quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A RITALINA FAZ MILAGRES?

Este post não é patrocinado e nem se trata de propaganda. Narro aqui apenas minha experiência como usuário do produto. Todo tratamento medicamentoso requer acompanhamento médico.

                                    



NÃO!!!!
E isso, em princípio, me causou uma profunda decepção.
Quando iniciei meu tratamento, esperava que lá pela terceira cápsula minha vida tivesse mudado (mais TDAH impossível, né).
Imaginei que iria lembrar-me de tudo, ia parar de procrastinar, meu humor se estabilizaria no lado A, minha instabilidade afetiva iria, enfim, acabar. Ao fim da primeira caixa, sonhava eu, abandonaria os prazeres efêmeros, seria mais maduro emocionalmente, ganharia persistência e menos horror às limitações.
Arrggghhh! Qual nada! Estou no terceiro tubo e enfrento os mesmos problemas.
Logo me veio uma desconfiança à respeito do medicamento; depois da dosagem; por fim, algumas dúvidas me surgiram à respeito da existência do TDAH.

Quem acompanha meu blog deve ter notado um pessimismo nos posts, um intervalo maior entre um e outro.
Andava meio desconfiado do resultado.
Na terça-feira, dia primeiro, tive minha segunda seção de coaching e discutimos vários aspectos do tratamento e, claro, esse comportamento de desconfiança com o medicamento.
Nenhum remédio muda comportamento. A Ritalina melhora minha memória (notavelmente) aumenta minha disposição (ajuda a quebrar a inércia) ao melhorar o 'tráfego' do meu cerébro. Comportamento arraigados e cultivados ao longo dos últimos 50 anos, vou ter de mudar. E aí entra o suporte do coaching. Por ser apenas a minha segunda seção eu ficava imaginado como seria esse negócio. E foi surpreendente. É tudo focado em meu auto-conhecimento. Não vi até aqui nenhuma fórmula pronta, nenhum esquema milagroso que irá me mudar do dia para a noite. Discutimos muito meus comportamentos, meus sentimentos e, em cima disso, vamos (re) montando minha vida.
Não é fácil para quem sofre de TDAH esperar por esse resultado. Imaginar que possa surgir lentamente, fruto de um trabalho paciente e persistente. Mas a sessão de coaching é uma superdosagem de Ritalina. Saí de lá com outro ânimo, uma nova perspectiva, uma visão mais positiva. Inclusive da Ritalina.
Voltando ao título, quando iniciei o tratamento temia os efeitos colaterais. Um remédio de tarja preta, Deus do céu, deve ser o fim. Confesso que não li a bula com medo do que iria encontrar ali. A bem da verdade, quem já viu uma bula de Ritalina já imaginou que EU jamais a leria, mesmo que quisesse. Tirei-a da caixa e joguei-a no lixo. 'Não caia em tentação, Alexandre.' Olha, não sinto nada. Mas nada, mesmo. Nenhuma reação adversa. Nenhuma.
Ontem, estive maquinando sobre a minha vida nos últimos sessenta dias. Deixei muito a desejar, em relação aos meus sonhos. mas quanta coisa consegui fazer e resolver nesse período que estava encroada há meses? Sem a ' Rita Li' eu jamais teria feito. Decisões e ações que exigem iniciativa, vontade, ânimo.
Coisas que há muito não faziam parte da minha vida.