la.
A inércia e o desinteresse são frutos da auto sabotagem, assim como a negação, mas cabe somente a ele se erguer e enfrentar a doença; e não esperar que façam por ele.




segunda-feira, 8 de julho de 2013

O TDAH INCONSTANTE







Amamos e odiamos num átimo.
Fervemos e congelamos num instante.
Sorrimos e choramos num relance.
Erguemos e destruímos num centésimo.
Expandimos e encolhemos num piscar.
Morremos e renascemos numa vida.
Esse ir e vir contínuo.
Essa inquietude interna.
Essa vida em choque.
Frutos da insatisfação que nos habita.
Nos desanima!
Nos esgota!
Nos derrota!
Não!
Isso jamais!

terça-feira, 2 de julho de 2013

CUIDADO, TEM DESONESTOS NO BLOG!!!

ATENÇÃO, ATENÇÃO!!!!
ALGUÉM ESTÁ POSTANDO LINKS DE VÍDEOS DO YOUTUBE JUNTO DOS COMENTÁRIOS USANDO O MEU NOME.
TAL COMPORTAMENTO OBSESSIVO DEMONSTRA DUAS COISAS:
1) O BLOG É UM SUCESSO E ESSA PESSOA DE FRACA PERSONALIDADE ACHOU QUE AQUI CONSEGUIRIA PROPAGAR SUAS RIDÍCULAS IDEIAS ANTI PSIQUIATRIA E ANTI TDAH;
2) O COMPORTAMENTO DESEQUILIBRADO E OBSESSIVO DEMONSTRA QUE ESSA CRIATURA É, NA VERDADE, UM DOENTE MENTAL EM NEGAÇÃO, QUE TENTA USAR ESSES VIDEOZINHOS RIDÍCULOS PARA COMBATER SUA PRÓPRIA DOENÇA.

EU JAMAIS POSTARIA ALGO CONTRA A DOENÇA QUE EU SOU PORTADOR OU CONTRA A CIÊNCIA QUE AJUDA A TODOS NÓS A TERMOS UMA VIDA MELHOR.
E MUITO MENOS POSTARIA ALGO DE GRANDE INTERESSE E UTILIDADE SEM UM POST QUE O APRESENTASSE OU SEM NENHUM COMENTÁRIO.
PERDOEM-ME O TRANSTORNO, MAS ISSO POR OUTRO LADO CONFIRMA QUE ESTAMOS NO CAMINHO CERTO, POIS TRATADOS NÃO PRECISAMOS ADOTAR ESSES COMPORTAMENTOS RIDÍCULOS DESSA PESSOA DOENTIA.

