segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

PRA QUE TRATAR O TDAH?







O mundo sou eu.
É minha percepção da realidade.
É o meu sentimento.
É minha dor ou o meu gozo.
Só existe a brisa ou o sol onde estou.
O negro da noite ou o brilho da lua, só existem em meus olhos.
Sem mim não existe o mundo em que vivo, que eu sinto, que eu enxergo.
Se o mundo sou eu, posso mudá-lo, alterá-lo, manipulá-lo, para o bem ou para o mal.
Tratar o TDAH é apossar-me dos pincéis e tintas que colorem meu mundo e assumir o poder de alterá-las.  Ao tratar-me, a vida assume novas cores, as imagens ficam mais nítidas, posso reconhecer novas nuances, muito além dos cinquenta tons de negro que compõem , em geral, a vida de um TDAH.
A vida de ninguém é fácil, a nossa, portadores de TDAH, muito menos.
Mas, temos uma vantagem sobre os não portadores: a possibilidade de tratamento.
Precisamos assumir o controle de nossas vidas, a tela inacabada está diante de nós, o resultado final depende da nossa criatividade, da nossa imaginação e, principalmente, da nossa vontade de mudar nossas vidas.
O ano novo chegou e ele será exatamente o que fizermos dele.
Mexamo-nos, vamos encher a tela de nossas vidas com novas luzes e cores.
FELIZ TRATAMENTO NOVO EM 2013!

CALA A BOCA, TDAH !









Saber calar-se é um dom dos sábios.
Para um portador de TDAH, calar-se é quase um milagre.
Imagine a dor que é o silêncio para um TDAH em fúria.
Já disse anteriormente que sou dono de uma personalidade sarcástica e de um vocabulário vastíssimo, essa soma é nitroglicerina pura. As palavras saem aos borbotões e crescem em agressividade, alimentadas por sua própria virulência.
E não fica apenas nisso, essa inesgotável torrente de palavras se materializa também por escrito. Maldita a hora em que inventaram as mensagens por celular. Em momentos de raiva e de dor escrevo livros inteiros por SMS.
Ironicamente, se não sei me calar, quando consigo, calo-me na hora errada. Ao calar-me inoportunamente acabo parecendo omisso, ou sou omisso mesmo, e isto é quase tão ruim quanto a verborragia descontrolada.
Arrependo-me quase instantaneamente do que disse, e em vão tento consertar. Mas em geral, o mal está feito.
Tenho lutado arduamente para não destruir o pouco que, a um custo hercúleo, consegui erguer. Mas está difícil. A vida tem me colocado em teste e quando paro para analisar minha realidade atual, acabo sendo condescendente comigo mesmo.
Mas mesmo sob enorme pressão, tenho de internalizar que não posso agredir verbalmente a quem eu amo e que me ama. Preciso aprender a calar-me, sob pena de estar sempre só, como agora.
Tenho de reunir, sei lá de onde, forças para calar-me e equilíbrio para entender quando falar.
Agora isso parece impossível, mas tanta coisa me parecia impossível e eu consegui superar.
Aprendizagem em cima de aprendizagem, esta tem sido minha vida atualmente.
Confesso que tem hora que um enorme cansaço me invade, e me dá uma gigantesca vontade de gritar contra Deus e o mundo.
Aí eu me lembro,eu sou o único responsável por minha vida e me calo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

TDAH, A DOR DA INSATISFAÇÃO


Mais forte que o amor.
Mais forte que a lógica.
Mais forte que os filhos.
Mais forte que o sucesso.
Mais forte que a felicidade.
Mais forte que a glória.
Mais forte que a descrença.
Mais forte que Deus.
Mais forte que o corpo.
Mais forte que a alma.
A insatisfação germina em nossa alma.
Toda a força destruidora do TDAH está nela.
Ela é a impulsividade.
Ela é a fúria.
Ela é o isolamento.
Ela é a variação de humor.
Ela é a desatenção.
Ela é a dor suprema de ser TDAH.
Só a mudança aquieta.
Só a mudança acalma.
Só a mudança estabiliza.
Só a mudança entorpece.
Mas o tempo a faz germinar.
E um dia ela retorna.
O novo, que foi novo, envelheceu.
O desafio de outrora foi superado, ou nos venceu.
O caminho novo, agora sabemos de cor.
E ela volta.
A força renovada.
Agita nossa alma.
Agita nossos sonhos.
Agita nossa monótona felicidade.
E então,
atiramo-nos, novamente, no abismo.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

TDAH


Procrastinação
Impulsividade
Irritabilidade
Variação de humor
Falta de memória
Tendência à solidão
Medo
Sentimento de inferioridade
Pensamento tortuoso
Falta de humildade
Nada me impedirá
Não vou deixar passar
Não vai ser minha descrença que vai me impedir
Nem meu TDAH vai me atrapalhar
Eu quero simplesmente agradecer
Dizer muito obrigado
E pra dizer que sem você minha vida seria muito mais difícil.
Obrigado por dividir o peso comigo
Obrigado por ouvir minhas lamúrias
Obrigado por me fazer uma pessoa melhor
Obrigado por passarmos o Natal juntos

MUITO OBRIGADO, EU TENHO VOCÊ AO MEU LADO!

FELIZ NATAL !!!!!!!!!!


sábado, 22 de dezembro de 2012

O TDAH E A LINEARIDADE DE PENSAMENTOS





Tenho muita dificuldade em acreditar em um TDA sem H. A hiperatividade é, normalmente, associada a um moleque desesperado, agitado, sem educação e sem limites. Mas e nossa atividade cerebral? Os pensamentos que nos invadem, que se atropelam, emendando um no outro e terminando muito longe de onde tínhamos inciado?
No meu caso, a hiperatividade na infância foi física mesmo. Lembrei-me ontem de uma vez, eu deveria ter uns cinco ou seis anos, e fui ao parque de diversões pela primeira vez.Quase enlouqueci meus pais pois saltava de um brinquedo pra outro e não queria ir embora. Pra sair dali fui literalmente arrastado, sendo seguro pelos braços pela minha mãe e pelas pernas pelo meu pai, enquanto corcoveava feito um possesso. Essa é minha doce lembrança de um parque de diversões. Apesar dessa experiência inesquecível, quando fechei a loja de tintas cogitei em montar um micro parque de diversões itinerante. Seriam duas ou três atrações no máximo, com as quais eu percorreria cidades do interior do Brasil. Fiquei tão empolgado que comprei seis botes motorizados com uma piscina de plástico, desse tipo que tem em shopping onde as crianças pilotam seus barquinhos. Graças a Deus o cartão de crédito não foi aprovado e o negócio acabou morrendo. Santo cartão de crédito! Engraçado como as pessoas jogam com a vida. Ontem veio um cara aqui na loja me oferecendo um Nokia Lumia 710. Ele comprou no cartão do Magazine Luiza por mil cento e oitenta reais e veio me oferecer por quinhentos reais. Com nota fiscal, caixinha, garantia estendida e tudo. Disse que iria pagar todas as prestações mas eu não acredito. Imagino que ele vai dar o cano no Magazine Luiza ou no cartão de crédito. Uma vez a Cristina, no tempo da loja de tintas, foi cobrar uma mulher que havia nos dado um cheque sem fundos; ao confrontá-la, ouviu da caloteira a seguinte resposta: uai, o Jeferson não pagou? Eu vendi meu nome pra ele em troca de duas cestas básicas por mês. Ele vinha pagando todo mundo, a senhora é a primeira que vem reclamar. Isso é Brasil. Nosso país é único no mundo. Jamais teríamos uma revolução comunista aqui, as pessoas possuem uma criatividade ilimitada para burlar e trapacear. Quando eu tinha distribuidora de doces, lá se vão uns vinte e cinco anos, apareceu um sujeito fortão e me comprou dez quilos de balas. Naquela época, numa cidade pequena, era um volume considerável. Uns três dias depois ele voltou e comprou mais dez quilos, dois dias depois mais cinco. Aí não resisti e perguntei: onde você tem bar, que vende tanta bala? A resposta dele foi sensacional: tenho bar não moço, sou sócio de aleijado. Fiquei perplexo e ele me explicou: eu empurro a cadeira de rodas do aleijado, ajudo em sua locomoção e em troca rachamos o lucro da venda de balas no sinal de trânsito. Um saco de balas vinha, em média 250 balas, eles fracionavam em pacotes com dez. Um único pacote pagava todo o quilo, o resto era lucro.E, lembro-me bem; ele falou que todo mundo tinha pena do aleijado e, em geral, não cobravam alimentação ou estadia dele, somente do sócio. Imagina se num país com essa criatividade alguém iria topar fazer uma revolução socialista? Que me perdoem as pessoas com necessidades especiais, mas o termo aleijado foi usado pelo próprio rapaz. Naquela época não havia essa consciência de se respeitar a condição das pessoas, daí o uso do termo que pode soar agressivo.
Mas onde estava mesmo? Ahhhhhh, na hiperatividade mental.
Acho que vou parar por aqui. Já estou meio cansado...
Esse negócio de hiperatividade mental talvez seja um exagero mesmo...



