POR QUE PAREI DE TOMAR RITALINA.


Homem de meia idade, com o rosto pousado sobre a mão, reflete sobre a conveniência de manter seu tratamento com Ritalina. Sobre a mesa um frasco de capsulas aberto.


Nota do Autor 2026 Este post encerra uma jornada de dezenas de relatos. Decidi que, aos 65 anos, meu foco é a qualidade de vida. Se o remédio traz foco, mas rouba a paz com ansiedade, a conta não fecha mais para mim. Avalio o uso de novos medicamentos e outras estratégias de tratamento do TDAH.


O Despertar: De uma Velha Revista ao Diagnóstico 


Ao ser diagnosticado com TDAH há quinze anos, a desatenção, a falta de foco e o desânimo de viver tomavam minha mente. Era um momento particularmente difícil, de perdas muito grandes e, consequentemente, de luto.

Perdido, encontrei nas páginas amarelas de um exemplar antigo da revista Veja uma entrevista com a Dra. Ana Beatriz em que me vi retratado com uma fidelidade absurda. Da leitura daquela entrevista para minha primeira consulta com a Dra. Valéria Modesto não demorou 24 horas.

Ali mudei minha vida.

Daquela consulta, de mais de três horas de duração, nasceu este blog e uma nova trajetória. Melhor? Pior? Jamais saberei. Mas, com certeza, diferente.

A Dança das Dosagens Ritalina LA vs Comum

Meu primeiro medicamento foi a Ritalina LA, de efeito prolongado. A mudança na atenção, no foco e no ânimo foi brutal — mas veio acompanhada de uma irritação profunda, quase incontrolável.

Sempre ao lado da Dra. Valéria, ajustamos a medicação para a Ritalina comum.

Bingo.

A atenção, o foco e a motivação permaneceram, mas sem a irritação intensa da versão LA.

Durante anos segui com a Ritalina, alternando períodos de suspensão e retomada.

A Experiência com o Venvanse e o Retorno à Origem

Quando surgiu o Venvanse, decidimos — eu e a Dra. Valéria — experimentar a nova medicação, que parecia ser a solução definitiva para o TDAH.

Não foi.

Não percebi ganhos significativos em relação à Ritalina. E surgiu um efeito colateral muito estranho: um descolamento da realidade. Eu parecia assistir a um filme da minha própria vida. Nada me impactava diretamente.

Muito estranho.

Voltei para a Ritalina.

O Preço da Ansiedade

Não gosto de envelhecer. O declínio físico é desagradável. Mas a evolução mental é inegável.

Com os anos, ganhei mais paciência, mais tolerância. E isso, somado ao conhecimento sobre o TDAH, me tornou menos desatento — e muito mais capaz de manter foco e motivação, independentemente de medicação.

Passei a reconhecer aqueles sentimentos como algo estranho a mim. Não eram a realidade. Eram o transtorno.

Comecei então a perceber outra coisa.

Ao tomar Ritalina, uma sensação constante de urgência tomava conta de mim. Um estado de alerta permanente. Mãos inquietas. Pés em movimento. A impressão de que algo estava prestes a acontecer.

Ansiedade.

Muita ansiedade.

Fiz testes: suspendi, retomei, observei.

E cheguei, sem sombra de dúvida, à conclusão de que aquela ansiedade vinha da Ritalina.

A partir daí, comecei a pesar perdas e ganhos.

E concluí que a ansiedade superava os benefícios — que, sim, eram inegáveis.

E parei.

A Prática do TDAH

Hoje sigo sem medicação. Dedico boa parte do meu tempo ao blog, a pensar e a ler sobre TDAH.

Sempre me lembro de uma amiga que disse certa vez:

"A fé precisa ser praticada."

É isso.

O TDAH precisa ser praticado.

Ele precisa estar presente, consciente, à tona — para que eu não o esqueça e não seja surpreendido por ele.

Novos medicamentos? Estou acompanhando, à distância, relatos sobre o Atentah e as primeiras experiências com Canabidiol no TDAH.

Ainda não sei se tentarei.

Mas também não digo nunca.

A Ritalina foi fundamental. Aos cinquenta anos, ela me ajudou a retomar as rédeas da minha vida.

Hoje, não faz sentido conviver com aquela ansiedade.

Amanhã?

Não sei.

E tudo bem.

