sábado, 19 de julho de 2014

TDAH: PAIS E FILHOS





Meu 'irmão' Walter Nascimento está em profunda dor. Segundo suas palavras, seu filho " muito TDAH, caiu". Pra quem não é portador, ou não convive conosco, cair para um TDAH é cometer erros típicos de nossas piores características: impulsividade, procrastinação, acídia (nome científico da preguiça), falta de foco, má memória, etc... Em geral cometemos os mesmos erros, aliás, essa é uma característica do TDAH que me esqueci de mencionar acima; não aprendemos com nossos próprios erros.
Não sei qual das falhas o filho do meu 'irmão' Walter cometeu, mas sei que ele pode se sentir um privilegiado. Seu pai, é um TDAH diagnosticado, um TDAH em tratamento, um TDAH com pleno conhecimento de tudo aquilo que seu amado filho está passando.
Lembra-se, Walter, de quantos tombos você tomou e teve de reerguer-se sozinho?  E pior, enquanto estava lá embaixo ainda tinha de ouvir as críticas de parentes e amigos?
Hoje, não; seu filho pode se sentir abraçado, acalentado, aconchegado e compreendido por um pai que sabe EXATAMENTE pelo que ele está passando. Ele não será bombardeado pelos pais, como você, eu e vários outros TDAHs  fomos; claro, a sociedade sempre cobrará um preço por isso. Mas ele não estará só. Nem você.
O TDAH deu ao Walter uma oportunidade de ouro de dar a mão ao seu filho, de aproximar-se ainda mais dele, de poder transmitir a experiência por ele vivida e mais ainda, de poder minorar a dor e o sofrimento do filho.
Nada disso elimina a dor de ver um filho em momento de frustração e decepção. Nada disso vai evitar que nossos filhos tenham recaídas e falhas em virtude da doença. Mas lembremo-nos: NÃO SOMOS CULPADOS POR TRANSMITIR A DOENÇA A NOSSOS FILHOS. O TDAH é uma doença biológica, e como tal está fora de nosso alcance impedir que seja transmitida a nossos filhos. Mas podemos exercer um papel fundamental; o papel de guia. Aquele que vai ensinar-lhes o caminho das pedras e evitar que repitam infinitas vezes os mesmos erros.
Claro, não conseguiremos sempre. É da doença uma certa 'atração' pela tragédia, pelo sacrifício 'consciente', ou atitudes que nos coloquem na posição de vítimas e coitadinhos.
Mas poderemos estar por perto; poderemos dar a mão sempre que precisarem.
Força Walter! Você hoje é o símbolo desse blog e sua dor o mote desse post; mas sei que , em breve, ambos, você e seu filho darão a volta por cima. Com certeza seu filho sairá mais forte e confiante, pois saberá que o pai é o seu guia e o ajudará a evitar quedas cada vez mais dolorosas e de consequências mais devastadoras.
Sua dor é a minha dor, a dor de todos os pais e mães portadores de TDAH e que veem em seus filhos a herança nefasta da doença. Não somos culpados; somos vítimas, tanto quanto nossos filhos; façamos da doença uma ponte para estreitarmos nosso amor e nosso relacionamento com aqueles que amamos.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O TDAH E A FAMÍLIA






