domingo, 31 de maio de 2020

TDAH, ENFRENTE-SE OU NÃO MUDARÁ JAMAIS!






Onde quer que se reúnam mais de dois TDAHs
o tema é sempre o mesmo: os erros recorrentes,
as falhas intermináveis...
Indefectível também o tom lamuriento, como um reféma bsolutamente à mercê de seu carrasco. Nos gruposd e TDAH das redes sociais é comum alguém postar possuir um dos sintomas do transtorno e receber de volta dezenas, centenas de comentários no mesmo tom de lamúria e desânimo.
Confesso que perdi um pouco o interesse por esses grupos, até mesmo pelo TDAH, doença incurável que é.
Cansei de me bater contra uma Rocha intransponível, um monolito do mais puro granito que eu sequer consegui inflingir um sofrimento, uma dor. Pedra não sofre, pedra não sente dor. Assim como o TDAH. O TDAH não existe.
TDAH é uma sigla. Nada mais. Passamos a tratá-lo com se existisse; como uma entidade, quase como um amigo. E tentamos enfrentar o TDAH.
E perdemos. Perdemos como perdeu Dom Quixote ao se defrontar com os moinhos de vento.
Estamos enfrentando o inimigo errado!
O TDAH não existe!
TDAH é uma sigla criada por médicos para definir comportamentos que se repetem em um determinado grupo de seres humanos; eu,
você, ele, ela...
Precisamos mudar de foco. Precisamos nos concentrar no verdadeiro inimigo: nós mesmos. Precisamos enfrentar todos os comportamentos que nos são prejudiciais, nos fazem sofrer,
nos ridicularizam. Não temos graça, somos risíveis. E isso não tema menor graça.
A maioria dirá: se fosse fácil ninguém teria TDAH. E tem razão.
Enfrentarmos a nós mesmos é dificílimo. Mas muito mais difícil é viver à mercê dos sintomas do TDAH. Essa vida mal vivida, essa vida farsesca, quase burlesca.
O fundamental é prestar atenção a si mesmo: está diante de um problema? Pense nos caminhos a seguir e compare-os aos sintomas do TDAH, se sua escolha fizer parte dos sintomas
do TDAH, abandone-a. Se em meio a uma discussão banal você for tomado de um ódio súbito e inexplicável, lembre-se de que
isso é o TDAH. Abandone a discussão ou o ambiente, respire, beba água, vá ao banheiro, mas não perca o foco de que toda essa raiva súbita é do transtorno, não sua. Se seu dia caminha
dentro da normalidade e do nada surge uma tristeza profunda, um desânimo enorme que pesa os músculos e derrota a alma, pare e reflita sobre o que te deixou nesse estado; se foi fruto de um
erro bobo no trabalho ou estudo, ou mesmo se surgiu sem nenhum gatilho específico está na hora de agir. Assim como os outros exemplos você está sofrendo de um sintoma típico
do TDAH; combata-o. Lembre-se de que está sob um sentimento artificial, desproporcional. E como num milagre sua tristeza se dissipará.
Tudo isso parece idiota, mas funciona. Eu era assaltado por esses ataques de fúria, quase não os tenho hoje em dia. Os episódios de tristeza paralisante também desapareceram.
Claro, as decisões, as escolhas, são mais complicadas pois muitas das vezes definem o futuro. Mas as tomo com muito mais confiança e tranquilidade. Mesmo que não tenha o resultado esperado tenho a tranquilidade de saber
que agi da maneira mais correta possível.
Muitas vezes cedi à tentação de optar pelo caminho apontadop elo TDAH; o que parecia impulsividade, o que parecia procrastinação, o que parecia a opção do imediato em troca
do benefício futuro. Mas quando cedi ao TDAH cedi com consciência, cedi por acreditar estar fazendo o que queria, e não tenho mais desculpa ou direito de responsabilizar oTDAH.
Pode parecer pesado, mas é libertador.