quinta-feira, 8 de novembro de 2012

UM TDAH À NOITE E OUTRO DE DIA






Já disse mil vezes que os comentários são uma enorme fonte de inspiração para meus posts. Esse não é diferente. Ontem escrevi meio post, não gostei e apaguei. Estava sem inspiração. Ao ler o comentário da Daniele me veio essa súbita vontade de escrever. Mesmo que seja às 22:56.
Daniele em seu comentário fala sobre seus devaneios e projetos noturnos que ela acha viáveis e ao amanhecer, à luz do dia, lhe parecem inexequíveis e estapafúrdios. Bingo!
Isso é TDAH em estado puro.
Perdi a conta de quantas vezes solucionei os meus problemas com projetos mirabolantes que me pareceram um achado. Ao acordar haviam se transformado em elefantes brancos ou simplesmente viraram fumaça.
Pensar talvez seja o maior mistério do ser humano. Do nada criamos imagens, situações e sentimentos que podem jamais ter existido ou vir a existir fora de nossas mentes.
Para o TDAH isso não é nada. Viajamos. Viagens intergalácticas, inter humanas, inter espirituais, sei lá, inter tudo. Nosso pensamento é feérico, incontrolável e com tendências megalomaníacas. Emendamos um pensamento em  outro, um sentimento em outro e um pedaço de papel caído no chão pode originar pensamentos grandiloquentes e viagens cósmicas. E aí entra o comentário da Daniele. E como bom TDAH e do contra (sou do contra em quase tudo, rsrs) comecei a pensar cá com meus botões: será que os projetos são realmente ruins ou após uma noite de sono esquecemos sua essência? Sei lá, na maioria das vezes creio que são ruins e infundados mesmo, mas se usarmos as técnicas de brainstorming  talvez consigamos aproveitar algo na manhã seguinte. Como é do nosso feitio, nunca anotamos nada e anotar devaneios é algo muito mais improvável; mas talvez fosse o caso de gravar de alguma forma as linhas gerais do projeto noturno para submetê-lo à lógica e racionalidade matinal, quem sabe aproveitaríamos algo. E aqui vou defender nossos devaneios. Quando digo que nossos pensamentos são feéricos e coisa e tal, não estou afirmando que pensamos maluquices, mas sim que não temos limites ou freios. Mas temos, em geral, um fio, uma linha de raciocínio, um tema que embasou aquela viagem. E sempre podemos extrair algo disso.
Por dezenas de vezes tentei me programar para uma determinada conversa ou negociação, muitas vezes cheguei a traçar um roteiro, mas nunca consigo cumpri-lo. Ainda que no início eu siga o caminho que tracei, a interação com a pessoa do outro lado me traz uma enxurrada de novas ideias, novos pensamentos que naquele instante me parecem ótimos e até melhores do que eu havia me programado a fazer. E aí eu me dano. Ao sair do caminho embrenho-me por trilhas que mais e mais me distanciam do roteiro traçado e acabo esquecendo-me de detalhes e argumentos importantes. Deixo para trás o que deveria ter sido dito em prol de novas ideias que me tomaram de assalto no calor do debate. E aí, normalmente, me ferro.
Mas assim como os projetos de ontem à noite, a enxurrada de novas ideias não são exatamente inúteis, elas precisam ser filtradas, encaixadas na ordem e no lugar corretos dentro do roteiro inicial. Elas podem acrescentar, assim como o projeto que ao amanhecer nos parece delirante, podem trazer a semente de uma solução que tanto ansiamos.
O que precisamos é de equilíbrio. Nada é tão ruim que deva ser, simplesmente, atirado ao lixo, ou tão bom que substitua tudo aquilo que foi previamente estudado e projetado.
Nossos devaneios não são viagens psicodélicas inúteis, mas precisam ser filtrados e analisados como complementos e acréscimos ao que conseguimos fazer diariamente com umas ritinhas na cuca.