AS DERRAPAGENS MENTAIS DE UM TDAH
Já disse em outros posts que em tudo na vida tenho gostos muito restritos e até mesmo, digamos, muito particulares. Uma desses gostos é o de dirigir ouvindo rádio, mas como gosto de pouquíssimos estilos musicais, as rádios quase nunca me satisfazem ; acabo optando então por ouvir a rádio AM. Quase não tem música, um blá blá blá sem fim, uma falação boba e sem nenhuma utilidade, na maioria das vezes, que não me exige concentração no que dizem (que poderia tirar minha atenção da direção) e me servem de companhia quando estou só. Se entra alguma música indesejada mudo de estação ou desligo por alguns minutos.
Hoje aconteceu algo interessante e divertido, estava eu dirigindo e sintonizei a rádio Globo AM e naquele instante era apresentado o programa do Padre Marcelo. Não sou católico e nem tenho nenhuma simpatia especial pelo padre Marcelo, mas na hora em que sintonizei ele falava sobre a história da vida de São Cristóvão e as razões pelas quais ele fora escolhido como o padroeiro dos motoristas. Dali há pouco ele começou uma oração em favor dos motoristas de maneira geral e ao final dessa oração iniciou uma música.
Em 99,9% dos casos essas canções religiosas são muito fracas em letras e músicas e essa não era diferente, falava sobre a história de um coxo que pedia esmola e seu encontro com Pedro, que afirmou que não tinha ouro ou prata mas ordenou que o coxo levantasse e andasse em nome de Jesus. Nesse momento, eu que vinha acompanhando a letra da música (bem primária por sinal) emocionei-me imaginando aquela cena: um mendigo aleijado sendo erguido e curado por Deus através de Pedro. E o refrão se repetiu uma ou duas vezes, foi o bastante para o fim do clima. Logo, logo, a imaginação do TDAH entrou em ação e quando o cantor repetiu que Pedro disse ao coxo: levanta e anda em nome de Jesus, eu logo pensei: bonito se ele falou isso e o coxo levantou, saiu correndo e caiu na farra. Imaginei um sujeito em andrajos, imundo, barbado, correndo e gritando de felicidade por estar andando e caindo na vida, esquecendo-se de tudo por que passou e quem o curou.
Essa viagem foi longe e não sei mais como terminou a música ou o programa, dali pulei pro TDAH, deste pra chuva que caía, se eu deveria ou não deixar na loja a máquina de café, etc, etc.
Desnecessário dizer que caí na risada quando percebi a enorme derrapagem mental que tive. Claro que contado aqui não tem graça nenhuma, mas a imagem do mendigo dando no pé na minha cabeça foi muito engraçada. Destruiu o clima que se armava na minha alma, no meu coração. Na hora pensei se havia tomado minha ritalina, e havia; ou seja, nem ela segura totalmente as viagens mentais do TDAH.
E isso abre uma outra questão: se bem administrada, na dosagem apropriada, a ritalina não transforma ninguém em robô. Creio que nos casos em que há essa reclamação existe uma super dosagem ou uma posologia inadequada. Na minha vida, com a minha experiência pessoal, a ritalina não alterou minha personalidade, ela melhorou minha qualidade de vida, minha concentração e em um ano de tratamento com ritalina eu produzi, se não me engano, 188 posts nesse blog, escrevi uma meia dúzia de contos, desenvolvo uma nova profissão e preciso ter pulso firme para controlar minha imaginação.
A ritalina não dopa ninguém, não troque de remédio, troque de posologia, concentração ou de médico.



Oi... nunca falei nada diretamente sobre tdah no meu blog... mas... fica ai uma postagem...
ResponderExcluirpra qq pessoa, mais uma postagem.. pros TDAHs, mais um encontro:
http://www.libelulahelicoptero.blogspot.com.br/search?updated-min=2012-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2013-01-01T00:00:00-08:00&max-results=4
Ah... ja ia me esquecendo... é só um dica (dica?)... q ja devem ter te dado mas.. enfim... tentei ler mtas postagens... mas fiquei no meio de todas... são bem longas, né... rs.