O TDAH E A DIFERENÇA ENTRE ENTENDER E COMPREENDER

                                                               
Homem sentado em caverna escura sobre pedras pontiagudas, envolto em cobertor velho, olhando para a saída iluminada.
"As oportunidades dificilmente virão até a caverna."







A Diferença entre Entender e Compreender

A princípio, os dois termos são iguais: entender e compreender seriam sinônimos. Na prática, não é isso que ocorre: entender é um ato lógico, racional; compreender é mais profundo, abrange a lógica racional, mas também abarca a faceta emocional e a empatia na análise da questão apresentada. Um acidente de carro: o entendimento lógico me diz que ali ocorreu um acidente de trânsito. A compreensão sabe do evento, mas considera as possíveis perdas humanas, financeiras e mesmo anímicas que aquela colisão provoca.

A base deste blog é o autoconhecimento e o conhecimento amplo do TDAH como ferramentas que impedem o transtorno de agir. A partir do momento que conheço o transtorno,  reconheço quando aqueles sintomas que o definem começam a se materializar nas minhas atitudes ou nos meus pensamentos. Exemplo: eu começo a empurrar pra frente tarefas potencialmente chatas ou desagradáveis. Deixo de tomar decisões importantes que possam me parecer incômodas, porém necessárias e fundamentais. Esse é um exemplo simples, apenas ilustrativo, mas é por esses que começa o trabalho de base. Uma vez que eu reconheço a procrastinação, eu posso me encher de forças e autoestímulo para derrotá-la e cumprir as tarefas necessárias. Até mesmo por saber que agora ou mais tarde elas terão que ser cumpridas.

O Perigo da Acomodação e a "Caverna"

Mas o TDAH não é assim tão explícito, ele te acompanha ao longo da vida e, na maioria das vezes, parece fazer parte - ou faz - da nossa personalidade. E aí o entendimento apenas não basta. Quantas vezes enxergamos o sintoma e não conseguimos agir contra ele. Ou simplesmente não o reconhecemos por ser um comportamento arraigado na nossa história de vida. É aí que entra a compreensão. Precisamos compreender o TDAH e a nossa postura diante dele. Precisamos pensar em nossas vidas profundamente e reconhecer onde o TDAH agiu e até onde nos levou.

A verdadeira compreensão do TDAH e de nós mesmos deve vir acompanhada de honestidade intelectual para reconhecer que a inércia diante daquele sintoma pode desencadear consequências devastadoras, mas, e principalmente, saber se o que estamos vislumbrando não é, no fundo, a possibilidade de usufruir dessas consequências. A grande chance de que sintam pena de nós, a aparentemente benéfica sensação de pertencimento ao grupo dos sofridos ou dos bafejados pelo infortúnio. Irreal? Nunca! Praticamente todos os TDAHs já usufruíram dessas consequências aparentemente desastrosas, mas geradoras de solidariedade, apoio e sensação de pertencimento. Muitas vezes isso é cômodo.

Sair da Caverna ou Permanecer no Escuro?

Estar escondido em uma caverna escura e aquecida pode parecer mais fácil e confortável do que sair para campo aberto e enfrentar o clima hostil e os possíveis predadores. Não há exatamente um mal nisso, desde que se compreenda que as oportunidades dificilmente virão até a caverna. Muito antes de chegar à entrada da caverna ela terá sido agarrada por alguém que está do lado de fora buscando-a.

Acomodar-se ao TDAH é optar pelo fundo da caverna. Nada de bom vai acontecer. E, com alguma sorte, nada de muito mal também vai. Mas aos poucos a corrente da solidariedade e da pena vai rompendo seus elos. Uns morrem, outros partem, outros simplesmente deixam de se importar e aquele colchão aquecido de pessoas penalizadas e solidárias vai se afinando, se esgarçando, se puindo e, de repente, suas costas começam a sentir a superfície pontiaguda do piso da caverna machucar sua carne.



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Compreender o TDAH exige estudo e acompanhamento clínico. Saiba como o diagnóstico correto transforma a vida cotidiana no site da — ABDA: Associação Brasileira do Déficit de Atenção

 

FAQ - Perguntas Frequentes:

Qual a diferença entre entender e compreender o TDAH?

