quarta-feira, 26 de julho de 2017

TDAH POBRE COITADO





Basta uma situação um pouco mais complicada, basta um pouco mais de pressão e o padrão mental se repete:
_ E se eu, no auge dessa pressão a que estou submetido, tivesse um infarto ou um AVC? Seria perfeito, todos os problemas cessariam...
Quem de nós jamais se fez de vítima que atire a primeira pedra.
Não digo que externamos essa vontade, mas no fundo, lá no fundo, flertamos com a tragédia que mude o rumo de nossas vidas; e claro, nos tire o peso da vida dos ombros.
Mas você que me lê vai dizer:
_ Ora, mas isso é infantilidade!
Claro que é. Mas essa é uma das características do TDAH: a imaturidade!
Estamos sempre sonhando com soluções mágicas; desde um acontecimento fortuito que nos dê dinheiro, sucesso ou juízo, até um fato trágico que nos livre de arcar com as consequências de alguma besteira que tenhamos feito. Vestimos com perfeição o uniforme do pobre coitado. Aquele cujas vicissitudes iniciaram-se ainda na concepção; e nascemos TDAHs. Daí para frente fomos 'perseguidos' pela vida.
Ahhh, a tragédia libertadora! Uma doença, um atropelamento, um incidente qualquer resolveria nossos problemas. Mas claro, sem morte ou dano físico permanente. Apenas o suficiente para que ao passarmos na rua, um conhecido diga ao outro:
_ Bom sujeito, mas coitado, a vida lhe foi tão ingrata...
Seria o céu! A solução mágica com que sonhávamos.
Mas veja bem, a magia não está apenas na solução da nossa situação, mas também em manter-se em padrões de sofrimento e incapacidade que não nos acarrete dor excessiva ou demasiado longa.
Claro que esses pensamentos são de curta duração e nenhuma consequência. Sabemos, do alto de nossa imaturidade, que esses são pensamentos escapistas e absolutamente inexequíveis.
E seguimos a vida!
E continuamos aos trambolhões, de derrapagem em derrapagem, de sonho em sonho...
Se nos enrolamos financeiramente... Se agimos impulsivamente... Se falamos o que não devia...
Tentamos solucionar, não conseguimos; a situação se complica... Vem uma espécie de paralisia, de torpor... Muitos de nós fica absorto, de olhos fixos no nada... E a cabeça é imediatamente assaltada por esses pensamentos... Por um, dois, três minutos aquilo nos parece a melhor solução. Mas passa. Sacudimos a cabeça e vamos para a solução... Se ainda tiver solução.
Se não tiver... Bem... Já tomamos tantas pancadas, já ouvimos tantas críticas, que mais algumas não farão muita diferença.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