O post anterior suscitou um debate interessante, um adolescente que se descobriu TDAH recentemente não sabe como contar à família. Como bom TDAH ele procrastina esse momento ao máximo, imaginando toda a sua revolta caso a família não concorde em leva-lo ao médico e trata-lo.Com o apoio do Walter Nascimento e do Léo Ribeiro, nosso jovem TDAH ,que se auto denomina Sail, está criando forças para contar aos pais que todos os seus testes (feitos na internet) deram positivo.Vou tentar dar minha contribuição.
Assim como quase todo adulto, descobri meu TDAH por acaso. Lendo uma revista Veja antiga deparei-me com uma entrevista da Dra. Ana Beatriz; e ela falava de mim, da minha vida, do meu comportamento, da minha alma. Eu estava na sala de espera de um advogado e sequer me lembro do que tratei com ele. Saí dali a mil por hora e mergulhei na internet, no livro 'Mentes Inquietas" e, em 24 horas estava no consultório da Dra Valéria Modesto, a quem devo, inclusive, a existência desse blog.
A família merece um capítulo à parte.
Ao contrário de outras doenças, o TDAH é convivível e bastante camuflado. Podemos ser taxados de 'avoados', 'irresponsáveis', 'preguiçosos', 'elétricos', 'mal educados', 'cretinos'... Enfim, podemos ser um monte de outros adjetivos, mas não 'doentes mentais'. Doente mental é uma pecha muito forte, uma tatuagem difícil de apagar. E pasmem, nossas famílias preferem os cretinos, preguiçosos, irresponsáveis, do que ter em seu seio um 'doente mental'.
Em geral, a primeira reação é a negação ou descrença. "Imagina, você é tão inteligente"; " não fala isso, nunca que você tem uma doença mental"; 'isso é invenção de médico pra ganhar dinheiro"...
Se você não chutar o balde, brigar e xingar, você pode ter a chance de convencê-los, de provar a eles que sua doença existe e você é um dos portadores. Todo aquele comportamento estranho, meio fora do eixo, tem uma razão. Nesse momento a emoção toma conta; choro, abraços e juras de apoio eterno; mas poucas famílias dão o passo seguinte. Poucas famílias dão o apoio necessário. Você receberá um crédito para provar que os remédios o mudarão por completo, mas não mudarão. Ao fim desse crédito, você continua igual - ou quase igual - e você fica devedor.
É você com você mesmo. Até por que é pesado, sacrificante; e muitas vezes frustrante. Ao contar para sua família que todos (ou a maioria) dos seus maus comportamentos tem origem biológica, seus parentes imaginam que com uma ou duas caixas de remédio você mudará da água para o vinho. Só que não! São pequeninos passos, pequenos e titubeantes; com retrocessos, quedas e repetições. A família não percebe as mudanças, às vezes, nem você percebe. E você e sua doença caem no descrédito.
Para não provocar uma cisão familiar o passo seguinte é o esquecimento; ninguém toca no assunto; ninguém te pergunta nada; e se você falar sobre, fazem aquela cara de paisagem e respondem com evasivas e muxoxos.
Prepare-se para contar à sua família; não brigue, não xingue, arme-se com seus testes, com sua paciência (que em geral é muito pequena), e até esse post, se você gostou e acha que pode ser útil. Mas prepare-se, nenhuma família está preparada para ouvir o que você vai contar. Ninguém quer ouvir, já se acostumaram com seu querido 'irresponsável' e ninguém sabe o que vai surgir depois do tratamento.
Mas, coragem; se é ruim com eles, sem eles é quase impossível.
Força; ao infinito e além!

domingo, 29 de junho de 2014

TDAH, POBREZINHO DESAJUSTADO...






Incrível como existem pessoas grosseiras e infelizes nesse mundo. Mesmo quando estão com a razão podem estragar tudo o que dizem com sua amargura, grosseria e preconceito. Recebi um comentário no meu último post cujo teor é aceitável até o ponto em que nos rotula de 'pobrezinhos desajustados'.
Esse rótulo infeliz denota preconceito, falta de educação, desconhecimento e ignorância de uma pessoa que escondeu-se confortavelmente no anonimato.
Concordo plenamente que nenhuma mulher (ou ser vivo) seja obrigado a aceitar ou suportar maus tratos, principalmente os físicos. Mas daí afirmar que nos 'escondemos' atrás do TDAH é uma agressão ignominiosa. Além da falta de caráter de esconder-se para vir num espaço dedicado ao debate franco e honesto, simplesmente para injetar seu veneno e sua estupidez, seu comentário só demonstra o atraso da medicina brasileira. Em qualquer país mais evoluído esse debate já foi ultrapassado sendo esses dinossauros do conhecimento já praticamente extintos e suas opiniões completamente desmoralizadas. Não aqui no Brasil. Aqui ainda existem pessoas mal intencionadas, ou simplesmente ignorantes, que se julgam no direito de tripudiar sobre o sentimento de outros seres humanos, simplesmente para defender suas ideias anacrônicas e nefastas.
Isto posto, vamos ao que presta desse infeliz comentário: não usei esse post ou o TDAH para justificar absolutamente nada; apenas relatei características existentes em grande parte dos portadores de TDAH.
Concordo com um outro comentário que credita esses ataques de fúria a outras doenças como bipolaridade, ou sei lá mais o quê. No meu caso, minha médica diagnosticou como Transtorno de humor. Mas andei pensando nisso, não acho que nossos ( ou meus) ataques de ira tenham a ver com as comorbidades (que claro, agravam todo o quadro) mas também com nossa absoluta incapacidade de lidar com pressões.
Aí entra o papel do parceiro(a). Ninguém é perfeito ou possui 'sangue de barata', mas o parceiro inteligente é aquele que não confronta o TDAH diretamente. Esse é o pior caminho, principalmente quando damos uma resposta impensada e imediata para um assunto que mereceria maior reflexão e análise. Se o(a) parceiro - não obrigatoriamente cônjuge, mas colega de trabalho e etc.- parar para analisar nosso comportamento, perceberá que damos uma resposta imediata, e muitas vezes agressiva, para muda-la mais adiante. Com um pouco de percepção e sensibilidade quem convive conosco observará que se deixar passar aquele momento, em breve estaremos aceitando argumentos e mudando nossas opiniões. Principalmente com a parceira, e aí falo por mim, é muito fácil conseguir as coisas, basta que seja com jeito. Confrontou, já era.
Só vim a perceber isso depois do diagnóstico.
Nesse último post tem um comentário de uma leitora que afirma que seu marido não mantém a palavra dada. Mas eu também não! Sou dado à bravatas no calor do momento que quase todo mundo que convive intimamente comigo sabe que não se realizarão. Mas podem se concretizar no calor do bate boca ou no momento da ira.
Acho que isso é inerente mais à nossa incapacidade de lidar com as pressões, de sentirmo-nos acuados, do que propriamente com um transtorno de humor. Desespero-me ao ver-me sem saída; ao notar que por mais que eu diga, a pessoa não me escuta; por mais que eu prove a pessoa não crê. Acusar-me injustamente é um fator desencadeador de um desespero que desaguará, fatalmente, numa explosão de ira.
Não estou justificando o injustificável. Apenas estou discutindo com cada um de vocês o que sentimos. Abro meu coração, minha alma, minha vida, para debatermos em alto nível os melhores caminhos para melhorarmos nossas vidas.
Mas, infelizmente, estamos sujeitos aos ataques dos boçais de plantão.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