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

CONDENADO PELO TDAH













Estou condenado pelo TDAH.
TDAH é incurável.
TDAH é uma doença mental.
TDAH é vergonhoso.
O que eu faço agora?
Minha vontade é não fazer nada.
Aquietar-me, deixar o tempo passar.
A vida passa; aos trancos e barrancos eu chego ao fim.
Chegarei ferido; com um monte de feridos ao meu redor.
Mas chegarei ao fim.
Chegarei com a sensação de frustração, de incompletude.
Mas chegarei.
Vários casamentos.
Vários projetos inconclusos.
Várias decepções em várias áreas da vida.
Mas chegarei.
E aí eu me perguntarei: valeu a pena?
Mas posso levantar a cabeça.
Posso enfrentar os preconceitos.
Posso me tratar.
Como chegarei?
Não sei.
Melhor com certeza.
Cometerei erros, mas quem não os comete?
Magoarei pessoas, mas quantas já me magoaram?
Repetirei falhas anteriores, mas todos podem fazê-lo.
Mas chegarei.
E aí eu me perguntarei: valeu a pena?
E eu poderei me responder: valeu!
Eu tentei. Eu lutei. Eu não me entreguei.
Não aceitei a condenação pelo TDAH.
Muito pelo contrário; graças ao TDAH você está lendo esse blog agora.
Graças ao TDAH dei meu depoimento a centenas de pessoas em Juiz de Fora, Viçosa e Belo Horizonte dividindo a minha história, minhas derrotas e vitórias;
graças ao TDAH conheci centenas de pessoas ao redor do mundo que sofrem com o transtorno; graças
ao TDAH pude ajudar dezenas de pessoas que estavam angustiadas e sem rumo.
Levante a cabeça, faça do seu TDAH um motivo de mudança pra melhor em sua vida.
Esqueça seus amigos, sua família, seus colegas de trabalho, nenhum deles sente o que você sente, nenhum deles passa pelo que você passa.
Trate-se, cuide-se, viva, com o tempo eles irão reconhecer o quanto você mudou e te seguirão, pois nós somos naturalmente líderes.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

UM TDAH NO INSTITUTO SUMMUS








No último dia 15 tive o privilégio de participar de uma mesa redonda sobre TDAH promovida pelo Instituto Summus, de Belo Horizonte. O Instituto Summus promove cursos de formação de psicanalista em vários estados brasileiros.
Convidado por sua coordenadora em Minas Gerais, Dra. Janise Pedra, ministrei palestra sobre TDAH para um seleto grupo de alunos e amigos do Instituto Summus.
Foi um encontro extremamente proveitoso onde pudemos discutir os sintomas, os tratamentos existentes e as estratégias para convivermos melhor com o transtorno.
Foi uma tarde de sábado agradabilíssima e eu gostaria de agradecer à Dra. Janise Pedra, a Polliany Santos, a Cássia, a Cida, a Sônia, que me receberam com enorme carinho e me fizeram sentir-me em meio a um grupo de amigos de infância.
Um agradecimento especial cabe à Dra. Janise pela confiança e, por me conhecer apenas pelo blog, acreditar que eu poderia me sair bem como palestrante.
Espero que essa seja a primeira de muitas palestras que faremos juntos pela divulgação do TDAH por esse Brasil afora.
Ao Instituto Summus meu muito obrigado pela oportunidade.

                                                       











domingo, 9 de dezembro de 2012

O TDAH E A INADEQUAÇÃO







Desse lado nada floresce.
Aqui tudo se perde.
Perde-se o tempo,
perdem-se as oportunidades,
perdem-se as pessoas,
perde-se a vida.
Daqui se consegue ver
o lado oposto.
O lado azul.
Conquistas fáceis.
Pessoas previsíveis.
Monótona felicidade.
Por quê?
Não há resposta.
Sequer há tempo para pensar.
Novos incêndios irrompem na vida,
novos problemas a cada palavra,
novas vítimas.
O turbilhão da vida arrasta.
Redemoinhos de impulsos.
Furacões de emoções.
Tsunamis de frustrações.
Quando haverá uma ponte onde ambos os mundos se encontrem 
 e possa,enfim,  haver uma trégua para essas as mentes  exaustas?

O TDAH E O PRÊMIO NOBEL








Muita gente me incentiva a escrever um livro ou transformar o blog num livro, ou coisa parecida.
Os portadores de TDAH saberão imediatamente o que vou dizer: MAS SERÁ QUE MEU LIVRO PODE GANHAR UM PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA?
Pois é, esse é o TDAH.
Nossos sonhos são delirantes e paralisantes.
Não queremos ser atores, queremos ganhar um Oscar na primeira obra interpretada.
Só que não nos lembramos de que para ganhar o Oscar ou o prêmio Nobel o sujeito ralou muito, escreveu livros medianos, livros que não venderam , interpretou pequenos papéis desimportantes...
O TDAH não! Pensamos no fim, esquecendo que a vida é feita do dia a dia, um passo após o outro.
E qual o resultado disso?
Frustração, sentimento de inferioridade, paralisia.
Ao não conseguir criar A OBRA, aquela definitiva que mudará a humanidade, nos sentimos frustrados e abandonamos projetos que muitas vezes nos são caros e que poderiam render frutos, nos ensinar o caminho das pedras e até mesmo ser o início de uma grande trajetória.
Jamais contei a ninguém, mas já participei de um concurso de literatura infantil. Não ganhei nenhum prêmio e por isso, abandonei esse tipo de história. E a história era boa. Claro que hoje vejo defeitos nela, muito longa, um linguajar meio complicado, mas isso seria apenas uma questão de aprendizado, de leitura, de busca de informação. Não, simplesmente abandonei e nunca mais me dediquei a escrever para crianças.
E olha que minha cabeça ferve de ideias de livros infanto juvenis.
Esse concurso foi na década de 1980, ou seja, se eu tivesse me dedicado teria aprendido a escrever histórias infantis, e quem sabe, poderia ter ganho um prêmio afinal. Depois de quase 30 anos de aprendizado seria normal se conseguisse algo. Mas hoje, passado tantos anos, encontro-me praticamente da mesma forma, sem conhecer a fundo os macetes de se escrever para crianças e adolescentes e tão longe de ganhar um prêmio literário quanto estava naquela época.
Deus me dê vida longa para que eu tenha a chance de aprender a escrever e possa participar com êxito de algum concurso literário. rsrsrsrs

UM TDAH SE BASTA?









Saltei abismos,
varei noites,
cortei escarpas,
pisei pedras,
venci corredeiras,
escalei cachoeiras.
Gelei ao frio,
ardi ao calor.
Chorei decepções
sorri prazeres.
Ascendi céus,
Mergulhei infernos.
Busquei amores!
Amores que completassem
o vazio da minha alma.
Cansado, sentei; aquietei-me,
e comecei a perceber
que o amor que tanto procuro
pode habitar o meu próprio coração.




quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

TDAH - QUEM SABE O QUE A MARÉ VAI ME TRAZER...






Peguei agora no Universal Channel o final do filme 'O Náufrago'. Bem no finzinho o ator principal conversa com seu amigo lamentando-se por ter perdido a mulher que amava pela segunda vez.
Pra quem não assistiu ao filme, o camarada passa 4 anos sumido numa ilha após desastre aéreo, acreditando ter ficado viúva, sua esposa se casa de novo e tem uma filha. Ou seja, ele a perdeu quando seu avião caiu e suas chances de sobrevivência eram remotas e novamente agora quando descobriu que ela estava casada e com filhos.E o mais irônico, um dos seus estímulos para manter-se vivo era uma foto da esposa que ficou em seu relógio, ou coisa parecida.
Na conversa ele relata que, logo que chegou na tal ilha, decidiu suicidar-se; mas não deu certo e ele resolveu manter-ser respirando. Até que um dia a maré trouxe-lhe uma vela, e ele fez um barco e saiu da ilha. Não me lembro direito, mas acho que é isso.
Ele disse ao amigo que estava sofrendo muito a perda da esposa amada pela segunda vez, mas que decidira manter-se respirando, quem sabe o que a maré poderia trazer-lhe no dia seguinte.
Menos TDAH impossível. Algum de nós consegue pensar dessa forma? Ou pensaria na dor que sentiria ao amanhecer e não ver o sorriso da pessoa amada? Como saberia viver sem o brilho dos olhos daquela pessoa? Ou seu sorriso luminoso? Isso é ser TDAH. Antecipamos o sofrimento que pode jamais vir a se concretizar, sentimos a dor que pode jamais acontecer, colocamos na boca das pessoas frases que elas jamais pronunciariam.
Fiquei pensando nisso. E se eu conseguisse pensar assim? Manter-me-ei  respirando, quem sabe o que virá amanhã.
Preciso aprender isso rápido!
Lembrei-me de uma piadinha ridícula, mas super TDAH.
Alta madrugada, a gasolina do carro acaba numa estrada de terra erma e solitária. Ao descer do carro o motorista vê uma luzinha no alto de um morro, bem lá no alto. Ele decide ir pedir ajuda. No caminho, vai pensando: E se eu chegar lá no meio da madrugada e o cara achar que eu sou um bandido? Imagina eu, bandido! Trabalhador, lutador, esqueci de abastecer, só isso. Se bobear nem me atende. Ou então vai abrir a porta de arma na mão. Desgraçado, sovina, egoísta. Eu sozinho no meio do nada e ser tratado assim!
Na medida em que sobe o morro seu ânimo vai se exaltando e ele vai pensando na reação do dono da casa.
É muita desumanidade, o cara pré julgar assim, um cara batalhador como eu ser confundido com um bandido.
Diante da porta, já profundamente irritado o motorista bate. Ninguém atende e ele insiste, sua irritação aumenta. De repente a porta se abre.
- Pois não, diz um senhor com cara de sono. O motorista exaltado grita: Enfia sua gasolina no -- seu filho da p...
Esse é o TDAH. Muitas vezes mordemos a mão que nos alimenta - ou poderia nos alimentar - traímos, agredimos, insultamos.
E no final, as maiores vítimas somos nós mesmos.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

AMOR TDAH










Amo-te com tal força e intensidade,
que da minha dor e das minhas lágrimas,
forjei asas para que voes.
Amo-te de maneira tão desmedida,
que extraí do meu sofrimento
forças para romper os grilhões que a prendiam.
Sei que me chamarão de louco ou idiota,
mas pouco importa,
este é o meu amar.
Um amar que se completa com a felicidade do ser amado,
ainda que essa felicidade seja conquistada com a distância.
Vejo-te ensaiar os primeiros voos,
tentativas inseguras e desajeitadas.
Mas sei que asas que te dei são fortes,
e a levarão para distâncias e alturas que jamais sonhastes.
Mas se um dia as forças destas asas que te dei se exaurirem,
e seu coração estiver amargo de falsos amores,
podes voltar.
Sabes, com certeza, que para repousar teu corpo exausto,
encontrarás em mim um porto seguro.
Ou não!

