65 ANOS DE SOLIDÃO: A SAGA DO ETERNO RECOMEÇO
Diante do pelotão de fuzilamento de minha consciência, eu me recordo do dia em que experimentei o fracasso. O fracasso é gelado, cinza, indiferente, mas houve um tempo em que ele, como outros sentimentos, precisava ser nomeado. Hoje não mais; hoje o fracasso é facilmente sentido e reconhecido. 65 anos em busca de uma felicidade que apenas retornou dor e solidão. Sucessivas explosões de fúria, tempestades intensas de pensamentos intrusivos e autodestrutivos e o eterno recomeçar. A solidão do recomeço. O recomeçar na dor do arrependimento, o recomeçar no autoflagelo da culpa, o recomeçar na aridez das incertezas. E o tempo passa. As tentativas falham. A culpa aumenta. E a dor não cessa. Em alguns momentos, a vida parece próspera, beirando a felicidade. O tempo fecha. A chuva chega — fria, implacável, intermitente, interminável. Aqueles dias de sol e brisa fresca já são distantes, substituídos por mofo e bolor que precisam ser eliminados imediatamente. Na ânsia de eliminar o bolor e o mof...





