sábado, 9 de julho de 2016

O TDAH SEM REMÉDIO









Sei que meu irmão TDAH Walter Nascimento vai me esculhambar, mas é possível viver sem remédio. Mesmo sendo TDAH. 
Duvida? Pois eu esse ano ainda não tomei Ritalina; nem remédio nenhum pro TDAH. E venho vivendo a vida com bastante qualidade. E com algumas conquistas muito significativas. Pra começar fui trabalhar com venda externa; algo que sempre odiei e fiz muito mal. Quantas vezes, em empregos anteriores, estive parado em frente a empresas de clientes e não entrei. Sempre odiei me expor, ouvir não... 
Mas agora, sabedor do meu TDAH, comecei a agir desde o primeiro dia; ao estacionar o carro diante do meu primeiro cliente, iniciei o mantra do meu trabalho: Eu posso fazer, sou maior que o TDAH. Pode parecer coisa de livro de auto ajuda, mas funcionou. O trabalho tornou-se leve como jamais foi. 
Somado a esse trabalho de tempo integral, mantenho-me na manutenção de celulares à noite, trabalhando até as 23 horas em algumas ocasiões. 
Bem, tenho esse blog, e mesmo escrevendo pouco, recebo um monte de emails, comentários, críticas e tudo o mais que ele acarreta e tenho que responder. 
Tenho mulher, filha, pai, mãe, irmãs, que sempre exigem presença e atenção.  
No meio de tudo isso, surgiu a oportunidade de lançar meu livro infantil sobre hiperatividade na bienal de São Paulo. Mas claro, um autor novo tem que bancar parte dos custos; e parti atrás de financiamento para edita-lo. Pois é, pra lançar um livro, é preciso escreve-lo. Já escrevi seis ou sete. São livros infantis, de poucas páginas, mas criei e escrevi. Isso toma tempo, ocupa a mente, desvia da atenção das coisas corriqueiras. 
E aí esses dias me peguei pensando em voltar a tomar Ritalina pois minha memória não andava legal. Esqueci algumas coisas que não deveria e aquilo me chateou por vários dias. Até que, sem querer, percebi o tanto de coisas que faço e me achei o máximo!  
Não tenho o direito de me criticar, muito pelo contrário; preciso louvar meu esforço e resultados. 
Mas o remédio é inútil? 
Jamais! O remédio ajuda muito, principalmente no início do tratamento. 
Mas depois de cinco anos tomando Ritalina diariamente comecei a questionar seus efeitos positivos. Tive a forte sensação de que seus efeitos eram muito pequenos. Ao longo do ano passado comecei a fazer interrupções de um mês e não senti nenhuma diferença entre com e sem remédio. 
O que uso hoje é um complexo vitamínico ( tipo CentrumLavitan) e me policio cotidianamente. 
Toda decisão que tomo; todo desejo que sinto; todo caminho que escolho é precedido por um auto exame. Esta escolha/caminho/decisão é fruto da uma escolha consciente ou é um dos sintomas do TDAH? Se reconheço o TDAH agindo naquele momento, volto atrás e refaço. Se não, sigo em frente. Algumas vezes opto por aceitar uma decisão proveniente do TDAH. Normalmente quando reconheço que suas consequências não serão danosas, deixo o TDAH agir. 
No mais, trabalho, sonho e vigília! 
Em breve estarei lançando AS AVENTURAS DE PANDY; O PANDA HIPERATIVO!!!!