MEMÓRIAS DE UM AMOR TDAH







Não te esqueci,
apenas não me lembro.
Lembro-me de um certo beijo;
um certo cheiro;
uma certa dor.
Não sei se te pertencem;
ou à mim e à minha imaginação delirante.
És tão bela que julgo impossível,
teres sido minha,
e eu tê-la esquecido.
Sinto na boca o sabor de um beijo,
um beijo inesquecível.
Que recebi de quem mesmo?
Não sei.
Mas não esqueci...
Apenas não me lembro

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

UM TDAH SOB PRESSÃO

Quer destruir o equilíbrio de um TDAH? Pressione-o. Mas pressione-o mesmo, deixe-o sem saída; exija dele decisões imediatas, prontas respostas, soluções a jato. Você deve obter dois resultados: aqueles que desmontam completamente e os que atacam. Eu faço parte do segundo grupo.
Tenho uma característica de evitar confrontos, tentar sair pela tangente e evitar certas situações em que me sinta acuado. Mas nem sempre consigo.
Quem me conhece pessoalmente não acredita que sou a mesma pessoa que escreveu alguns posts sobre ataques de fúria, mas sou eu mesmo. Sob pressão, sai de baixo. Detesto violência, mas fui aquinhoado com uma personalidade sarcástica, um vastíssimo vocabulário e muita facilidade de me expressar. Imagine isso tudo acrescido de raiva. Em geral é o completo desastre! Mas descarregar sua ira sobre uma ou mais pessoas é fácil, mas e sobre a vida? E quando a pressão é difusa, ou um somatório de fatos sem nenhuma responsabilidade definitiva?
Pois é. Esses dias tem sido assim. Sozinho na loja, com um enorme acúmulo de trabalho de manutenção, vendas em queda, compromissos aos montes e uma estranha coincidência de serviços de grande complexidade e responsabilidade me vi completamente acuado.
Ontem me deparei com três aparelhos abertos em minha bancada. Nem sei como isso se deu, creio que na ânsia de ver os aparelhos prontos fui abrindo um depois do outro sem perceber. Parei, respirei fundo, fechei dois deles e recomecei o mais antigo.
Sob pressão eu me perco, me confundo e começo a buscar válvulas de escape. Tenho me policiado pra não acessar a internet durante o expediente. Trabalho com o PC diante de mim o dia todo, meu trabalho é impensável sem ele, e volta e meia me pego viajando nele. E a pilha de celulares pra consertar aumentando.
Agora mesmo, enquanto escrevo esse post, lembrei-me de quem um Galaxy S está me esperando pra ser atualizado. Mas quando resolvo escrever é por que preciso, não dá mais pra segurar.
Aqui faço uma referência a um post antigo meu em que afirmo que a Ritalina não faz milagres, e não faz mesmo; tomo as minhas religiosamente, mas em determinados momentos (que já são difíceis para não portadores) pra gente é muito mais complicado. Exige um maior policiamento, uma atenção redobrada e muita, mas muita paciência e dedicação. Enfrentar o TDAH não é fácil, não existe um medicamento milagroso, não passa como uma dor de cabeça. Não adianta chamar a Neosa, nem mesmo a Rita, elas não virão em nosso socorro.
A Ritalina fortalece nossas defesas, nos deixa mais atentos, mais pro ativos, mas não nos torna invencíveis. Precisamos de nós mesmos, de nossa dedicação, de nossa força de vontade, de nossa vontade de salvar nossas vidas do naufrágio.
Não se deixe enganar, sem você não há medicamento que melhore a sua vida.
Se alguém tiver uma estratégia pra lidar com as pressões do dia a dia, por favor, me ensine.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O TDAH ME FEZ ASSIM




Não sou destino ,sou caminho.
Não sou concreto, sou criação.
Não sou  sol, sou nuvem.
Não sou  sexo, sou  desejo.
Não sou  gol, sou  comemoração.
Não sou canção, sou voz.
Não sou sorriso, sou alegria.
Não sou  resultado, sou  intenção.
Não sou  fato, sou narrador.
Não sou conquista, sou  liberdade.
Não sou  meta, sou  motivação.
Não sou vida, sou  prazer de viver.
Não sou carnaval, sou  fantasia.
Não sou manada, sou contramão.
Não sou vitoria, sou desafio.
Não sou revolução, sou ideologia.
Não sou neblina, sou cerração.
Não sou lógica, sou sentimento.
Não sou raciocínio, sou impulso.
Não sou derrota, sou reconstrução.
Sou TDAH!


sábado, 10 de novembro de 2012

A FORÇA POSITIVA DO TDAH








Os últimos anos tem sido generosamente difíceis.
Perdi praticamente tudo e todos que eu valorizava. Muitas coisas e muitas pessoas eu valorizei mais do que devia.
Vinculei minha vida a sentimentos frágeis, embasados em premissas erradas e expectativas equivocadas. Hoje pago o preço disso, e caro.
Agrilhoei-me ao amor alheio e arrastei-o ao longo de toda a minha vida. Sonhei sonhos que não me pertenciam e violentei-me com vidas que não vivi.
Acreditei-me maior e melhor do que eu era, acreditei em falsas bajulações, elogios ocos e em super poderes que jamais tive. Ergui ao meu redor uma couraça robusta de aparência mas com a solidez de uma casca de ovo. Ao longo dos últimos anos a couraça começou a trincar e ruiu completamente. O super herói era uma brincadeira, um conto de fadas sem final feliz.
Silenciosamente os bajuladores foram desaparecendo e o interior frágil da couraça foi ficando cada vez mais evidente.
Da falsa glória de outrora nada restou. Nada mesmo.
Restei só. Absolutamente só.
Os últimos golpes vieram de pessoas que eu não esperava e da forma mais cruel e fria imaginável. Requintes de crueldade.
Aí sentei-me disposto a ver a vida passar, de preferência bem longe de mim. Sem presente e sem nenhuma perspectiva de futuro o imobilismo parecia a única alternativa.
Assim como o golpe derradeiro veio de onde eu não acreditava, a mão amiga também surgiu de onde eu não esperava.
Do meu blog. Do meu TDAH.
Extraio hoje pouquíssimo prazer da minha vida: meu sax, meu trabalho e o blog são praticamente minhas únicas fontes de alegria e minhas companhias nesse período de absoluta solidão.
Como que orquestradamente, venho recebendo estímulos e elogios pelo blog como eu jamais sonhei. Quase que diariamente recebo emails elogiando seu conteúdo, minha coragem de expor meus sentimentos e minha vida e testemunhos de pessoas que se sentiram estimuladas pelo blog.
Mas ontem passou dos limites. Uma amiga  proporcionou-me um dos momentos mais emocionantes da minha vida. O conteúdo de seu email levou-me às lágrimas e, sinceramente, foi responsável por me mostrar que a vida não é feita de perdas, mas de mudanças.
Mudanças de rota, mudanças de caminho, mudanças de valores.
E são essas mudanças que estou vivendo.
Estou só e despido de tudo aquilo que julgava importante em mim e na minha vida até então. No momento em que me sinto mais frágil e impotente, recebo de todos os lados testemunhos e depoimentos de que eu vivia valores errados.
O TDAH me fez forte, me fez um sobrevivente, e por incrível que pareça, me deu oportunidade de me descobrir, de me reinventar, de descobrir em minha vida um sentido de utilidade que jamais julguei ter.
Obrigado Isabela!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

UM TDAH À NOITE E OUTRO DE DIA






Já disse mil vezes que os comentários são uma enorme fonte de inspiração para meus posts. Esse não é diferente. Ontem escrevi meio post, não gostei e apaguei. Estava sem inspiração. Ao ler o comentário da Daniele me veio essa súbita vontade de escrever. Mesmo que seja às 22:56.
Daniele em seu comentário fala sobre seus devaneios e projetos noturnos que ela acha viáveis e ao amanhecer, à luz do dia, lhe parecem inexequíveis e estapafúrdios. Bingo!
Isso é TDAH em estado puro.
Perdi a conta de quantas vezes solucionei os meus problemas com projetos mirabolantes que me pareceram um achado. Ao acordar haviam se transformado em elefantes brancos ou simplesmente viraram fumaça.
Pensar talvez seja o maior mistério do ser humano. Do nada criamos imagens, situações e sentimentos que podem jamais ter existido ou vir a existir fora de nossas mentes.
Para o TDAH isso não é nada. Viajamos. Viagens intergalácticas, inter humanas, inter espirituais, sei lá, inter tudo. Nosso pensamento é feérico, incontrolável e com tendências megalomaníacas. Emendamos um pensamento em  outro, um sentimento em outro e um pedaço de papel caído no chão pode originar pensamentos grandiloquentes e viagens cósmicas. E aí entra o comentário da Daniele. E como bom TDAH e do contra (sou do contra em quase tudo, rsrs) comecei a pensar cá com meus botões: será que os projetos são realmente ruins ou após uma noite de sono esquecemos sua essência? Sei lá, na maioria das vezes creio que são ruins e infundados mesmo, mas se usarmos as técnicas de brainstorming  talvez consigamos aproveitar algo na manhã seguinte. Como é do nosso feitio, nunca anotamos nada e anotar devaneios é algo muito mais improvável; mas talvez fosse o caso de gravar de alguma forma as linhas gerais do projeto noturno para submetê-lo à lógica e racionalidade matinal, quem sabe aproveitaríamos algo. E aqui vou defender nossos devaneios. Quando digo que nossos pensamentos são feéricos e coisa e tal, não estou afirmando que pensamos maluquices, mas sim que não temos limites ou freios. Mas temos, em geral, um fio, uma linha de raciocínio, um tema que embasou aquela viagem. E sempre podemos extrair algo disso.
Por dezenas de vezes tentei me programar para uma determinada conversa ou negociação, muitas vezes cheguei a traçar um roteiro, mas nunca consigo cumpri-lo. Ainda que no início eu siga o caminho que tracei, a interação com a pessoa do outro lado me traz uma enxurrada de novas ideias, novos pensamentos que naquele instante me parecem ótimos e até melhores do que eu havia me programado a fazer. E aí eu me dano. Ao sair do caminho embrenho-me por trilhas que mais e mais me distanciam do roteiro traçado e acabo esquecendo-me de detalhes e argumentos importantes. Deixo para trás o que deveria ter sido dito em prol de novas ideias que me tomaram de assalto no calor do debate. E aí, normalmente, me ferro.
Mas assim como os projetos de ontem à noite, a enxurrada de novas ideias não são exatamente inúteis, elas precisam ser filtradas, encaixadas na ordem e no lugar corretos dentro do roteiro inicial. Elas podem acrescentar, assim como o projeto que ao amanhecer nos parece delirante, podem trazer a semente de uma solução que tanto ansiamos.
O que precisamos é de equilíbrio. Nada é tão ruim que deva ser, simplesmente, atirado ao lixo, ou tão bom que substitua tudo aquilo que foi previamente estudado e projetado.
Nossos devaneios não são viagens psicodélicas inúteis, mas precisam ser filtrados e analisados como complementos e acréscimos ao que conseguimos fazer diariamente com umas ritinhas na cuca.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O DESASTRE DO TDAH






