quarta-feira, 21 de novembro de 2012

UM TDAH SOB PRESSÃO

Quer destruir o equilíbrio de um TDAH? Pressione-o. Mas pressione-o mesmo, deixe-o sem saída; exija dele decisões imediatas, prontas respostas, soluções a jato. Você deve obter dois resultados: aqueles que desmontam completamente e os que atacam. Eu faço parte do segundo grupo.
Tenho uma característica de evitar confrontos, tentar sair pela tangente e evitar certas situações em que me sinta acuado. Mas nem sempre consigo.
Quem me conhece pessoalmente não acredita que sou a mesma pessoa que escreveu alguns posts sobre ataques de fúria, mas sou eu mesmo. Sob pressão, sai de baixo. Detesto violência, mas fui aquinhoado com uma personalidade sarcástica, um vastíssimo vocabulário e muita facilidade de me expressar. Imagine isso tudo acrescido de raiva. Em geral é o completo desastre! Mas descarregar sua ira sobre uma ou mais pessoas é fácil, mas e sobre a vida? E quando a pressão é difusa, ou um somatório de fatos sem nenhuma responsabilidade definitiva?
Pois é. Esses dias tem sido assim. Sozinho na loja, com um enorme acúmulo de trabalho de manutenção, vendas em queda, compromissos aos montes e uma estranha coincidência de serviços de grande complexidade e responsabilidade me vi completamente acuado.
Ontem me deparei com três aparelhos abertos em minha bancada. Nem sei como isso se deu, creio que na ânsia de ver os aparelhos prontos fui abrindo um depois do outro sem perceber. Parei, respirei fundo, fechei dois deles e recomecei o mais antigo.
Sob pressão eu me perco, me confundo e começo a buscar válvulas de escape. Tenho me policiado pra não acessar a internet durante o expediente. Trabalho com o PC diante de mim o dia todo, meu trabalho é impensável sem ele, e volta e meia me pego viajando nele. E a pilha de celulares pra consertar aumentando.
Agora mesmo, enquanto escrevo esse post, lembrei-me de quem um Galaxy S está me esperando pra ser atualizado. Mas quando resolvo escrever é por que preciso, não dá mais pra segurar.
Aqui faço uma referência a um post antigo meu em que afirmo que a Ritalina não faz milagres, e não faz mesmo; tomo as minhas religiosamente, mas em determinados momentos (que já são difíceis para não portadores) pra gente é muito mais complicado. Exige um maior policiamento, uma atenção redobrada e muita, mas muita paciência e dedicação. Enfrentar o TDAH não é fácil, não existe um medicamento milagroso, não passa como uma dor de cabeça. Não adianta chamar a Neosa, nem mesmo a Rita, elas não virão em nosso socorro.
A Ritalina fortalece nossas defesas, nos deixa mais atentos, mais pro ativos, mas não nos torna invencíveis. Precisamos de nós mesmos, de nossa dedicação, de nossa força de vontade, de nossa vontade de salvar nossas vidas do naufrágio.
Não se deixe enganar, sem você não há medicamento que melhore a sua vida.
Se alguém tiver uma estratégia pra lidar com as pressões do dia a dia, por favor, me ensine.