TDAH INCONTROLÁVEL



Aos poucos a voz do palestrante vai desaparecendo e meus olhos apenas veem seus lábios se movimentando. Já não estou mais ali, pelo menos mentalmente. Começo a imaginar esse post enquanto assisto a uma palestra. Ocasionalmente volto e ouço fragmentos do que ele diz, suas próprias palavras tem o dom de me despertar a mente para outros assuntos.
E sigo divagando... Lembro-me de que sempre assisti TV fazendo outra coisa; antigamente lia jornal ou revista; hoje faço o mesmo através do celular. Mesmo quando assisto aos jogos do meu Botafogo, não consigo ficar ali, focado os noventa minutos. Assisto ao jogo, mudo de canal e consulto o celular o tempo todo.
Quase não assisto a filmes; prefiro séries. Mas não tipo minisséries que um episódio depende do outro; essas eu nem começo pois vou me esquecer de acompanhar e perderei meu tempo e o fio da meada. Gosto das séries em que cada episódio tem começo, meio e fim. Assim meu comprometimento tem apenas trinta, quarenta minutos. Cinema então... com meia hora começo a consultar as horas. Assisto, mas mudo milhares de vezes de posição na poltrona, consulto as horas cinquenta vezes e desgarro mentalmente  incontáveis vezes.
Como controlar os pensamentos? Ritalina ajuda; mas ainda assim deixa entreaberta a porta do guarda roupas que nos leva a Nárnia. Mas é melhor do que ficar sem nada. Aumenta o foco, diminui a dispersão, mas apaziguar a mente não apazigua.
Sinto diversos pequenos incômodos físicos que me fazem mudar de posição na cadeira, mudar a posição dos braços, das mãos, dos pés... Observo as pessoas à minha volta, suas roupas, seus semblantes, seu interesse nas palavras ditas diante de nós.
Volto ao palestrante. Por incrível que pareça interesso-me pelo assunto. Acompanho suas palavras durante vários minutos... Lembrei-me de minha infância quando eu ia brincar na rua e só voltava noite alta. Minha mãe zangava comigo perguntando se eu não havia visto que era noite, que a lua já estava no céu. Eu não tinha visto. Estava tão absorto nas brincadeiras que não percebera.
E o palestrante continua falando. Essa parte eu gosto e concordo com ele.
Olho de soslaio para o relógio na parede e vejo que ainda restam uns quinze minutos de palestra.
O primeiro tempo do jogo do Botafogo deveria estar no fim. Quanto estaria o placar? Quem nosso técnico mandou a campo? Teríamos novas contratações de jogadores?
Ele agora falou de algo que discordo, mas não posso dar minha opinião ou fazer qualquer pergunta. Ali não é hora ou lugar para isso. Penso que gosto muito mais das palestras onde se abre o debate, onde existe a possibilidade de perguntar ao palestrante. A coisa fica mais dinâmica, interessante...
Todos riem à minha volta. Alguém próximo fez um comentário engraçado, até o palestrante riu. Eu não ouvi o que a pessoa disse...
Eu deveria ter escrito este post imediatamente ao sair da palestra, não o fiz e agora está difícil me lembrar do que havia imaginado para escrever. De segunda até hoje um caudaloso rio de pensamentos e sentimentos percorreram minha mente. Mas a sensação de que me lembraria do que escrevi mentalmente durante a palestra de segunda feira, me acompanhou a semana inteira; nada mais típico do TDAH do que isso: apostarmos de que não esqueceremos mesmo sendo portadores de um transtorno que afeta diretamente nossa memória.
Eu preciso parar de apostar na minha memória; mas às vezes me esqueço disso.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

TDAH DE CABEÇA ERGUIDA









Volta e meia surgem comentários no blog contra a existência ou contra a necessidade do tratamento do TDAH.
Respeito a todos e não apago nenhum desses comentários, respondo-os e deixo muito clara a minha opinião. Hoje recebi um comentário sobre minha resposta num post anterior; nela o Anônimo dizia que o importante era viver a vida. Depois de 47 anos de sofrimentos descobriu-se TDAH e agora vive a vida de cabeça erguida.
Essa é a questão; de cabeça erguida!
Ser TDAH não desmerece ninguém, não condena ninguém, não diminui ninguém. Só torna nossa vida mais difícil e complicada. Em absoluto me envergonho de ser TDAH; se me envergonhasse não assinaria meu próprio nome nesse blog e muito menos contaria as mazelas da minha vida para milhares e milhares de pessoas. Não; muito pelo contrário, acho que ser TDAH valoriza a minha vida, minhas conquistas e minha trajetória. Supero as barreiras que todos enfrentam e mais aquelas que o meu TDAH me impõe.
Noutros comentários, as pessoas dizem que não aceitam serem rotuladas. Médico é um rótulo, advogado outro, cardíaco e diabético também, assim como rico, bonito ou simpático. Somos rotulados em tudo; o tempo todo. Não sou cientista para dizer o que vou afirmar, mas na minha opinião, se existem milhares de pessoas em todo o mundo que compartilham de sintomas semelhantes, que respondem de maneira semelhantes ao mesmo tratamento, por que temos um rótulo e não um transtorno ou uma doença?
Para mim ser TDAH foi um alívio, uma descoberta redentora. Quando me descobri portador atravessava um momento terrível da minha vida, me questionava como ser humano; meu caráter... O diagnóstico foi uma porta para me perdoar e entender os maiores erros da minha vida. E por incrível que possa parecer, graças a esse diagnóstico passei a escrever esse blog, escrevi histórias infantis, publiquei meu primeiro livro - AS AVENTURAS DE PANDY - O PANDA HIPERATIVO - e passei a enxergar minha vida de uma maneira completamente diferente.
Sou TDAH e isso não me desabona; mas ao contrário de uma outra ala, não me orgulho de sê-lo. Não! O TDAH não me diminui, mas também não me deixa orgulhoso. Ser portador de TDAH é uma característica. E só!
Sigo de cabeça erguida reconstruindo a minha vida e acreditando que a pior solução é a do avestruz: enfiar a cabeça num buraco fingindo que o TDAH não existe.