Minha dor é como um vulcão: inquieta, feroz, incandescente.
Minha mente é como um maremoto: bela, cruel e indomável.
Minha memória é como um tornado que a tudo arranca, tudo arrasta, mas com o tempo perde a força e desaparece.
Minha vontade é como o furacão: às vezes arrasador, noutras apenas uma tempestade tropical.
Minha ira é como o tsunami: tão forte que pode arrasar e destruir o alvo. E levar junto a minha vida.
Meu equilíbrio é como o vento: hora pra lá, hora pra cá; e quando a gente menos espera, ele muda de lado.
Meu autocontrole é como uma cachoeira: sinto muito, você aproximou-se demais. Vai ser arrastado até o fundo...
Meu amor é como a enchente: tão grande que não cabe em mim, transborda e pode inundar a vida alheia. Mas cuidado, muito cuidado, ele pode matar afogado.
Minha impulsividade é como um terremoto: apenas um pequeno tremor, ou pode abrir uma gigantesca fenda no chão e engolir a tudo e a todos. Inclusive a mim mesmo.
Meus dias são como corredeiras: velozes, atribulados, chocando-se o tempo todo com pedras em busca de um remanso qualquer onde curar as feridas.
Minha vida é como a natureza: mesmo os dias mais lindos, mais luminosos, guardam em seu bojo a semente da dor e do desastre.

domingo, 28 de outubro de 2012

UM TDAH ENTRE O DESEJO E A NECESSIDADE






Pra quem não sabe, eu sou Técnico em Manutenção de Celulares. Adoro meu trabalho, adoro tecnologia, adoro celulares e como bom TDAH amo novidades. Imagine quando tudo isso se junta.
Na última sexta feira comprei para a loja um Nokia Lumia. Ele reúne todos os requisitos acima. Além de lindo, tem muita tecnologia e a novidade do Windows phone. Agora calcule o impacto que ele causou em mim. Estou sem telefone. Vendi o Atrix que eu amava. A proposta foi irrecusável e eu abri mão do meu Android personalizado. Desde então venho pulando de um modelo pro outro ao ponto de estar usando nessa semana um celularzinho de quinta categoria abandonado por uma cliente que o deixou pra trocar o LCD.
Meu aniversário chegando, o celular entrou por um preço excelente, eu estava louco para experimentar um Windows phone. Resolvido, vou ficar com o Lumia. Trouxe pra casa para o fim de semana. É espetacular e desafiante. Um novo sistema operacional, lindo e desconhecido, tudo o que eu sonhei.
Mas, existem também os pesadelos. Estou muito, muito, mas muito apertado financeiramente; este aparelho pode me dar um lucro muito legal. E aí?
Não quero vendê-lo, preciso de um celular e até andei pensando em capitalizar em cima do Lumia. Comprei esse aparelho de um um amigo que o presenteou ao filho de dezesseis anos. O garoto empacou no Windows e odiou o aparelho. Três dias após a compra ele me trouxe o aparelho para trocar num Android. O que imaginei foi criar um blog de apoio aos iniciantes do Windows phone e divulgar que sou um expert nesse sistema operacional e cobrar pela configuração inicial e consultoria de como usá-lo.
Mas a realidade martela minha cabeça. Despesas, despesas, despesas. Quanto tempo levarei para me tornar um expert em Windows phone? Como divulgarei minha expertise? Quanto tempo levará para que o blog seja conhecido e principalmente rentável? Quanto tempo isso irá consumir? Quanto custará a divulgação? Qual o universo de clientes vou atingir?
Não sei responder a nenhuma dessas perguntas, mas sei quanto devo e quanto tenho de pagar.
Aí lembrei-me das palavras de minha coach Luciana Fiel e minha médica Valéria Modesto sobre a dificuldade do portador de TDAH em decidir entre a necessidade e o desejo.
Estou nessa encruzilhada.
Somente um TDAH sabe o tamanho dessa decisão. Minha mente luta contra minha decisão racional de vender o aparelho. Crio uma série de argumentos a favor de mantê-lo, me dar o Lumia de presente. Mas não posso, e sei que não posso. Mas tento me enganar.
Se você não é portador de TDAH não imagina o tamanho dessa tortura, meu interior se revolta nessa luta entre o prazer e a necessidade de gerar receita com o Lumia. Poucas vezes na minha vida neguei-me um prazer em prol de uma necessidade.
Vou vendê-lo, mas sinto fisicamente (e isso é de verdade)  uma reação contrária.
Imaginei encerrar esse post com a seguinte frase: Vou colocá-lo à venda mas torcer pra que ninguém compre.
Pode parecer engraçado mas não posso me dar esse direito.
Vou colocá-lo à venda e trabalhar para vendê-lo rapidamente. Mais pra frente vou poder comprar um Lumia; não um 710 como esse, mas um Lumia 920, última geração. Até lá vou estudar o Windows phone de maneira teórica e me preparar para ser o expert em Lumia da cidade.
Mas agora, tenho que pagar minhas contas. E vou vender esse Lumia rápido.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A MEGA SENA E O TDAH



Uma das características que mencionei no post: 25 coisas sobre mim.Com e sem TDAH é a infinita capacidade que tenho de sonhar durante o banho.
Talvez o sonho que mais tenho é: o que eu faria se ganhasse na Mega Sena.
Um sonho duplamente TDAH.
Mas não é aquela coisa genérica de se eu ganhar vou ajudar minha família, os amigos, umas instituições de caridade, essas coisas. Não!
Em primeiro lugar fico pensando em como seria minha reação ao saber que ganhei. Morro de medo de passar vergonha, portanto eu iria conferir umas 75 vezes, em sites diferentes até ter certeza de que ganhei mesmo. Outra coisa é que eu só penso em ganhar sozinho, jamais me imaginei dividindo o prêmio com alguém. Quero tudo! Uma questão que me intriga é se eu conseguiria comer ou dormir nesse período que vai da confirmação do prêmio (normalmente os sorteios são depois de fechados os bancos) até na hora em que a CAIXA abrisse e eu pudesse colocar a mão na grana. Fico imaginando minha ansiedade, meu nervosismo; tento imaginar se eu iria sair pela noite, andando de carro pela cidade até o amanhecer. Num dos meus últimos sonhos de  milionário tomei a sábia decisão de receber o prêmio no Rio de Janeiro. Assim eu passaria algumas horas dirigindo, consumindo meu tempo e tentando reduzir a ansiedade.
Passada essa primeira fase, a segunda seria de comunicar à minha família que estamos milionários. Claro,  enquanto não pusesse a mão na grana não não contaria a ninguém, vai que alguma coisa dá errado. Aí existe uma encruzilhada muito importante: volto para Juiz de Fora no meu velho carro imediatamente após me apossar da grana ou troco o carro primeiro ( o que atrasaria o comunicado à família em alguns dias). Após decidir essa questão crucial, imagino como seria comunicar essa notícia e a respectiva reação de cada um dos membros da família.
A troca do carro, a casa nova, as várias compras de eletro eletrônicos super hiper megas high tech, isso ocupa longos minutos do banho. Outra dúvida recorrente é se eu moraria em uma fazenda na região de Juiz de Fora ou  me mudaria para uma cidade praiana. Talvez o Rio de Janeiro, cidade que eu adoro.
Por fim onde e como investir o excedente? Se faria uma previdência privada para mim e meus familiares garantindo o futuro de todos, se imóvel seria ou não um bom investimento, enfim, vária questões essenciais para um novo milionário.
Mas o que mais me ocupa é tentar imaginar meus sentimentos. Os que mais me preocupam são: como eu reagiria ao saber que fui premiado e se eu me transformaria em um sujeito preponente, antipático, arrogante, ou se me manteria normal, humilde e tranquilo.
Mas pensando bem creio que quase todas as pessoas sonham com o prêmio da Mega Sena. Isso é bastante comum, normal mesmo. Nada demais!
Por que eu disse acima que é um sonho duplamente TDAH ?
Em primeiro lugar pelo sonho em si, por sua intensidade e riqueza de detalhes.
Em segundo lugar e principalmente: eu não jogo!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