segunda-feira, 27 de junho de 2016

O TDAH E A DOR DO PASSADO




O seu passado dói? 
O meu não.  
Duro dizer isso, mas é a verdade. 
As pessoas que passaram por minha vida, os lugares em que vivi, as empresas em que trabalhei, ocupam hoje um local nebuloso e distante em minha vida. Relembro- os sem dor ou emoção especial. Jamais volto num ex local de trabalhonuma ex casa... Apenas fizeram parte da minha vida. Obviamente, tenho consciência de que contribuíram para quem sou hojereconheço o que fizeram por mim, mas emocionalmente...
Não olho pra trás, apenas sigo adiante. 
Aqueles posts do Facebook alusivos ao passado:  Se você comeu isso ou aquilo; se você usou essa ou aquela roupa... Não me emocionam, são apenas curiosidades.  
Assim como não dói, o passado não serve como aprendizado. Repito n vezes o mesmo erro, sigo os mesmos caminhos que me levaram a lugar nenhum sem reconhece-los ou se os reconheço, sou incapaz de me lembrar de suas desastrosas consequências. 
Apenas sigo adiante... 
Não sei se isso é bom ou ruim, não conheço outra forma de ser para comparar. Essa é a minha forma de viver. Sob o jugo do TDAH. Ou sob a égide do TDAH. Dependendo do ponto de vista.  
Sou muito elogiado por ter superado as consequências de minha derrocada empresarial aparentemente sem máculas. Vaidosamente agradeço, mas na verdade creio que isso seja muito mais uma característica do TDAH do que mérito meu. O passado pouco me atinge, pouco me afeta, por consequência, o passado de sucesso empresarial e financeiro está lá, naquela vala comum, nebulosa e distante onde tudo do meu passado se encontra. Isso é bom, sigo a vida sem me abalar com o fracasso ou o declínio financeiro. Mas, por outro lado, creio que se montasse uma nova empresa cometeria os mesmos erros. 
O que não marca para o bem, não marca para o mal. É apenas o passado... 
Assim são os sentimentos; minhas mágoas mais profundas, meu ódios eternos, desvanecem com o tempo e acabam naquela vala nebulosa... 
Em algumas ocasiões eu me cobro sentir mais do que sinto; noutras até finjo que sinto mais do que o que efetivamente estou sentindo. 
Quando me deparo com pessoas saudosistas fico pensando se são melhores, ou vivem, melhor do que eu. Mas agarrar-se ao passado, viver olhando pelo retrovisor me parece doloroso. E inútil. Aquilo que passou, foi superado, foi vivido e não pode mais ser revivido. Não se pode mais reviver os sabores, os odores, os toques, os sons... Até por que, você já não será mais a mesma pessoa que viveu aquela primeira experiência. Relembrar? Talvez, mas sem fidelidade. Quem relembra, lembra através de seus filtros mentais, de suas experiências posteriores e, automaticamente, relembra da forma que melhor lhe parece. 
Enquanto eu; eu apenas sigo adiante... 
O mais curioso:  O meu sonho era ser professor de História! 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

UM TDAH SERIAL KILLER







Tenho que confessar: Sou um serial killer!!! 
Verdade, já matei inúmeras pessoas. E eu fico me perguntando se sou o único TDAH assassino em série. O único eu já sei que não sou; ontem uma amiga me chamou no WhatsApp para me contar seus pensamentos homicidas; descobri então que não sou o único. 
Aí resolvi pesquisar; existem outros TDAHs que já mataram mentalmente parentes, amigos e até desconhecidos? Se existirem, manifestem-se, por favor.
Mas não pensava: Vou matar essa pessoa! Não, de repente, em meio a uma conversa amena e despretensiosa, surgia diante dos meus olhos um flash onde me via assassinando meu interlocutor... 
Ou, quando estava num local cheio de gente, era tomado por um momento de fúria mental e acabava chacinando toda aquela turba que me cercava. 
Engraçado que essas imagens homicidas desapareceram da minha vida a alguns anos. Não sei quando nem porque. Só me lembrei disso nessa conversa com minha amiga. Veio-me à memória cenas nítidas que me preocuparam na época. Cheguei a temer que pudesse vir a cometer mesmo um crime. Mas jamais tive vontade de matar alguém. Jamais! 
São flashes de uma imaginação absurdamente fértil e descontrolada. Mais nada. 
E não paravam somente nessas cenas homicidas; 'previa' acidentes e tragédias. Nunca se concretizaram, acho; mas quantas vezes imaginei veículos na estrada capotando, atravessando a pista e se chocando com aqueles que vinham em sentido contrário. Já vi prédios desabando, encostas desmoronando e tsunamis destruindo cidades. 
Tipo Calvin e Haroldo. O moleque vai andando pela rua e a simples visão de um cachorro deitado desencadeia em sua mente uma luta de vida ou morte contra aquela 'fera' ali dormitando. 
Se você é TDAH e ainda não leu a tiras deles, não sabe o que está perdendo.  
Você vai se reconhecer em cada tirinha. 
Nunca combati isso diretamente, nem sei se tive consciência disso, talvez o tratamento tenha domado esse devaneio estranho, o que sei é que acabou. E é bom que tenha acabado, ainda que fosse inofensivo, é desagradável ver-me matando pessoas que gosto. E mesmo as desconhecidas não merecem esse triste fim. 
Confesso que algumas pessoas até acho que mereceriam, mas isso é outra conversa... 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

