AFINAL, O QUE É SER TDAH? ( A OBSTINAÇÃO DE RECOMEÇAR)
"Nota de Atualização (Dezembro de 2025): Esta é a parte 3 de uma série de reflexões que escrevi ao longo dos anos sobre a essência do TDAH. Hoje, entendo que o que descrevo aqui como 'andar em círculos' ou 'entrar na gruta' são manifestações da Cegueira Temporal e da busca incessante por estímulo. Revisitando esta trilogia, percebo que ser TDAH é viver em um ciclo constante de queda e renascimento — um processo que a ciência explica, mas que só quem vive consegue traduzir em palavras."
Ser TDAH é caminhar numa gruta desconhecida.
É enfrentar a
escuridão úmida e fria sozinho.
É enganar-se com fachos de luz inalcançáveis e inatingíveis.
É descobrir-se repetindo o mesmo caminho errado infindáveis
vezes.
É crer-se capaz de fazer o impossível, mas desistir diante
do factível.
É atravessar incólume
um longo caminho lodoso para cair no primeiro metro
de terreno firme e sólido.
É obstinar-se no erro.
É explodir diante do nada.
É entregar-se em meio ao caminho.
É desistir de voltar atrás.
É adiar a volta.
É adiar o desfecho. Mesmo o desfecho mais esperado.
É encontrar forças em meio aos esqueletos dos que sucumbiram
no mesmo caminho;
e seguir adiante.
É ter força para encarar-se e perdoar-se após cometer os mesmos
erros dezenas de vezes.
É olhar para dentro de si e descobrir que a força ali está.
É erguer-se onde todos desistiriam e tentar
novamente.
É continuar caminhando ainda que lhe sangrem os pés.
É encontrar o caminho, a saída, quando não mais acreditava que seria possível.
Ser TDAH é sair da gruta, respirar o ar puro, sentir o calor
do sol na pele, dançar na relva macia da liberdade.
E decidir entrar na caverna de novo,só pelo desafio de encontrar a saída novamente.
"Este texto faz parte de uma trilogia. Não deixe de ler as outras partes:
Para suporte científico sobre esses ciclos emocionais, consulte a



... É ser Humano com uma lupa, e sem pele jogar-se no mar , com a dor , a coragem e a inconsequência de uma eterna criança. Sinto isso no texto acima todos os dias da minha vida , intensamente. Lindo texto , Alexandre. Um abraço.
ResponderExcluirObrigado pelo elogio Alice.
ExcluirEssa é a nossa vida, né?
Lutamos contra nós mesmos, contra os preconceitos e contra o desinteresse.
Mas vamos vencer!
Um abraço
Alexandre
Otimo texto caro poeta!!
ResponderExcluirObrigado, Evandro!
ExcluirÉ puro sentimento!
Um abraço
Alexandre
É a nossa cruz.
ResponderExcluirÉ o peso que nos prende ao chão, mas a força que move as nossas pernas.
É o paradoxo incansável entre a auto-sabotagem e a força para seguirmos adiante.
O nosso leão diário.
Você, como sempre, colocando absurdamente em palavras aquilo que está na cabeça de todos nós.
Abraços,
Frank
Oi Frank.
ResponderExcluirÉ isso aí, meu amigo.
Nosso eterno paradoxo, vc também nos define muito bem.
Um abraço
Alexandre
Fiquei emocionada por me ver no poema.
ResponderExcluirQue bom que te emocionou.
ExcluirA mim emociona sempre, a cada vez que leio.
É verdadeiro, né.
Um abraço
Alexandre
Parabens meu xara schubert!
ResponderExcluirPs. Schubert melo
Texto muito sábio, pois descreve exatamente a alma e o caminhar com os impulsos e atitudes de uma pessoa com tdah. Conhecendo um pouco desse transtorno, comportamental, nós ajuda a compreender o sofrimento e a luta de conviver com uma pessoa que amamos e que às vezes ficamos atônitos com seus gestos e atitudes incompreensíveis, e que nos faz sofrer por pouco podermos ajudar. Excelente texto,pela sua humanidade expressada em palavras que nos emociona e nos humaniza para convivência com esse ser tão carente de compreensão, no entanto precisa compreender que conviver com humanos precisa estar atento com os limites para não ferir tanto as pessoas que ama. Namaste! O Deus que tenho em saūda o Deus que vejo em você.
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