TDAH, UMA ARMA PODEROSÍSSIMA A NOSSO FAVOR








"Temos que aceitar que temos "armas poderosíssimas" que a maioria dos "atentos" não tem!! "
Essa frase acima é de uma leitora, que é médica, que em seu primeiro comentário afirmou ter dois anos e seis meses de vida. O tempo em que foi diagnosticada como TDAH.
Ao ler essa frase me de um estalo: uai, não é que ela tem razão!
E aí emendo com uma afirmativa recorrente de meu amigo 'Frank Slade': o TDAH que nos derruba é o mesmo que nos dá força para nos reerguer.
Pensem comigo, nossa vida é subir uma ribanceira empurrando uma enorme pedra, e conseguimos subir. Imagine se subirmos essa mesma ribanceira sem a pedra! E o que vai fazer a pedra sumir, ou ter seu peso reduzido é o tratamento.
Os 'atentos' não estão acostumados a enfrentar os sabotadores como nós, não sabem armar estratégias para burlar a desatenção, não tem a nossa capacidade de se encontrar em meio ao caos de nossa desorganização, os 'normais' não possuem nossas armas para conter a procrastinação.
Certa vez assisti a um filme chamado Perdas e Danos. No filme um político inglês de projeção, envolve-se com a noiva do próprio filho. A descoberta da infidelidade da noiva com seu pai acaba por provocar a morte acidental do rapaz. As consequências são as piores possíveis; a carreira de político acaba ali, o seu casamento também, o relacionamento com a noiva do filho também. Mas a certa altura, numa conversa com sua ex futura nora, ele ouve a seguinte frase: cuidado com as pessoas sofridas; elas sabem sobreviver.
Podemos adaptar essa frase para nossas vidas: abram alas para os portadores de TDAH, eles sabem sobreviver!
Aproveito a carona do comentário de MariJu para relembrar as palavras de minha coach Luciana Fiel em nossa última reunião do Mente Confiante: o que nós precisamos é dar ênfase ao reforço positivo. E foi isso que a MariJu falou, enfrentar o TDAH nos dá armas e forças muito além do normal. O exercíco do TDAH nos dá músculos aptos para a vida, para os desafios da vida atual.
Se conseguirmos reduzir o peso dessa pedra teremos músculos altamente qualificados para superarmos os 'atentos'.
Não que seja importante superar os 'normais', o mais importante é nos sabermos preparados para competir nessa vida louca que todos nós, TDAHs ou não, levamos hoje em dia.
Levantemos a cabeça e saibamos extrair o positivo daquilo que nos dificulta a vida.

domingo, 21 de outubro de 2012

UM TDAH QUE NÃO DISCUTE COM NINGUÉM








Por que não enxergamos o óbvio?
Por que é tão simples e ao mesmo tempo tão difícil?
Ontem foi a reunião do grupo Mente Confiante, como sempre foi riquíssima, mas a de ontem foi especialmente especial. rsrs
Um garoto de 13 anos deu seu depoimento como portador de TDAH e deu um exemplo de maturidade, persistência e inteligência.
O depoimento iniciou-se com sua história de vida; ainda bebê enfrentou, e venceu, a morte, tendo inclusive ficado vários dias na UTI. Segundo ele, já passou por várias escolas sendo expulso de pelos menos duas. Impulsivo, irritadiço, atirado, esse garoto vivia às turras com colegas, professores e familiares. Mesmo quando estava com a razão, suas reações muitas vezes excessivas transformavam-no de vítima em algoz. Em inúmeras oportunidades ele foi suspenso nas escolas em que estudou.
Depois de tantos dissabores, de infinitas discussões familiares, esse sábio menino tomou uma decisão: NÃO VOU MAIS DISCUTIR COM NINGUÉM! E está cumprindo!
Imagine a maturidade desse garoto de 13 anos de enxergar que ao confrontar as pessoas ele atira gasolina na fogueira, perde a razão e apenas piora o ambiente em que vive.
E aí eu me perguntei: eu já tomei essa decisão?
Não me lembro de ter tomado uma decisão de não discutir, de não bater boca, já pensei nisso inúmeras vezes, mas não como uma decisão. E você, já decidiu parar de discutir? De colocar lenha na fogueira?
Em minha cidade existe um supermercado que no período de natal usou uma camiseta que estava escrito:
é superior quem toma a iniciativa da paz! Gostei dessa frase, em geral somos belicosos e acreditamos que não podemos PERDER aquela discussão. O que é ganhar uma discussão? Massacrar o 'oponente'? Impingir-lhe seu ponto de vista? Ou simplesmente calar-se e deixar que a discussão morra no nascedouro?
Sejamos honestos, não existe um vencedor em nenhum tipo de discussão. Existem dois ou mais perdedores, nunca um ganhador. Saem ambos machucados, ofendidos e raivosos. Ao calar-se, o que pode parecer uma derrota transforma-se numa enorme vitória. Ao abdicar do bate boca colaboramos para que a temperatura baixe, que o ambiente melhore, e cá entre nós, a verdadeira vitória é deixar o oponente no vácuo, com cara de babaca.
Claro, não vamos imaginar que nunca mais vai existir uma discussão em nossas vidas, ou que aceitaremos tudo de cabeça baixa e calados, não é isso; a sapiência dessa decisão esta em enxergar a inutilidade das discussões, dos confrontos, das brigas.  E ao decidir damos um enorme passo em direção a uma vida melhor. E é isso que buscamos.
Pense nisso também, vamos fazer uma campanha pelo fim dos bate bocas em nossas vidas.
Parabéns e obrigado, Artur, por compartilhar sua sábia decisão.

sábado, 20 de outubro de 2012

25 COISAS SOBRE MIM. COM E SEM TDAH








Por sugestão do amigo Peregrino DDA fiz uma lista com 25 características minhas. Não sei dizer direito onde está ou não o TDAH, mas eu não seria eu sem a presença dele. Portanto ele deve estar em todas as 25 características.

1- Sou desatento. Não esqueço chaves, nunca perdi um celular; esqueço compromissos, consultas, lugares, pessoas...
2- Tomo banho longuíssimos, ali que eu sonho. Ali não sou eu - ou é o momento em que mais sou eu- não sou desse mundo, não existem dores, decepções e cobranças. Talvez por isso a conta de energia lá de casa seja tão alta.
3- Não posso ver uma loja vazia, para alugar, que logo imagino o que montarei ali. Mal consigo administrar minha micro loja e devaneio com mil outras empresas.
4- Não gosto de filmes, principalmente no cinema. Prefiro seriados, duram em média 40 minutos, portanto não me obrigam a ficar ali sentado por infindáveis 2 ou três horas.
5- Tenho alguns vícios: Café, Coca Cola, Sexo. Não necessariamente nessa ordem. Depende do dia, da hora e do lugar. E obviamente da companhia.
6- Sou extremamente democrático e liberal. Aceito quase tudo o que não prejudique ao outro.
7- Sou muito, muito, mas muito sarcástico.
8- Sou engraçado, divertido, simpático e alegre. E sou mesmo.
9- Sou um otimista inabalável. Mesmo quando estou pra baixo ainda acredito. Ou ingênuo, né! Prefiro otimista. rsrs
10- Sou de extremos: amo ou odeio. Mais odeio do que amo.
11- Tenho forte tendência a ser solitário, me enclausurar dentro de casa, ficar comigo mesmo.
12- Adoro livros, tanto em conteúdo como em forma. Meu sonho é ter uma livraria. Talvez eu fosse à falência pois não iria querer vender os livros que ainda não li.
13- Amo sorvete, chocolate, queijo, café e coca cola. Por isso estou bem acima do peso.
14- Adoro dirigir. Já pensei em ser motorista de ônibus rodoviário ou de carreta para viajar, viajar, viajar.
15- Sou um ex desorganizado em processo de organização. Já melhorei demais nesse quesito, quase não me reconheço.
16- Procrastino demais, mesmo com a Ritalina. Me cobro, me xingo, me policio; mas engano a mim mesmo e procrastino.
17- Sou um hedonista. Não consigo viver sem extrair prazer da vida por muito tempo. Uma vida continuadamente sem prazer acaba me levando a ações impensadas e, normalmente, catastróficas.
18- Odeio dormir! Mas odeio mesmo. Como dizia Machado de Assis: dormir é morrer provisoriamente.Durmo cerca de 5 ou 6 horas por dia e contrariado.
19-Não pretendo morrer. Mas também não faço exercícios, não caminho, não como verduras, nem me alimento de 3 em 3 horas e não vou ao médico fazer check up. Conto com a sorte e a benevolência Divina.
20-Acho que sou meio existencialista. A vida não traz surpresas, você colhe EXATAMENTE aquilo que plantou. E não interessa se você plantou TDAH, vai colher TDAHzinhos aos montes.
21-Adoro meu trabalho. Um trabalho que comecei aos 50 anos meio que sem querer e que hoje é o maior prazer que extraio da minha vida.
22- Amo água, principalmente do mar. Um dia ainda morarei á beira mar. Com certeza.
23- Minha infância foi muito parecida com a estória do livro " O menino maluquinho". Muito parecida mesmo. Inclusive eu era goleiro, atirava a mochila da escola pela janela, cantarolava e assobiava sem parar, e outras coisas que esqueci agora.
24-Sou altamente disciplinado para algumas coisas e completamente indisciplinado para outras. Mesmo meu sax, que eu amo, não consigo ser disciplinado. Quando toco sinto tanto prazer que juro a mim mesmo tocar diariamente, me aprimorar (aprender a tocar direito), uma hora por dia, no mínimo. Rá, quem dera.
25- Não sei se por causa do TDAH, sou um cara feliz. Acho que sonho tanto, viajo tanto, que não vejo que minha vida é ruim. As vezes nem é, né?
Obs.: Taí, Peregrino.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

TDAHs DO BRASIL, UNI-VOS!







