TDAH NO TRABALHO: Os Riscos de Revelar o Diagnóstico na Era da Produtividade


Homem colorido lendo um livro dentro de uma engrenagem mecânica cinza gigante



O Império do Útil e o Fim da Sensibilidade

Vivemos a era da utilidade. Tudo deve ser útil e utilizável. Inclusive pessoas e sentimentos. 
Já tivemos uma das melhores publicidades do mundo, ganhamos prêmios com propagandas icônicas e sensíveis. Hoje a propaganda é simplória e superficial: isso custa tanto em tantas parcelas.
As listas de melhores livros é deprimente: nos primeiros lugares estão livros de colorir ou autoajuda, literatura, quando está entre os dez mais vendidos, fica lá no fim.
O que isto tem a ver com o TDAH?  Tudo. 
  • Nós, e nossos devaneios, não combinamos com os tempos de utilidade. 
  • Nós, e nossas falhas de memória, não combinamos com o tempo da produtividade. 
  • Nós, e nossa impulsividade, não combinamos com o tempo do massacre aos direitos trabalhistas.
O Mito do "Pense Fora da Caixa"

 Ahhhh, dirão os candidatos a coach, mas as empresas querem funcionários que pensem fora da caixa. Mentira! As empresas querem e contratam quem obedece cegamente, quem 'veste a camisa da empresa' - que em português significa sacrificar tudo em nome do emprego - quem defende ferozmente a ordem estabelecida. Onde o TDAH não se encaixa? No discurso ou na crença o portador pode até se encaixar, mas na prática, tudo é diferente. Se não for diagnosticado e tratado, a chance de escapar para os devaneios é enorme, a chance de se perder na desorganização também, sem falar nos problemas com horário ou na impulsividade que nos leva a falar o que não deveria, com quem não deveria, na hora que não deveria.

O TDAH no Mercado de Trabalho

Não prego a impossibilidade de um TDAH trabalhar e trabalhar bem. Nada disso, mas sabemos que nossas características nos fazem permanecer menos tempos nas empresas. Só durei muito tempo nas empresas em que eu era o dono. Aos poucos a paciência das chefias com nossas pequenas e cotidianas falhas se esgotam e na primeira oportunidade, ou necessidade, somos nós que eles demitem. 

O Risco da Exposição (Por que não contar?)

Por isso mesmo sou contra contar na empresa que somos TDAHs, isso só se volta contra a gente. Viramos os doidinhos da empresa, os transtornados, tudo o que falamos ou fazemos traz a etiqueta do TDAH colada. Se a empresa precisar demitir, são esses estranhos os que encabeçam a lista. 
Empresa não é escola, onde somos amparados por lei e temos direitos assegurados. Empresa é terra de ninguém, todos contra todos, e quanto maior, pior. Não sou a favor de tamanha exposição.
Em tempos de seres humanos úteis, nossas necessidades diferenciais são absolutamente negativas. 



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O ambiente de trabalho pode ser desafiador para o TDAH. Busque orientação sobre seus limites e saúde mental na ABDA: Associação Brasileira do Déficit de Atenção

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