domingo, 30 de junho de 2013

TDAH- A GENTE LEVANTA, A GENTE SOBE, A GENTE VOLTA






Encontrei uma frase do genial Guimarães Rosa que diz o seguinte:
TODO CAMINHO DA GENTE É RESVALOSO. MAS, TAMBÉM, CAIR NÃO PREJUDICA DEMAIS - A GENTE LEVANTA, A GENTE SOBE, A GENTE VOLTA.
Parece que ele estava falando de nós, TDAHs; e essa é uma das características de personalidade dos TDAHs que mais me é cara, que mais me impressiona.
Ontem encontrei uma pessoa no trabalho que eu não via a anos, desde o meu tempo de empresário de sucesso e que ele, diretor financeiro de um grande grupo da área de saúde, gostava de conversar comigo sobre grandes investimentos. Pois bem, os anos se passaram, fechei minha empresa, amarguei enormes prejuízos com meu novo negócio, e hoje estou aí, na mesma cidade onde nasci e tive minhas empresas, mas hoje trabalhando como funcionário de uma grande empresa.
Ele surpreendeu-se ao me ver, me abraçou, conversamos animadamente, contei-lhe do meu trabalho, e ele me convidou a tornar a empresa em que trabalho fornecedora de tintas de seu grupo empresarial. Na saída disse que ficou feliz em me ver tão bem, blá, blá, blá.
E fiquei pensando nisso: várias pessoas já me disseram que estou, aparentemente, bem, que fisicamente não transpareço tudo o que me aconteceu, ou tudo o que materialmente perdi.
Eu me pergunto muito isso: realmente não sinto muita diferença entre ser o dono de três lojas, com trinta funcionários, e ser um dos funcionários de uma empresa que tem outros cento e cinquenta. Claro que a grana é muitíssimo diferente, mas e daí? Não ligo pra dinheiro? Adoro dinheiro e o que ele proporciona, mas consigo extrair prazer da vida ganhando cem, mil ou dez mil. Fiz um magnífico cruzeiro pelas ilhas gregas no tempo da fartura, amei, foi sensacional. Passei um dia maravilhoso com minha namorada, a algumas semanas atrás, em Itaipava distrito de Petrópolis, uns 60 quilômetros distante da minha cidade, amei, foi sensacional.
Sou um idiota? Posso ser, mas gosto mais das pessoas do que das coisas. Bem verdade que não passo necessidade, mas perto do que eu podia gastar a alguns anos, hoje sou paupérrimo. E nem me incomodo.
Trabalho duro e tenho a meta de melhorar de vida, aumentar meus ganhos, galgar posições, mas a vaidade de ser dono, ou a vergonha de ser, de novo, empregado não fazem parte da minha vida.
Acho que todos nós , TDAHs, temos essa virtude, essa característica: nos moldamos às situações, às circunstâncias, nosso cérebro meio que apaga parte daquela vida vivida anteriormente.Ou talvez apague parte das emoções sentidas naquela época.
Claro que as experiências são sentidas de maneira diferente pelas pessoas, o que não me abala pode destruir outra pessoa e por aquilo que ela passa incólume pode me arrasar, mas eu tenho em mim essa poderosa ferramenta de auto reconstrução e acho que o nome dela é TDAH.
As características negativas do TDAH, forjam seres humanos tão acostumados a se reerguer, a se reconstruir, a renascer das próprias e cotidianas derrotas que nos tornamos auto regenerativos.
Não nos entregamos, não nos deixamos derrotar, não abaixamos definitivamente nossa cabeça.
Como disse o imortal Guimarães Rosa, nosso caminho é 'resvaloso', mas isso nos torna mais fortes, mais resistentes e perseverantes no retorno.
A vida nos derruba, mas a gente levanta, a gente sobe, A GENTE VOLTA!!!!!

TDAH, AGORA COM CHAT NO BLOG








AEEEE PESSOAL, DEPOIS DE MUITA PROCRASTINAÇÃO COLOQUEI UM CHAT NO BLOG!!!!
ESPERO QUE VOCÊS ENTENDAM QUE NÃO É O QUE EU IMAGINAVA, MAS O QUE MEU FRAQUÍSSIMOS CONHECIMENTOS DE INFORMÁTICA ME PERMITIRAM.
PRIMEIRO O LOCAL: TA LÁ EMBAIXO NO BLOG. EU QUERIA QUE FICASSE ABAIXO DE CADA POST, MAS NÃO DESCOBRI COMO SE FAZ, OU SE TEM JEITO.
ACHEI ELE MEIO FEIO, MAS TUDO BEM, O QUE PRECISAMOS E QUEREMOS É CONVERSAR UNS COM OS OUTROS.
PESSOAL, USEM À VONTADE!
EEEEEEHHHHHHHHHHHH  TEMOS CHAT NO BLOG!!!!!
MÓ LEGAL AE!!!
ACEITO COLABORAÇÕES PARA APERFEIÇOAMENTO
ABRAÇOS MEUS AMIGOS
ALEXANDRE

O CHAT FICA NO FIM DO BLOG, SIGA A SETA VERDE!!!!


sexta-feira, 28 de junho de 2013

O TDAH, O AMOR E A IMPULSIVIDADE




- Eu te amo!
- Que lindo! Tão rápido...
- Amor à primeira vista.
...
- Como assim, acabou?
- Acabou, terminou, chegou ao fim!
- Mas ontem você disse que me amava!
- Ontem...