Se por algum motivo você TDAH estará em Juiz de Fora, passará próximo, mora por perto ou tem possibilidade de vir a JF amanhã, sábado dia 20 de outubro às 17 horas, venha.
Amanhã é o dia do carinho ao portador de TDAH, amanhã é o dia da reunião do Grupo Mente Confiante, com a coordenação da Dra. Valéria Modesto e da coach Luciana Fiel. A reunião do Mente Confiante é um momento totalmente voltado para a discussão do TDAH, das nossas agruras e vitórias, de nossos problemas e das estratégias que temos para enfrentá-los. 
A reunião do Mente Confiante recarrega as nossas baterias, nos dá forças para as batalhas do dia a dia e nos dá a reconfortante certeza de que não estamos sós.
As reuniões mensais do Mente Confiante são abertas àqueles portadores interessados em conhecer melhor o transtorno, aos nossos familiares que queiram  aprender a conviver conosco e à todos que se interessam pelo TDAH e suas consequências em nossas vidas.
Venham conhecer o grupo Mente Confiante, você se sentirá renovado para enfrentar o TDAH.
Venha você será muito bem recebido.

Sábado dia 20/10/2012 - 17 horas - Victory Business Hotel - Av Itamar Franco.



terça-feira, 16 de outubro de 2012

O TDAH, O BLOG E O MURO DAS LAMENTAÇÕES






Num comentário por email que recebi antes de ontem, uma amiga virtual comentou que o blog se assemelhava a um muro das lamentações.
Confesso que minha primeira reação foi de irritação, depois percebi pelo teor completo do email de que não se tratava de uma crítica gratuita e sim de uma constatação, uma conclusão que ela chegou em função do teor da maioria dos posts.
E por que isso?
Esse blog é um retrato da minha vida, ou um retrato da minha alma, ele reflete exatamente pelo que eu estou passando, minhas conquistas e minhas derrotas, minhas alegrias e tristezas. Completo em novembro 52 anos, 50 dos quais sem nenhum tipo de tratamento do TDAH é normal que eu ainda sofra os efeitos da doença mesmo quase dois anos após iniciar meu tratamento. Mal comparando, fui fumante por 24 anos e há  14 anos abandonei o cigarro; ainda hoje levo a mão ao bolso da camisa pra pegar o maço de cigarros. O que imagino é que para meu cérebro o hábito do fumo ainda tem profundas raízes afinal, o tempo de fumante ainda é bastante superior ao de não fumante. Acredito que com o TDAH seja algo semelhante. Minha personalidade foi forjada com o TDAH acoplado a ela, meu cérebro está habituado a agir conforme as características do TDAH por isso é tão difícil vencê-lo. Por isso é tão necessário ao TDAH diagnosticado na idade adulta policiar-se, analisar se seus atos sãos seus ou frutos do TDAH. Por isso precisamos da Ritalina, do coaching, do apoio psicológico, do atendimento médico. 
Apesar de estar me tratando há dois anos, praticamente, minha vida ainda sofre fortes consequências do 50 anos de reinado absoluto do TDAH.
Esse blog não é um espaço literário ou de ficção, esse blog é um desabafo, um grito, um grito que encontrou eco em milhares de acessos vindos de diversos países do mundo. Esse espaço gerou cerca de mil comentários de homens e mulheres que sofrem os efeitos do TDAH.
Do fundo do coração, eu gostaria que esse blog fosse uma sucessão de vitórias, conquistas e sucessos. Mas aí seria mentira, não teria credibilidade; nenhuma vida é feita só disso. Com ou sem TDAH.
A vida é luta, e a vida de um portador de TDAH é luta acrescida da doença. O TDAH se soma aos problemas normais de todas as vidas, é um problema a mais. 
Ao escrever sobre o que enfrento, ganhando ou perdendo, ponho a nu as estratégias do TDAH, retrato não só a mim e os meus problemas, mas os problemas que milhões de pessoas enfrentam no Brasil e no mundo.
Confesso que cheguei a me preocupar se o blog não estaria ficando pesado ou pessimista demais; mas creio que não, o blog é realista. Às vezes um pouco amargo, noutras um tanto forte, mas a vida é assim, e reconstruí-la aos 50 anos dá um trabalho danado. Estou aprendendo a reconstruí-la, estou mudando hábitos arraigados há meio século, luto com um inimigo poderoso e sorrateiro. mas não luto sozinho. Tenho ao meu lado cada leitor desse blog, minha médica e minha coach ( tinha mais gente mas me deixou pelo meio do caminho) e tenho o próprio blog, meu muro das lamentações. Não, lamentações não, meu Muro das Emoções. 
Ficou melhor, né!

Obs.: O melhor do blog são os comentários. Aprendo com eles, geram posts e me fazem avaliar e reavaliar aquilo que escrevo e meu tratamento. Não deixem de comentar, é muito importante.

domingo, 14 de outubro de 2012

AS CERTEZAS INCERTAS DE UM TDAH






Assisti a uma entrevista da atriz Lília Cabral e uma frase sua chamou-me a atenção:  desde cedo, ainda adolescente, tinha absoluta certeza de que seria atriz.
Que inveja! Jamais tive certeza de nada a respeito da minha vida. E quando tive, estava absolutamente enganado.
Achei que seria um excelente advogado,  abandonei o curso; sonhei em ser filósofo, abandonei também; tive um sem número de amores infinitos e dezenas de empregos e empresas que julguei serem definitivos.
Que inveja, meu Deus!
Mas não invejo apenas aquelas pessoas que possuem certezas absolutas, invejo também àquelas que amam algo ou alguém de forma absoluta. Surpreendeu-me saber que algumas pessoas vieram de outros estados para dar o último adeus a Hebe Camargo. Quanto amor, meu Deus, e por uma pessoa que jamais soube da existência daquela tão devotada! Fico estupefato com essas pessoas; milhares, centenas de milhares de pessoas acompanharam a passagem do caixão de Ayrton Senna. Eu jamais sairia de casa para ver o caixão de qualquer celebridade; ou o casamento de uma princesa. Mais impressionado fico com aquelas pessoas que amam objetos e os colecionam, tornam-se experts em 'Gibis', armas antigas, trens de ferro, barbies, sei lá, uma infinidade de coisas que acabam se transformando em suas vidas.
Após mais de meio século de vida não encontrei nada que me arrebatasse de maneira absoluta.
Mas invejo as pessoas com essa capacidade de amor incondicional; à primeira vista pode parecer uma doença, uma obsessão, mas é capaz de oferecer um sentido a essas vidas, uma compensação de prazer ao dia a dia geralmente medíocre e massacrante que todos nós levamos.
O primeiro nome desse blog foi "A VIDA À DERIVA". Era assim que eu me sentia, e acho que todos nós, portadores de TDAH, nos sentimos assim em algum momento da vida. Ou em toda ela.
Tudo meu foi feito ao acaso, ao sabor do momento, num impulso de uma fração de segundo.
Decido as coisas de uma hora pra outra, sob o efeito de situações limite, em geral emocionais.
Jamais consegui traçar uma meta; se tracei, esqueci.
Admiro e invejo os metódicos, os organizados, os que possuem essa sagrada chama da certeza na vida. Sou o caos, sou do caos, sou fruto do caos. E isso cansa demais. Sonho com a estabilidade, sonho com a falta de surpresas, sonho com o cartesiano; mas acordo a cada dia de um jeito, precisando da ritalina para retomar o eixo, para refrear os impulsos irrefreáveis, para estabilizar o caos.
Hoje exerço uma profissão nova, que comecei aos 50 anos e que adoro, mas que me veio de uma forma imprevista e não programada. Sinceramente, entrei nela com uma sensação de provisoriedade, de que seria apenas momentâneo. Mas assim é minha vida, apaixonei-me ao ponto de sentir falta de meus aparelhos nos finais de semana, ainda hoje, domingão, pensei em dar um pulo na loja . Nunca imaginei isso em minha vida. Fruto da absoluta imprevisibilidade em que vivo.
Minhas atitudes imprevisíveis podem magoar, machucar aos outros e a mim; mas uma força maior do que eu  me impele a agir. Em alguns momentos sinto que está errado, mas faço, sigo em frente, não consigo parar.
Por isso me trato, tento estabilizar minha vida e por consequência a vida de quem me cerca. Ninguém pode viver à mercê da instabilidade alheia. Na verdade nem eu mesmo aguento mais tanta instabilidade e incerteza.
Parafraseando Sócrates, o filósofo: A única certeza que tenho, é que não tenho certeza nenhuma.
O que é uma pena...