terça-feira, 27 de junho de 2017

O TDAH COBRA A CONTA






Já escrevi, no mínimo, três posts sobre a necessidade de nos perdoarmos dos erros cometidos no passado. Em dezenas de outros posts menciono essa atitude como fundamental para um bom convívio com o TDAH. Mas tem momentos em que isso é muito difícil.
Meu primeiro registro na Carteira de Trabalho data de 01/03/1979. Exatamente, trinta e oito anos, três meses e vinte e três dias.
Nesse período o Brasil teve nove presidentes - um morto e dois depostos - seis moedas, retomou a democracia e as eleições diretas, ganhou duas copas do mundo, perdeu Ayrton Senna, Elis Regina, Gonzaguinha, Renato Russo, Cazuza... Perdemos o rumo e nossa identidade como povo;  conhecidos como uma população cordial, nos tornamos violentos e intolerantes. O mundo mudou demais em trinta e oito anos; foram quatro papas e infindáveis presidentes e primeiros ministros. Incontáveis guerras e conflitos, muitos deles em nome de Deus. Ou usando-o como desculpa. Tsunamis, vulcões, desastres aéreos... E o onze de setembro, a coisa mais absurda que já vi.
Confesso que cansei. Resolvi me aposentar. Não penso em parar de trabalhar, algo impossível para essa categoria no Brasil, mas mudar minha maneira de trabalhar. Trabalhar um pouco menos, sem o estresse de ter que trabalhar.


Eis que entro com meu pedido de aposentadoria e descubro que ainda tenho que trabalhar quase vinte anos mais para ter direito. Protesto, esperneio e o INSS descobre erros dele. A solução leva meses... Agora vai, tudo certo. Ainda faltam onze anos... Como assim? Novas escavações... Faltam sete... Isso foi ontem. Voltei para casa e fui vasculhar milhares de papéis que tenho do período de empresário. E levei um choque: entrei de sócio em uma empresa em janeiro de 2004, mas só formalizei essa alteração em julho de 2006. Ou seja, joguei fora dois anos e meio de tempo de serviço pois não recolhi o INSS como autônomo. Eu já tinha quarenta e quatro anos, não era uma criança imprevidente; era um homem de meia idade imprevidente. Imaginem como me senti ontem ao descobrir que fiz isso com minha própria vida. Perdi o chão, a vontade de seguir adiante. Pensei em virar andarilho, fazer pulseirinha de miçanga, sei lá... Qualquer coisa para desistir da vida formal e normal. Não pela aposentadoria, sou muito saudável e posso continuar trabalhando; mas pela auto sabotagem, pela auto imolação, pela absoluta irresponsabilidade com minha vida. Muitos desses hiatos não foram culpa minha; perdi o emprego em alguns casos...
 Mas nunca me preocupei com o futuro; jamais. Períodos grandes em que eu poderia ter recolhido como autônomo... Nada, vivia o presente. E só. E a conta chegou... E não estou conseguindo paga-la.
Claro, vou correr atrás de soluções, mas que se existirem, serão caras, lentas e difíceis. E a cada dia a mais perdido, vou exercitar minha capacidade de me auto perdoar, de transpor esse sentimento de raiva por mim... Até porque, não tenho como desvincular-me de minha vida e meu passado. E não muda em absolutamente nada o fato de eu não me perdoar. Eu vou superar! Mas que dói muito, dói...