MEU AMOR É TDAH! E AGORA?






Recebo sempre um monte de perguntas sobre qual a melhor maneira de se conviver com um portador de TDAH. A maioria, de namoradas em busca de um mapa da mina que as leve à paz celestial ao lado de uma pessoa que amam, mas que não entendem.
Vamos ao mapa da mina: se alguém tiver me mande, eu também não tenho.
Sempre digo a mesma coisa, ou quase:
A) Evite bater de frente com um TDAH. Na maioria dos casos não conseguimos discutir num nível elevado de educação e partimos para a ignorância; e quando começamos não temos limite. Ofendemos o 'oponente' até a oitava geração.
B) Não conseguimos conviver muito tempo sob pressão. Ou seja, até tentamos atender às exigências e pressões da pessoa amada mas, de repente explodimos. Imagine um cavalo dócil que, de repente, empina, corcoveia e atira seu cavaleiro ao chão. Sem nenhuma explicação aparente, apenas cansou daquela vida.
C) Tente respeitar os momentos de introspecção e silêncio de seu TDAH; normalmente estamos 'viajando' em nós mesmos. Apenas isso. Noutras vezes, podemos estar meio cabisbaixos, tristonhos, mas isso passa, em geral sem ajuda de ninguém.
D) O que gostamos, amamos; o que não gostamos, odiamos; simples assim. Tente respeitar isso, principalmente aquilo que odiamos. Uma ótima maneira de brigar com um TDAH é tentar obriga-lo a gostar do que odeia e vice versa.
E) Goste de emoções fortes; goste de andar de montanha russa, assim será sua vida.Não conseguimos viver linearmente, precisamos e procuramos emoções fortes e variadas. Isso pode ser através de sexo, esportes radicais, brigas conjugais, músicas, ou simplesmente mudar radicalmente de vida sem avisar à ninguém. Nem a nós mesmos.
F) Temos muitos medos, muitos mesmo. Podemos temer o futuro; podemos temer mudanças; podemos temer confrontos; podemos temer riscos. Mas caminhamos celeremente em direção a todas essas situações. Incoerência? Sim, bem vindo ao mundo TDAH. No capítulo confrontos, muitos de nós opta pela fuga, e deixa a namorada a ver navios desaparecendo por longos períodos, para um dia voltar como se nada tivesse acontecido, morrendo de saudades e amor.
G) Claro, somos complexados. Sofremos de forte sentimento de inferioridade. Dias hão que somos menos do que um pano de chão; esses são os dias bons. Os ruins, bem, nos ruins somos aquele caldo negro e nojento que sai do pano. 
Cuidado, frágil. Vá com calma, parecemos fortes e inexpugnáveis mas somos frágeis como cristal Bacarat. E valemos tanto quanto.
Por tudo o que disse você pode estar pronto pra fugir de seu TDAH amado, mas lembre-se: há algo em cada um de nós que não vai deixá-la fugir simplesmente. Já está enredada numa teia fina de amor, sedução, admiração, prazer, carinho e uma boa dose de surpresa sem a qual ninguém vive bem.
Não desanime, seu TDAH é complicado, volúvel, turrão, inconstante, mas acima de tudo é arrebatador!
 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

