sábado, 22 de dezembro de 2012

O TDAH E A LINEARIDADE DE PENSAMENTOS





Tenho muita dificuldade em acreditar em um TDA sem H. A hiperatividade é, normalmente, associada a um moleque desesperado, agitado, sem educação e sem limites. Mas e nossa atividade cerebral? Os pensamentos que nos invadem, que se atropelam, emendando um no outro e terminando muito longe de onde tínhamos inciado?
No meu caso, a hiperatividade na infância foi física mesmo. Lembrei-me ontem de uma vez, eu deveria ter uns cinco ou seis anos, e fui ao parque de diversões pela primeira vez.Quase enlouqueci meus pais pois saltava de um brinquedo pra outro e não queria ir embora. Pra sair dali fui literalmente arrastado, sendo seguro pelos braços pela minha mãe e pelas pernas pelo meu pai, enquanto corcoveava feito um possesso. Essa é minha doce lembrança de um parque de diversões. Apesar dessa experiência inesquecível, quando fechei a loja de tintas cogitei em montar um micro parque de diversões itinerante. Seriam duas ou três atrações no máximo, com as quais eu percorreria cidades do interior do Brasil. Fiquei tão empolgado que comprei seis botes motorizados com uma piscina de plástico, desse tipo que tem em shopping onde as crianças pilotam seus barquinhos. Graças a Deus o cartão de crédito não foi aprovado e o negócio acabou morrendo. Santo cartão de crédito! Engraçado como as pessoas jogam com a vida. Ontem veio um cara aqui na loja me oferecendo um Nokia Lumia 710. Ele comprou no cartão do Magazine Luiza por mil cento e oitenta reais e veio me oferecer por quinhentos reais. Com nota fiscal, caixinha, garantia estendida e tudo. Disse que iria pagar todas as prestações mas eu não acredito. Imagino que ele vai dar o cano no Magazine Luiza ou no cartão de crédito. Uma vez a Cristina, no tempo da loja de tintas, foi cobrar uma mulher que havia nos dado um cheque sem fundos; ao confrontá-la, ouviu da caloteira a seguinte resposta: uai, o Jeferson não pagou? Eu vendi meu nome pra ele em troca de duas cestas básicas por mês. Ele vinha pagando todo mundo, a senhora é a primeira que vem reclamar. Isso é Brasil. Nosso país é único no mundo. Jamais teríamos uma revolução comunista aqui, as pessoas possuem uma criatividade ilimitada para burlar e trapacear. Quando eu tinha distribuidora de doces, lá se vão uns vinte e cinco anos, apareceu um sujeito fortão e me comprou dez quilos de balas. Naquela época, numa cidade pequena, era um volume considerável. Uns três dias depois ele voltou e comprou mais dez quilos, dois dias depois mais cinco. Aí não resisti e perguntei: onde você tem bar, que vende tanta bala? A resposta dele foi sensacional: tenho bar não moço, sou sócio de aleijado. Fiquei perplexo e ele me explicou: eu empurro a cadeira de rodas do aleijado, ajudo em sua locomoção e em troca rachamos o lucro da venda de balas no sinal de trânsito. Um saco de balas vinha, em média 250 balas, eles fracionavam em pacotes com dez. Um único pacote pagava todo o quilo, o resto era lucro.E, lembro-me bem; ele falou que todo mundo tinha pena do aleijado e, em geral, não cobravam alimentação ou estadia dele, somente do sócio. Imagina se num país com essa criatividade alguém iria topar fazer uma revolução socialista? Que me perdoem as pessoas com necessidades especiais, mas o termo aleijado foi usado pelo próprio rapaz. Naquela época não havia essa consciência de se respeitar a condição das pessoas, daí o uso do termo que pode soar agressivo.
Mas onde estava mesmo? Ahhhhhh, na hiperatividade mental.
Acho que vou parar por aqui. Já estou meio cansado...
Esse negócio de hiperatividade mental talvez seja um exagero mesmo...