sábado, 22 de junho de 2013

TDAH - ENTENDER PARA CONVIVER





Não somos inválidos; não queremos e não precisamos de pena ou de cuidados especiais.
Apenas temos um timing e uma intensidade diferentes da sua.
Se você quer, realmente, conviver com um TDAH, aprenda sobre a doença. Conhecer o TDAH é a melhor maneira de reconhecê-lo no outro, de saber quando ele está comandando a outra pessoa.
Você tem lapsos de memória; nós temos hiatos de memória.
Você tem momento de irritação; nós, de fúria.
Você tem momentos de devaneio; nós temos momentos de realidade.
Você tem momentos de impulso; nós lutamos contra um tsunami de impulsividade.
Você as vezes se critica; nós nos forjamos sob a crítica alheia.
Você pode ter momentos em que teme a vida; nós, tememos a nós mesmos.
Você acha difícil conviver com um TDAH? Ainda mais difícil é ser um TDAH.
Você já se sentiu incompreendido? Nós nos sentimos marginalizados.
Você teve momentos de arrependimento? Nós temos uma vida de frustrações.
Assim como em você, a vida nos deixou marcas; o que nos diferencia é a sensação de que fomos insuficientes, de que falhamos, de que desperdiçamos nossas vidas.
Tudo isso, cria almas torturadas e intrincadas estratégias anti naufrágio.
Entender o TDAH é munir-se  de uma lupa capaz de devassar nossa alma e, por conseguinte, entendê-la.
Vale a pena conviver com um TDAH?
Essa resposta cabe a você; a nós, não foi dado o direito de escolha.
Não podemos, como você, apenas dizer não, respirar fundo e seguir a vida.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O TDAH VIAJANDÃO...








Vejo passar ao meu lado duas mulheres conversando animadamente. A diferença de idade entre as duas e a discrepância entre suas roupas dispararam minha mente.
Seriam elas patroa e empregada? Se sim, qual tipo de relacionamento teriam para conversar de forma tão descontraída e aparentemente tão íntima?
Seriam amigas? Ou apenas vizinhas a caminho da feira?
Obviamente estavam indo pra feira, uma delas puxava um carrinho típico de frequentadores assíduos de feiras livres. Mas apenas uma delas puxava o carrinho, a outra gesticulava as mãos vazias enquanto ambas riam à bandeiras despregadas. Claro que quem puxava o carrinho era aquela que tinha a aparência mais humilde. Isso reforçou minha impressão de que se tratavam de patroa e empregada.
Confesso que fiquei envergonhado com meu preconceito. Só por que eram de classes sociais diferentes, deveriam ser patroa e empregada?
Mas o papo parecia tão íntimo que acabei alterando minha opinião para amigas. Novamente me recriminei; quem disse que patroa e empregada não podem ser amigas?
Uma buzina irritada despertou-me, eu estava parado no sinal de trânsito e viajei na maionese...
Lembrei-me imediatamente que não havia tomado Ritalina, ainda.
Assim que chegar na empresa vou tomar meu remédio, pensei.
Rebobinei meus pensamentos e ri sozinho pensando em minhas impressões sobre as duas mulheres que cruzaram meu caminho.
- Isso daria um post interessante, pensei comigo.
Comecei a imaginar o post, por onde começar, como abordar o assunto...
-Ai meu Deus, as buzinas de novo...
Um buzinaço atrás de mim; estava eu novamente viajando enquanto o sinal de trânsito estava fechado...
Deixa eu correr pra tomar minha Ritalina antes que eu faça uma besteira.



sábado, 15 de junho de 2013

O TDAH E A PAZ DO DIAGNÓSTICO



O comentário de Walter Nascimento acendeu em mim a vontade de voltar a escrever sobre o tema do diagnóstico do TDAH. Em seu comentário Walter diz o seguinte: a descoberta e a certeza do diagnóstico do TDAH não mudaram quem sou, mas me trouxeram uma paz interior e uma compreensão maior de 'quem eu sou'.
Belíssimo comentário! E sempre oportuno, o momento da confirmação do diagnóstico é sempre muito doído, a pessoa se sente perdida...
Por mais que ela desconfie, que tenha certeza, saber-se portador de uma doença mental nem sempre é fácil de conviver. Eu, particularmente, amei. Eu me sentia um débil mental, um cretino, um idiota. Um cara auto destrutivo, incapaz de dar um mínimo de sentido à própria vida.
Ninguém muda ao saber-se TDAH, mas passa a entender-se, a entender suas atitudes, e abre uma grande possibilidade; a de perdoar-se.
É muito importante o auto perdão. O portador de TDAH é uma pessoa doente, não um cretino qualquer, um mal intencionado. Sofremos de uma deficiência química no cérebro e isso nos faz diferentes.
O comentário de Walter é muito bonito, e exorta a anônima que se diz cansada e desanimada a
procurar ajuda médica.
É isso aí, não tenham medo do diagnóstico ele é um momento doído, mas libertador, o diagnóstico nos abre uma porta para o passado, através de entendimento de nossas atitudes e escolhas, e outra para o futuro, que ao transpô-la, estaremos caminhando através de uma nova estrada em nossas vidas.
Procurem ajuda médica, não convivam com a incerteza, saber-se TDHA é uma libertação, tratar-se é reescrever a própria história.