A CURA DO TDAH






Um dos maiores sonhos dos portadores de TDAH, ou o maior sonho, é a cura definitiva.
Infelizmente, cientificamente isso ainda não é possível.
Ainda que você se encharque de remédios, faça terapia, faça coaching, a cura ainda não está ao seu alcance. O que a medicina e a psicologia conseguiram foi melhorar a convivência com o TDAH.
Mas isso é o bastante?
Aí está a chave da 'cura'.
Se o que você almeja é ficar igual ao seu irmão, ao seu pai ou ao seu marido ou esposa, desista; ainda não chegará lá. Mas você quer mesmo chegar, ser igual a eles?
A melhor forma de cura é você aprender a conviver com você mesmo. Aprender a se conhecer. Aprender a se respeitar e respeitar sua doença.
Mergulhe em você mesmo, conheça-se minuciosamente.
Em quais situações você procrastina?
O que dispara aquele desânimo quase paralisante?
Em que momento do dia você é mais disperso?
O que te irrita ao ponto da explosão?
Procure motivar-se.
Recentemente fui promovido no trabalho, conheço-me o bastante para saber que, se eu bobear, tudo vai por água abaixo. O que fazer? Faço tudo na hora, não adio nada, não empurro nada com a barriga. Mesmo aquelas coisas que são desagradáveis. Por quê?  Por que quero provar a mim mesmo que posso - com meu TDAH e tudo - vencer onde algumas pessoas 'normais' fracassaram. Quero me provar que, aos 53 anos, tenho força e coragem pra mudar o curso de uma filial que vai mal, e consequentemente uma vida que parecia sem solução.
E estou conseguindo. Mas chego ao final do dia esgotado. O blog é uma das principais vítimas dessa cansaço; diminuí muito minha presença nesse espaço. Mas estou me surpreendendo positivamente diante do desafio que aceitei.
Hoje eu tinha de intervir no comportamento de um funcionário; coisa detestável de fazer. Me dispus a conversar com ele logo ao chegar na empresa. Não o fiz. Quando percebi que estava procrastinando uma atitude que eu não podia deixar passar, chamei-o imediatamente e falei o que deveria ser falado.
Aquilo me fez bem, me senti aliviado. Se não o fizesse, a cada vez que ele repetisse o comportamento inadequado eu me repreenderia, mas adiaria de novo. Assim, resolvi de uma vez só.
Passo meus dias lutando contra minhas características negativas, mas minhas características positivas estão fazendo minha filial reagir diante das outras unidades.
Ao contrário da maioria das doenças, o TDAH nos propicia características que, se bem exploradas, bem canalizadas, podem ser úteis para nossas vidas.
Nossa criatividade, nosso hiper foco, nossa inquietude, nossa capacidade de improvisar, nossa capacidade de fazer mil coisas ao mesmo tempo...
Somos únicos, para o bem e para o mal. Mas se bem 'administrados' sobressaímos no que nos propusermos a fazer.
Deixe de lado o sonho de cura, a vontade de ser igual aos trouxas; admire-se, explore-se, usufrua-se e descubra todo o potencial de trabalho, de estudo, de amor, de vida que há em você.
Você vai se surpreender.
E estará muito próximo de se sentir curado!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