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O NAVIO FANTASMA DO TDAH






Em uma noite sem lua, sob intenso nevoeiro navegava a pequeníssima nau do comandante portador de TDAH. Se o mar não estava calmo tampouco estava revolto. Exigia atenção e cuidado  mas não medo. Então o portador segue sua rota, afasta-se da costa, venceu um dia nublado com perícia; ao fim da tarde uma chuva encorpada com raios e muitas nuvens negras ocultaram definitivamente a lua que havia surgido tímida no céu. Naquela hora, já em meio à madrugada o oceano se alisava, dois terços da viagem já tinham sido cobertos, uma relaxada já parecia possível. Mas, antes do relaxamento fazia-se necessária uma conferência geral: motores, equipamentos, meteorologia, conferir se mantinha-se na rota pré determinada...
O relax iniciou-se um pouco antes do que deveria; a viagem seguia tranquila naquele momento, quantas vezes já havia feito a mesma viagem, a mesma rota, o mesmo oceano. O ouvido experiente reconheceu facilmente a qualidade do ronronar dos motores; não era preciso checar visualmente. Uma leve consulta aos equipamentos, assim, de longe, enquanto caminhava para a cabine. Uma olhadela rápida à previsão do tempo mostrou pequena possibilidade de nova chuva ao amanhecer.
Mas, seria apenas um cochilo, sentado mesmo, poucos minutos.
Em sono profundo nosso portador de TDAH não ouviu o silenciar de um dos motores. Rateou, rateou, rateou, até silenciar-se por completo. Um vento forte começou a soprar e tirar o navio levemente da rota, nada disso foi percebido pelo navegante sonolento. Na verdade, somente os primeiros raios e trovões despertaram o comandante daquele navio já à deriva. Ao encaminhar-se para a cabine a primeira coisa que percebeu foi a falta de um dos motores. Correu à casa de máquinas e deparou-se com um motor absolutamente imóvel todo lambuzado de óleo. O combustível vazara por muito tempo antes de imobilizar aquele motor. Entorpecido pelo sono, surpreso e contrariado pelo motor danificado o comandante TDAH assume o leme do navio. Sabia que não podia forçar o único motor que ainda funcionava e reduziu ainda mais a velocidade; e então teve a segunda surpresa da madrugada: estava completamente fora da rota; sem um dos motores, os fortes ventos e a correntes marítimas aos poucos conduziram aquele navio sem timoneiro a caminhos jamais percorridos pelo comandante TDAH. A primeira e óbvia reação: retomar o rumo original mas isso tinha um custo, teria de enfrentar as fortes correntes do oceano tendo ainda como agravante a tempestade com rajadas de vento fortíssimas que vinha chegando. Naquele momento a melhor solução pareceu-lhe retroceder, voltar para a casa. Mas voltar cobraria um preço que ele não estava disposto a pagar: o julgamento de seus pares. Ainda que velado, ele sabia que seria julgado por sua incompetência, sua negligência. Expor-se a esse julgamento estava fora de cogitação. A opção seguida foi a de deixar que as correntes decidissem seu caminho; aos poucos, tentaria contornar a tempestade. Já havia enfrentado outras maiores e saíra-se muito bem. E assim foi. A madrugada avançava e o dia não aparecia. Estranhamente, quanto mais ele navegava mais densa ficava a noite. De repente, uma enorme massa surgiu no radar; as luzes do navio começaram a piscar e o segundo motor rateava perigosamente. Um enorme arrepio subiu-lhe pela coluna até a base da cabeça; diversas vezes já ouvira falar nesse conjunto de sinais, exatamente naquela ordem: aparece no radar, as luzes começam a falhar, o motor falha e então ele surge.
Estarrecido, imobilizado pela cena espetacularmente terrível, o comandante TDAH viu surgir das profundezas do oceano negro o enorme navio fantasma. O esqueleto esfarrapado e gigantesco que ele jamais havia acreditado existir estava agora diante dele e vinha em alta velocidade na sua direção. O choque destruidor era inevitável. A reação desesperada e visceral de acelerar ao máximo o combalido motor e, de praticamente golpear o leme numa direção oposta ao fantasmagórico oponente fez seu navio adernar de forma ameaçadora. O choque era inevitável mas foi muito menor do que se houvesse ficado imóvel. Com o casco danificado, vários equipamentos inoperantes e sem ter a menor ideia de onde estava ou para onde deveria ir, o comandante TDAH acelerou ao máximo o motor derradeiro. O navio fantasma descreveu uma enorme parábola e começou a retornar em sua perseguição. Mais um golpe daqueles e seria o fim.
Instintivamente sabia que a velocidade do navio fantasma era superior à sua e só um golpe de sorte o salvaria. E ele veio. Ao golpear o leme sem saber para qual direção, o comandante  TDAH retomou a rota correta e, um vez nela, colocou-se de frente para o nascer do sol. E ele nasceu, e ao nascer levou com ele o navio fantasma que necessitava da noite mais densa para agir. Ao ver os primeiros raios de sol o comandante sabia que estava salvo. Suas lágrimas misturavam-se ao seu sorriso e ele comemorava sua vitória, havia escapado do implacável inimigo.
O sol trouxe um mar liso, um dia claro sem nuvens. Esgotado o comandante TDAH foi avaliar os estragos. E eles eram muitos e graves. Mentalmente fez uma estimativa dos gastos e concluiu que a melhor solução seria vender aquele navio e adquirir um outro menor, mais barato, quem sabe até mais rápido.
E então ele chorou. Sozinho na ponte de comando ele reconheceu para si mesmo que, mais uma vez, ele fora o responsável pelo seu desastre. Negligenciou as conferências básicas, ignorou os avisos dos equipamentos e achou-se a cavaleiro da situação. Descobriu com um altíssimo custo que estava errado.
Mais uma vez teria de se desfazer de seus bens, de reduzir sua capacidade, para adequar-se a uma nova realidade imposta por ele mesmo.
Por entre as lágrimas ele divisou a silhueta de sua terra querida. Ali estava de volta, em segurança. Abatido, danificado, mas vivo.
Naquele momento ele entendeu que seu papel naquela sociedade poderia ser diferente, não exatamente como um navegador, mas como um farol! Um farol que clareasse a noite mais profunda e que mostrasse aos outros navegadores como evitar os perigos que aquela travessia poderia oferecer-lhes.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O FESTIM DIABÓLICO DO TDAH




Logo ao primeiro olhar vê-se que comemoram uma vitória. Uma vitória há muito desejada, com o sabor dos velhos tempos, a comemoração da volta ao passado.
Do local onde se reúnem, os sabotadores apreciam a derrota das novas forças. Do alto de sua vitória organizam um banquete regado a bebida, comida e sangue. Sangue? Sim sangue. Não o sangue concreto dos mortais, mas o sangue derramado por aqueles que representavam a nova vida, uma vida de conquistas e novos caminhos. Ah, os sabotadores se cumprimentavam  uns aos outros recordando os tempos de glória, um tempo em que exerceram o império absoluto. um tempo em que derrotas como a de hoje eram constantes e os enchia de energia e orgulho.
O festim de hoje trazia um clima de euforia, quase histeria, há tanto tempo não se reuniam, não comemoravam uma grande vitória.
Recordavam os melhores momentos, os momentos em que me deixaram crer que caminhava no sentido correto. Sozinho, no silêncio da madrugada, julguei montar uma estratégia perfeita para enfrentar o embate que se avizinhava. Criei a maneira perfeita de induzir minha oponente ao erro, de desmascará-la deixando-a sem argumentos para sustentar sua tese alicerçada na mentira.
Cheguei cedo ao local, repassei cada detalhe sem perceber que naquele momento já se inciava em minha mente o Festim Diabólico do TDAH. Meu sabotadores já comemoravam minha derrotada iminente, àquela altura não tinha volta, meu exército já se encontrava no fundo do desfiladeiro cercado de índios por todos os lados (imagem típicas dos filmes de faroeste da minha infância). Mas, o tombo é muito maior quando cremos que estamos no pleno domínio da situação. Minha atuação era convincente e mantive-me bem próximo daquilo que havia planejado, mantive-me firme na minha posição, não transigi.
Então veio a queda, a decepção, a frustração, a raiva de mim mesmo, a enorme vontade de me auto punir.
Uma pergunta simples e óbvia: documentos que validam sua presença nesta audiência?
Um raio atingiu-me a alma. Não os trouxe, sequer lembrei de sua necessidade.
Neste momento fogos espoucaram encobrindo o som das garrafas de champanhe que eram abertas em meu Lobo Pré Frontal; a comemoração até então discreta era agora feérica, monumental. Os longos meses de hibernação acabaram, a miríade de sabotadores está de volta. Alguns deles pálidos esquálidos, mas com sua capacidade de agir sorrateiramente intacta. Os sabotadores dançam e cantam no meu Córtex Cerebral, alguns estão tão animados se sentindo-se tão fortalecidos que sonham com a volta do tempo em que dominavam quase todo o meu cérebro e se preparavam para tomar de assalto minha alma.




Saio do prédio às pressas, envergonhado, humilhado, entorpecido pela pancada.
Sou eu o único responsável. Ainda no carro procurei mentalmente alguém em quem lançar a culpa, mas não há. Eu fui displicente, tudo parecia tão fácil, tão óbvio, tão primário. O comportamento típico dos velhos tempos: altas elocubrações, estratégias mirabolantes para induzir o adversário ao erro e não levei um único documento que validasse minha presença naquele embate. Grosseiro, simplesmente grosseiro.
Senti-me, como outrora, um biltre. Um irresponsável incapaz de dirigir a própria vida.
Ao atravessar o rio em direção ao trabalho, deu-me uma imensa vontade de atirar-me da ponte com o carro e tudo.
Mas isso seria a coroação da derrota, a entrega final aos sabotadores; uma overdose de TDAH.
Cheguei na loja à beira do desespero; sentia-me a última criatura do reino animal. Estava eu assim, completamente absorto em meu auto flagelo quando chegou uma senhora humilde cujo filho havia quebrado o cartão de memória dentro de seu celular. Sei lá por quê, algo no seu jeito de falar me levou a pegar seu aparelho e resolver a questão na hora, coisa que raramente faço.
Entreguei-me àquele trabalho por uns quinze ou vinte minutos; ao final, ao devolver o celular a ela com o problema resolvido eu era uma outra pessoa. Alguns minutos de concentração em meu trabalho, coroado com uma das dezenas de pequenas vitórias que tenho ao longo dos meus dias trabalhados, me regeneraram. Eu sei o que estou fazendo e faço bem feito.
Ninguém é perfeito, com ou sem TDAH. Tomei uma cacetada violenta que quase me derrubou, mas hoje eu tenho meu trabalho de onde tiro uma série de compensações e prazeres diários e isso me faz feliz.
Aprendi mais uma hoje, aos quase 52 anos: não subestimar meus sabotadores. Eles não dormem, apenas cochilam esperando um vacilo, um momento de distração para tomar minha mente de assalto.
Cabeça erguida e pé na estrada. A ferida sangra, mas sua cicatriz tem de ser um marco nesse longo aprendizado de combate ao TDAH.
Os sabotadores comemoram em meu cérebro, mas no entorpecimento da festa eles não perceberam que cambaleei, mas não caí.