sexta-feira, 16 de junho de 2017

TDAH: NINGUÉM MANDA EM MIM, NEM EU MESMO...

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A frase original e completa é : minha família já sabe, ninguém manda em mim. Nem eu mesma.
Essa frase dita por uma amiga é um primor de definição do TDAH. Ninguém manda em um TDAH. E não é por arrogância ou rebeldia, nada disso, apenas somos 'dirigidos' por nosso curto circuito cerebral. Podemos seguir as regras obedientemente por muito tempo. Mas um dia, sem nenhum aviso prévio, aquela regra que sempre aceitamos se torna uma afronta, um acinte. E não a obedecemos mais. Ainda que isso custe um emprego ou relacionamento. Nada impede a ruptura.
Nosso cérebro subverte nosso comportamento, nossas convicções e nossos sentimentos. De uma hora para outra. Falando assim os não TDAHs podem se assustar, mas estou levando a extremos. Em geral essas subverções são pequenas e se manifestam em comportamentos irritantes e inesperados para os parceiros não TDAHs. Claro que na maioria das vezes isso desagua em discussões e bate bocas.
Quando chega à ruptura, muitas das vezes o motivo detonador é irrisório ou desimportante. Um gesto, uma palavra, um comentário, um sorriso fora de hora... Qualquer coisa pode desencadear esse processo, com possibilidade de ser irreversível, doloroso e irreparável.
Quantas vezes nossa mente é assaltada por pensamentos que nos insuflam a agir, a seguir adiante, a responder, a contra atacar... E seguimos esses pensamentos que muitas vezes nos levam a ultrapassar os limites do aceitável. Ao seguirmos nossa mente nos transformamos em pessoas instáveis, inesperadas e surpreendentes. Nem todo mundo gosta ou suporta conviver com isso.
Por isso é tão importante o tratamento e o auto conhecimento. Ao tratar-se, essa enxurrada de pensamentos diminui e ao conhecer-se melhor você pode confrontar esses pensamentos e seleciona-los melhor, avaliando racionalmente o que é melhor para aquele momento da vida.
Mas nem sempre isso funciona, mesmo sob tratamento, e aí vale a frase completa da Anabella : minha família já sabe:  ninguém manda em mim, nem eu mesma.
É muito difícil conseguir o apoio e a cumplicidade da família no tratamento do TDAH adulto; é perfeição demais para a vida de um portador...