O TDAH SEM NOÇÃO




Sempre imaginamos que a Ritalina ( ou qualquer outro medicamento) vai mudar nossas vidas, vai transformar-nos em dínamos de eficiência e perfeição. Mas existem várias facetas do TDAH em que os remédios não atuam.
Você tem noção de tempo? Eu não. Principalmente médio e longo prazo.
Sempre sou surpreendido pelas datas e eventos. De nada vale me convidar, ou agendar algo comigo com antecedência. Aliás, quanto mais antecedência pior.Trinta dias me parecem uma eternidade, algo tão longínquo... De repente, chegou! Fico louco.
- Meu Deus! Como já é o dia do evento?
Muita gente acha que é conversa fiada, afinal trinta dias são trinta dias aqui ou no Irã. Um mês. Mas a minha noção de tempo é diferente, acho distante, me mantenho relaxado e tranquilo. E os dias vão se esvaindo sem que eu perceba.
Depois de amanhã é o dia D, a data fatídica e inadiável. E eu nada fiz em relação a isso.
Avise-me em cima da hora e eu me manterei em alerta. Simples assim.
Mas não é apenas o tempo, o dinheiro é igual.
Ele tem o dom de acabar sem que eu perceba, de forma inesperada, sem um aviso sequer.
E ele acaba! Eu não sabia disso! Sempre achei que existia uma fada que repunha o dinheiro na minha conta. Mas não! Na verdade existem seres malignos que surrupiam lentamente pequenas somas de meu dinheiro, fazendo com que eu perca a conta.
E aí eu tiro um extrato. Claro que só tiro o extrato quando o saldo está nas últimas.
E num passe de mágica, todas as despesas ali relacionadas foram feitas por mim!
Isso é um absurdo!
Deveria existir muito mais dinheiro nessa conta!
Mas não há!
Os bancos são mestres em hipnotizar a gente para que acreditemos que fomos nós mesmos que usamos aquele dinheiro.
Dia desses quase tive um infarto; surgiu diante de mim uma despesa que eu não havia feito. E uma despesa alta, significativa. Claro, pensei na hora, clonaram meu cartão. Até senti um certo alívio. O banco vai repor o meu dinheiro.
Conferi de novo; função débito com a data da véspera. Eu tinha encontrado a razão dos meus sobressaltos, alguém vinha clonando meu cartão.
Qual o quê! Um raio caiu sobre mim iluminando minha mente: EU HAVIA PAGO UMA CONTA NA VÉSPERA, EXATAMENTE NAQUELE VALOR!
Fiquei mortalmente ferido. Eu não podia responsabilizar a ninguém.
Saí do banco esbravejando  e amaldiçoando meu salário, minhas despesas e a mim mesmo. E claro, ao TDAH, que nessa hora é ótimo ter algo para empurrar a responsabilidade.
De novo surpreendido pela absoluta falta de noção!
Até quando?

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O TDAH, A PERFEIÇÃO E O PERFECCIONISMO







Alguns dias atrás escrevi um post sobre a perfeição. Nele eu dizia que nós TDAHs não deveríamos almejar ou não almejamos a perfeição, mas sim o suficiente ou o razoável.
Não queremos a perfeição, queremos apenas concluir o necessário; eu disse naquele post.
Num dos comentários, um atento leitor chamou minha atenção para um post meu de maio do ano passado. Nele eu abordei o perfeccionismo. Aparentemente eu dizia o oposto do que disse acima. Mas não!
Quando eu abordei a questão do perfeccionismo, eu chamei a atenção para uma auto sabotagem em nossas tarefas, nossos sonhos. Para exemplificar: eu amo escrever. Tenho vários esboços de livros, para adultos e crianças. Um livro de contos inteiro; e um esboço, ou um rascunho de um romance que é minha grande paixão. Pois é, o perfeccionismo do TDAH entra aqui. Esse livro jamais estará pronto, nunca atingirá o ponto de me satisfazer por que eu sonho em ser prêmio Nobel de literatura; e não apenas escrever um livro. Eu quero ser um Gabriel Garcia Marquez e não o Alexandre Caldas Schubert, escritor iniciante.
Morro de medo de expor-me à crítica e ser mal recebido. Só publicarei o dia que estiver perfeito.Por causa desse comportamento, eu não saio do imobilismo para concluí-lo e muito menos tentar publicá-lo.
Assim é o perfeccionismo do TDAH. Não queremos ser perfeitos em nossos comportamentos, mas cobramos de nós mesmos a mais absoluta perfeição em tarefas que, de antemão, sabemos que não serão perfeitas. Com isso nos boicotamos, pois desistimos antecipadamente já que nossa meta é inatingível.
No post mais recente, o que quero ressaltar, é que se conseguirmos cumprir boa parte de nossas tarefas diárias  já nos daremos por satisfeitos. A grande maioria de nós TDAHs, já abdicou daquele sonho de cumprir TODAS as suas tarefas rotineiras, e ao fim do dia ainda lembrar-se do aniversário do amigo, de comprar a ração do cachorro e ainda comprar o desodorante da pessoa amada, que notamos já estava acabando. Aí já é a perfeição, e essa nós nem sonhamos.
Assim carregamos em nossa mente essas duas situações; somos ambos. O que um sonha, o outro boicota.
Apenas não decepcionarmos aos que esperam algo da gente, e principalmente a nós mesmos, já está perfeito!
Espero ter esclarecido a diferença dos comportamentos. Se ainda não estiver claro, alertem-me; tentarei explicar melhor, para que fique perfeito.