domingo, 30 de setembro de 2012

A LENDA DO PRÍNCIPE COM TDAH






Conta a lenda que no interior de um reino distante vivia um príncipe jovem, belo, rico e muito, muito triste. Vivia solitário em seu castelo, cercado de luxo e tristeza.
O príncipe não foi assim na sua vida inteira. Na adolescência foi um rapaz ativo, cheio de amigos e sonhos. Ele não sabia, mas no fundo de sua alma ele cultivava um monstro que mais tarde o dominaria: a insatisfação. Ao atingir a idade adulta o príncipe perdeu-se. Encantou-se e frustrou-se com vários cursos superiores; experimentou várias profissões; das mais nobres às mais plebeias; tentou as artes: o teatro, a música, a literatura. Nada. Após um início promissor em quase tudo que experimentava, o príncipe era invadido por uma insatisfação que o dominava completamente, paralisava sua vontade, suas ações, sua coragem. E ele abandonava mais aquela tentativa. Ganhava mais uma cicatriz, mais uma marca naquela alma já tão repleta delas.
Os sucessivos fracassos e abandonos foram criando naquele príncipe uma tristeza e um constrangimento cada vez maiores. Passou a evitar seus pares; não tinha do que se vangloriar, tornou-se ácido crítico da nobreza de seu país chamando-a de sanguessuga e parasita da sociedade. Começou a ser mal visto pela casta superior que passou a isolá-lo.  Por viver num reino onde a rigidez social era a regra, começou a isolar-se de todos. Longe dos nobres por opção e das classes baixas pelo rígido costume de seu país, o príncipe fechou-se em seu castelo vivendo para os livros e os parcos escritos que produzia. Somente quando era absolutamente necessário, comparecia às solenidades reais onde era alvo de chacotas por usar sempre as mesmas roupas desgastadas e antiquadas. Sua absoluta incompetência para gerir a fortuna que herdara era folclórica no reino e alvo de piadas e escárnio nas altas e baixas rodas sociais.
Ao atingir a meia idade o príncipe havia vendido quase todas as suas terras, títulos e obras de arte. Desfizera-se também de laços de afeto e amor e via-se na iminência de ter de vender seu castelo e acabar sozinho e abandonado numa casa modesta que outrora fora ocupada por uma das criadas de sua mãe.
Vagando pelos enormes aposentos do castelo o príncipe procurava algo que explicasse sua eterna e profunda insatisfação. Olhava para trás tentando encontrar em sua vida pregressa o momento em que foi dominado por essa doença; uma estranha doença que transformou sua vida num redemoinho infinito.
Um sofrimento difuso e silencioso tomava cada fibra de seu corpo, lhe oprimia o peito e tolhia sua iniciativa de reerguer-se.
Quem olhava de fora estranhava e ridicularizava a vida aparentemente infrutífera daquele príncipe. Riam da sua incompetência para a vida, para ganhar dinheiro, para manter seus casamentos, seus amigos e sua posição social.
Mas lá dentro, na solidão escura do castelo, o príncipe lutava para abrir as janelas enferrujadas e emperradas na desesperada esperança de que a luz do sol e o ar puro renovassem suas forças , as forças de sua alma, e iluminassem um novo caminho em sua vida; menos sujeito à ação desse terrível monstro da insatisfação. Ao mesmo tempo, ele sonhava com o dia em que os cientistas do reino descobririam a cura para essa estranha doença que praticamente incapacita pessoas inteligentes e de físico perfeito para uma vida plena, feliz e produtiva.

O DESÂNIMO DO TDAH



                         



Meu ânimo é feito de casca de ovo e o TDAH, de aço.
Assim levo a vida. O TDAH esmaga diariamente meu ânimo, minha vontade de prosseguir, mas como diz sabiamente meu amigo Frank, "o TDAH que te destrói é o mesmo que te dá forças para reerguer-se". Às vezes sinto-me como aqueles personagens que estão sendo torturados, já não suportam de sono e cansaço e os torturadores os mantém acordados para continuar o interrogatório. Dizem que é uma tática para quebrar a vontade do interrogado, fazer com que ele se entregue e confesse. Luto há mais de cinquenta anos com esse torturador e ainda não me entreguei.
Ultimamente venho me enterrando vivo. Não saio, não converso, não tenho vida social, não leio, não ouço música, não toco sax; morri! Ontem, num arroubo de ânimo, coragem e irresponsabilidade, larguei tudo e viajei ( coisa que eu não fazia há mais de um ano por motivos diversos) ao entrar na BR040 me deu uma enorme vontade de ouvir música, coloquei na maior altura e, confesso, quase chorei de alegria. Senti-me vivo como há muito tempo não sentia. Dirigir numa estrada, sozinho, ouvindo minhas músicas preferidas, agradeci a Deus pela oportunidade.
E hoje, chegando em casa, deparo-me com um comentário anônimo de uma leitora de 34 anos queixando-se do desânimo. Voltou a fazer faculdade, estava amando o curso, ESTAVA, o desânimo apossou-se dela e, pelo que senti, está à beira de abandonar mais um curso.
O que dizer a ela? Coragem, levante a cabeça e siga? Se fosse fácil assim nem precisava de ritalina, psicólogo ou coaching.
Não sei exatamente o que dizer, o que você precisa é FAZER algo por você, algo que te encha de prazer, como eu fiz ontem e hoje. Fiquei pouco mais de 24 horas fora, mas voltei renovado, cheio de ideias e ânimo. Decidi tirar a terra que já me cobria e sair do fundo dessa cova escura e úmida em que eu mesmo me meti. Por preguiça, comodismo, desânimo, indecisão, apego, e sei lá mais quantas outras razões me levaram a isso. Creio que até por pena de mim mesmo; pra sentir auto piedade.
Pouco mais de 500 quilômetros de estrada, a possibilidade de uma mudança radical em minha vida fizeram renascer em mim todas as esperanças sepultadas pelo desânimo crônico que me habitava nos últimos meses.
Faça algo que você realmente goste, minha amiga. Não precisa ser nada grandioso. Dê-se pequenos prazeres. Dê-se presentes. Lembre-se de você, que você existe, que você merece. Você está fazendo a faculdade por você ou pelos seus filhos? Tem que ser por você e para você. Se não for, for na base do sacrifício por um futuro melhor você vai precisar de 'afagos' paralelos para te reanimar, reerguer.
Lembre-se, você existe, você precisa ser 'enxergada' por você mesma. Tente lembrar-se de algo que você realmente gosta e que não se dá há muito tempo.
Crie um momento seu, para você, pra você bater perna, passar uma tarde lendo, ou no cinema, ou fazendo tricô ou artes marciais.
Você precisa de um bálsamo de vez em quando.
Hoje eu sou outra pessoa, com outro ânimo, com outros horizontes.
Se amanhã meu ânimo se partir, terei de juntar os cacos novamente, mas com certeza ele estará menos despedaçado do que dessa vez.

domingo, 23 de setembro de 2012

TDAH, POR QUE VOCÊ FAZ ISSO COMIGO?







Meu último post foi sobre organização e dei dicas de como me organizo e faço para não esquecer os compromissos. O que aconteceu na última sexta feira? Dei bolo na minha coach; simplesmente perdi minha sessão de coaching.
Parece até proposital; meus sabotadores observaram meu post, me acharam muito auto confiante e me deram uma rasteira. Me dei uma rasteira.
Posso empurrar a responsabilidade para meu celular. Tenho mudado de aparelho quase que toda semana desde que vendi meu Atrix. Ainda não achei nenhum melhor ou igual a ele e acabei me confundindo na hora de lançar o compromisso, aquela porcaria não apitou, nem deu nenhuma espécie de aviso e esqueci completamente da sessão de coaching. Só me lembrei ontem, quase 24 horas depois. Lembrei não, fui dar uma geral no celular, nos compromissos da semana, e me deparei com a anotação da sessão de sexta feira.
Como disse a Ana Beatriz no comentário que fez sobre o post anterior: " Aí me vem um sentimento de raiva de mim mesma, como uma tijolada na cabeça." Perfeito, Ana Beatriz! Uma tijolada na cabeça, uma frustração, uma vergonhas, um sentimento de incompetência, são tantos sentimentos que fica até difícil de descrever.
Sinceramente, tô com tanta vergonha que ainda nem dei uma satisfação à Luciana, minha coach.
Fico pensando até quando ela vai ter paciência comigo...
E eu, até quando serei refém desse desgraçado desse TDAH?
Mas, sendo honesto e sincero, será que foi mesmo o TDAH ?
Enquanto escrevo, penso e repenso; minha coach, Luciana Fiel, me propôs em nossa última sessão medidas fortes e extremas na minha vida. Será que esqueci de propósito? Para não enfrentá-la?  Ou enfrentar minhas decisões? E se assim foi, isso também pode ser fruto do TDAH? Onde começa um e termina o outro?
De qualquer maneira não é a primeira vez que me 'puno' após um post em que descrevo meus progressos,
Não posso me sentir o pior do mundo, mas é inevitável me sentir 'um dos piores do mundo'.
Dar bolo é um desrespeito, ainda mais numa pessoa que é fundamental em minha vida.
Não vou cair na tentação de usar esse post para me desculpar publicamente pelo meu comportamento, seria muito fácil e dispensaria conversar pessoalmente com ela, o que é sempre mais difícil. Em lugar disso, vou assumir o compromisso público de telefonar para ela na segunda feira para me desculpar pessoalmente.
No mais, é levantar a cabeça e seguir em frente. E trocar de celular imediatamente. De volta ao  Android.