domingo, 21 de maio de 2017

O TDAH, TEMER E OS DESMEMORIADOS





Acompanhamos estarrecidos as novidades deploráveis da nossa política. Ninguém é inocente, ninguém é sério, ninguém tem o menor respeito pelo sofrimento de uma população, em sua enorme maioria, sofredora e indefesa.
Não sei o que mais me indigna: as delações ou as respostas dos acusados. As delações são bombásticas e gravíssimas, mas as respostas beiram o escárnio. Ou então estamos diante de uma epidemia de TDAH.
Talvez seja isso, o maior contingente de TDAHs não tratados do mundo!
Claro! Uma de nossas maiores características é justamente o esquecimento, mas um esquecimento tão grave, mas tão grave, que podemos denominar de um 'apagamento'. Não apenas esquecemos o fato, como todo o contexto em que ele ocorreu. Cria-se um hiato em nossa memória como se aquele momento jamais houvesse existido.
Isso cria momentos de enorme tensão e briga. Como já fui acusado de tentar enlouquecer a outra pessoa ao negar veementemente haver dito isso, ou aquilo, que afirmavam que eu dissera! Muitas vezes a pessoa se lembrava de onde estávamos, a roupa que eu usava... Mas eu negava; em minha cabeça aquele momento não existiu. Provavelmente, meu corpo estava ali e minha cabeça em Nárnia.
É o que acontece em Brasília. O sujeito recebe uma mala de dinheiro, mas estava pensando em outra coisa. Não se lembra daquele momento, por isso negam com tanta veemência. São todos TDAHs. Com certeza!
O presidente Michel Temer ainda apresenta uma característica adicional do TDAH: a imaturidade. Uma certa inocência. Ele achou que um cara que dirige uma empresa que fatura 170 bilhões (isso mesmo, bilhões) de reais foi ao Palácio Presidencial, às dez da noite, contar vantagem. Pregar mentirinha de que comprou juízes, procuradores e afins. Eu também acredito, presidente. Juro que acredito.
Ou então quem está certa é minha namorada que acha que quem tem culpa é a tia do cafezinho, que andou colocando algum alucinógeno na bebida dos políticos brasileiros.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

TDAH: ONDE ESTÃO MEUS SONHOS?






Quem se esconde sob as diversas camadas de TDAH?  
Ainda resta algo do adolescente sonhador? Ou foi sepultado pela vida e pelo transtorno? Onde mora o idealista que sonhava em fazer teatro popular?  
Quando criança, uns quatro ou cinco anos, eu tinha um sonho recorrente : estava deitado em um buraco e rolos de cobertor vinham me cobrindo a partir dos pés, paulatinamente, até me cobrirem a cabeça e eu acordar assustado. Precisei tomar remédio para dormir - um tal de Mogadon, se não me falha a memória - e interromper esses pesadelos. Se eu pudesse prever o futuro não tomaria esse remédio. Eu tinha sonhos premonitórios. Ou extremamente alegóricos com o futuro. Se trocarmos os cobertores pelas besteiras da vida, pelos erros que cometemos, temos uma alegoria tdahdiana para a vida. 
As atitudes impulsivas que desaguaram num casamento precoce e não planejado, a necessidade imediata de subsistência e a busca incessante de felicidade numa alma assolada pela insatisfação eterna do TDAH, soterraram os sonhos do escritor e teatrólogo, como me soterravam no sonho. O cara que mudaria a vida das pessoas pelo teatro, sucumbiu sob as camadas das opções impulsivas, do prazer imediato, da insatisfação inesgotável...  
Em alguns instantes da vida pude vislumbra-lo; mas jamais resgata-lo. Hoje, sei lá porque, me vi inteiro. Os sonhos intactos, a vida pela frente, um monte de coisas por fazer, vidas para revolucionar. Custei a me reconhecer nele.  
A paisagem corre do lado de fora, o tempo está cinzento e frio. O ar condicionado não precisava estar ligado. Preciso ir ao mecânico resolver o problema do meu carro. Ali perto tenho uma cliente de celulares excelente. Como essa mulher estraga iPhone, meu Deus! A Apple deve lançar em setembro o iPhone 8. Mais uma correria às lojas. Pessoas que necessitam de mostrar ao mundo seu sucesso material. Isso há vinte anos era inimaginável no Brasil. Era um fenômeno típico do americano. O brasileiro era mais influenciado pelo europeu, mais humanista, menos materialista. Hoje copiamos o pior dos americanos, o materialismo. E nada do respeito ao outro, à liberdade e à democracia típicas dos Estados Unidos.  
Assim me perdi dos meus sonhos.  
No TDAH um pensamento leva a outro, e a outro, e a outro, e a outro...  
E leva junto a nossa vida. E os nossos sonhos. E ficam tão distantes que quase não os reconhecemos quando os reencontramos.