Entender é o ato racional de saber que os sintomas existem. Compreender é o processo profundo de perceber como esses sintomas moldaram sua história e decidir agir contra a inércia, assumindo a responsabilidade pela mudança.

O que o autor quer dizer com "usufruir das consequências" do TDAH?

Refere-se ao ganho secundário da doença, onde o indivíduo se acomoda na posição de vítima para receber atenção, pena ou solidariedade alheia, em vez de enfrentar as dificuldades do tratamento e da vida ativa.

















A princípio, os dois termos são iguais: entender e compreender seriam sinônimos. Na prática, não é isso que ocorre: entender é um ato lógico, racional; compreender é mais profundo, abrange a lógica racional, mas também abarca a faceta emocional e a empatia na análise da questão apresentada.
Um acidente de carro: o entendimento lógico me diz que ali ocorreu um acidente de trânsito. A compreensão sabe do evento, mas considera as possíveis perdas humanas, financeiras e mesmo anímicas que aquela colisão provoca.
A base deste blog é o autoconhecimento e o conhecimento amplo do TDAH como ferramentas que impedem o transtorno de agir. A partir do momento que eu conheço o transtorno, eu reconheço quando aqueles sintomas que o definem começam a se materializar nas minhas atitudes ou nos meus pensamentos. Exemplo: eu começo a empurrar pra frente tarefas potencialmente chatas ou desagradáveis. Deixo de tomar decisões importantes que possam me parecer incômodas, porém necessárias e fundamentais. Esse é um exemplo simples, apenas ilustrativo, mas é por esses que começa o trabalho de base. Uma vez que eu reconheço a procrastinação, eu posso me encher de forças e autoestímulo para derrotá-la e cumprir as tarefas necessárias. Até mesmo por saber que agora ou mais tarde elas terão que ser cumpridas. 
Mas o TDAH não é assim tão explícito, ele te acompanha ao longo da vida e, na maioria das vezes, parece fazer parte - ou faz - da nossa personalidade. E aí o entendimento apenas não basta. Quantas vezes enxergamos o sintoma e não conseguimos agir contra ele. Ou simplesmente não o reconhecemos por ser um comportamento arraigado na nossa história de vida. É aí que entra a compreensão. Precisamos compreender o TDAH e a nossa postura diante dele. Precisamos pensar em nossas vidas profundamente e reconhecer onde o TDAH agiu e até onde nos levou. 
A verdadeira compreensão do TDAH e de nós mesmos deve vir acompanhada de honestidade intelectual para reconhecer que a inércia diante daquele sintoma pode desencadear consequências devastadoras, mas, e principalmente, saber se o que estamos vislumbrando não é, no fundo, a possibilidade de usufruir dessas consequências. A grande chance de que sintam pena de nós, a aparentemente benéfica sensação de pertencimento ao grupo dos sofridos ou dos bafejados pelo infortúnio. Irreal? Nunca! Praticamente todos os TDAHs já usufruíram dessas consequências aparentemente desastrosas, mas geradoras de solidariedade, apoio e sensação de pertencimento. Muitas vezes isso é cômodo. Estar escondido em uma caverna escura e aquecida pode parecer mais fácil e confortável do que sair para campo aberto e enfrentar o clima hostil e os possíveis predadores. Não há exatamente um mal nisso, desde que se compreenda que as oportunidades dificilmente virão até a caverna. Muito antes de chegar à entrada da caverna ela terá sido agarrada por alguém que está do lado de fora buscando-a. 
Acomodar-se ao TDAH é optar pelo fundo da caverna. Nada de bom vai acontecer. E, com alguma sorte, nada de muito mal também vai. Mas aos poucos a corrente da solidariedade e da pena vai rompendo seus elos. Uns morrem, outros partem, outros simplesmente deixam de se importar e aquele colchão aquecido de pessoas penalizadas e solidárias vai se afinando, se esgarçando, se puindo e, de repente, suas costas começam a sentir a superfície pontiaguda do piso da caverna machucar sua carne. 

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