O TDAH E O SUCESSO MATERIAL




                                                  Foto em homenagem ao Reinaldo Fisher que inspirou
                                                  esse post.


Os sonhos que sonhamos, são nossos sonhos ou sonhamos o que nos foi imposto? 
Ou pior, a vida que vivemos é para dar prazer a quem? A nós mesmos ou a quem a programou ou sonhou por nós?  
Aquela corrida sem fim pelo melhor carro, a melhor casa, o cargo mais alto, é nossa meta ou foi implantada por nossas famílias, amigos ou pela sociedade? 
Aguentaremos a pressão? 
E aí surge um amigo TDAH que desistiu da corrida. Que desistiu dessa espiral infinita para assumir que quer outra vida, outros valores, outras pessoas. 
Fantástico! Reinaldo chegou a um tal ponto de auto conhecimento que reconheceu a insanidade da vida que vinha levando e aquietou sua mente, sua alma, seu coração com essa decisão. 
Conformou-se? 
Cedeu às suas limitações? 
Acovardou-se? 
Nada mais falso! Nada mais errado! Reinaldo optou por viver seus sonhos, deu as costas ao que os outros queriam pra sua vida. E se encontrou. E isso exige coragem pra romper com os modelos padronizados. 
Sua nova postura mais simples, sem falsas tentativas de impressionar aos outros atraiu pessoas mais interessantes, até garotas mais interessantes . 
Somos diferentes, e por isso, dificilmente conseguiremos os mesmos resultados dos outros.  
Olhemos pra dentro de nós mesmos indagando: 
-De quem são as expectativas que queremos atender? 
Em noventa e nove por cento dos casos será a dos outros.  
Claro, muitos de nós podem preencher esse papel, e devem manter-se nessa corrida. Mas para a maioria de nós TDAHs, essa cobrança por sucesso material é pesadíssima e precisamos da força do Reinaldo para parar e repensar sua vida e seus valores. 
Não será fácil, com certeza. Fomos programados para obedecer aos pais, a vestir seus manequins, a atender suas expectativas. Quebrar esse ciclo é sempre difícil e doloroso. Mas sempre será menos doloroso do que uma vida inteira de frustrações e derrotas. Pensemos  friamente: em virtude de nossas características vamos decepciona-los, quase sempre, ao não atendermos as tais expectativas de sucesso. Se vamos decepciona-los com nossas tentativas infrutíferas, então chutemos o pau da barraca e vivamos o que guardamos lá no fundinho de nossa alma. Aquilo que está tão escondido que, muitas vezes, teremos dificuldade de lembrar. Precisaremos de um exercício de auto conhecimento para resgatar esse tesouro perdido. 
Sigamos nossos corações; nossa intuição.
Não podemos nos iludir , nem sempre dará certo, nem sempre será perfeito. Mas sempre valerá a pena. Valerá porque tentamos; valerá porque nos respeitamos; valerá porque viver plenamente sempre vale à pena.