Nota do Autor: Entre o Hiperfoco e a Sobrevivência
No TDAH, amar é hiperfoco. Mergulhamos fundo, sem limites entre o "eu" e o "nós". Mas essa entrega tem um preço: quando há rejeição, a dor é física e o cérebro aciona a névoa mental como defesa.
O manifesto abaixo descreve esse ciclo. Se você já sentiu que "não esqueceu, apenas não se lembra", entenda: esse abafamento emocional é o seu transtorno estancando o sangue para você seguir em frent e.
Talvez algumas pessoas reconheçam algo de si mesmas neste texto.
Mergulharei fundo
em sua alma.
Navegarei
nas águas revoltas
do seu coração.
Encherei minha alma
com a sua alma.
Respirarei você.
Seus sonhos serão
os meus sonhos.
Suas dores
serão minhas dores...
Mas não tripudie
do meu amor.
Não despreze
o meu amar.
Eu desmergulho
de sua alma
e me vou.
Vou
para não sei onde.
Apenas vou...
A alma sangra.
O coração se despedaça.
Em silêncio
o TDAH recolhe
os cacos que caem
do meu coração
e estanca
as feridas abertas.
Com o tempo
uma neblina tênue
se nos interpõe
e lentamente
se adensa
até que de você
não reste sequer
a silhueta.
A vida segue
entre o rasgar-se
e o remendar-se
de um coração que arde
e um transtorno
que abafa.
Ainda posso sentir
o sabor
do seu beijo...
Eu não te esqueci.
Apenas
não me lembro.
Esse texto faz parte da série sobre relacionamento com TDAH.
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O TDAH afeta a forma como a pessoa ama?
Sim. Muitos portadores de TDAH experimentam o "hiperfoco afetivo", onde a entrega inicial é absoluta e profunda. Porém, a desregulação emocional pode tornar as discussões ou términos muito mais dolorosos (fenômeno conhecido como Disforia Sensível à Rejeição).
2. O que é a "névoa mental" após o fim de um relacionamento?
A névoa mental (ou brain fog) no TDAH funciona frequentemente como um mecanismo de defesa. Quando a dor emocional é excessiva, o cérebro "abafa" as memórias e estímulos para proteger o indivíduo, criando a sensação de que a pessoa "não se lembra", embora o sentimento ainda esteja lá.
3. Por que o TDAH parece "esquecer" as pessoas tão rápido?
Não é um esquecimento real por falta de importância, mas sim uma dificuldade na memória de trabalho e no conceito de "permanência do objeto" aplicado aos afetos. Se a pessoa não está presente no dia a dia, o cérebro TDAH prioriza os estímulos atuais, o que pode ser interpretado erroneamente como indiferença.