A vida muda.
Nós mudamos.
Os efeitos dos medicamentos mudam.
Nossas prioridades mudam.

Tratamento não é dogma.

É ferramenta.

E ferramentas existem para nos servir — não para nos definir.


Este texto faz parte da série sobre minha experiência no tratamento com Ritalina. Conheça mais textos com novas abordagens acessando a página especial: RITALINA E TDAH.



Leia Também:

                        A RITALINA E SEUS EFEITOS: Minha Experiência com Anos de Tratamento

                        A RITALINA  NÃO FAZ MAIS EFEITO? Com o Tempo o Medicamento pode                                    Deixar de fazer Efeito?

                        A RITALINA FAZ MILAGRES? O que o Medicamento NÃO faz por Você.




Saiba mais sobre os tratamentos possíveis e os mais modernos medicamentos para tratamento do TDAH acessando o site ABDA: Associação Brasileira do Déficit de Atenção.



FAQ - PERGUNTAS FREQUENTES

É possível viver bem com TDAH sem remédio?                                                                                 Sim, desde que haja um profundo autoconhecimento e estratégias comportamentais sólidas. O autor relata que, após anos de medicação, a maturidade permitiu essa transição.

O Venvanse é sempre melhor que a Ritalina?                                                                                       Não necessariamente. Como descrito no texto, cada organismo reage de uma forma. O autor sentiu "descolamento da realidade" com o Venvanse, preferindo retornar à Ritalina antes da suspensão final.


























































Ao ser diagnosticado com TDAH há quinze anos, a desatenção, a falta de foco e o desânimo de viver tomavam minha mente. Era um momento particularmente difícil, um momento de perdas muito grandes e de luto, consequentemente. Perdido, encontrei nas páginas amarelas de um exemplar antigo de revista Veja, uma entrevista com a Dra Ana Beatriz em que me vi retratado com uma fidelidade absurda. Da leitura daquela entrevista para minha primeira consulta com a Dra Valéria Modesto não demorou 24h. Ali mudei minha vida. Daquela consulta de mais de três horas de duração nasceu esse blog e uma nova trajetória de vida. Melhor? Pior? Jamais saberei, mas com certeza diferente.
Meu primeiro medicamento foi a Ritalina LA, de efeito mais prolongado. A mudança de atencao, foco e ânimo foi brutal, mas veio acompanhada de uma irritação profunda e quase incontrolável. Sempre ao lado da Dra Valéria, mudamos a medicação para a Ritalina comum. Bingo! A atenção, o foco e a motivação permaneceram sem a irritação profunda causada pela versão LA.
Durante anos segui com a Ritalina alternando períodos de suspensão, retomada... 
Quando surgiu o Venvanse decidimos, eu e a Dra Valéria, experimentar a nova droga que parecia ser a solução definitiva para os portadores de TDAH. Não foi. Não percebi nenhum ganho significativo em relação à Ritalina, e com um efeito colateral muito estranho: um descolamento da realidade. Eu parecia assistir um filme da minha própria vida. Nada me impactava diretamente. Muito estranho. E voltei à Ritalina.
Não gosto de envelhecer, o declínio físico é bastante desagradável, mas a evolução mental é inegável. Com os anos ganhei um pouco mais de paciência, tolerância e isso somado ao conhecimento do TDAH, me fez um pouco menos desatento, mas muito mais capaz de me manter focado e motivado independente de medicamentos. Só pela percepção de que aqueles sentimentos me eram estranhos, eram fruto do transtorno e não da realidade que eu vivia. Comecei a perceber também que ao tomar a Ritalina uma estranha sensação de urgência, de alerta, me tomava a mente. As mãos sempre inquietas, os pés num incansável movimento, e a sensação de que algo estava para acontecer. Ansiedade! Muita ansiedade. Fiz alguns testes suspendendo e retomando a Ritalina e cheguei, sem sombra de dúvidas, à conclusão de que aquela enorme ansiedade advinha da Ritalina. A partir daí comecei a avaliar as perdas e ganhos nos períodos de suspensão e retomadas do medicamento e concluí que toda aquela ansiedade incontrolável superava os ganhos inegáveis que a Ritalina me proporcionava. E suspendi definitivamente seu uso. 
Hoje mantenho-me sem medicação e dedicando meu maior tempo ao blog e a pensar e ler sobre TDAH. Sempre me lembro de uma amiga que disse certa vez: A fé precisa ser praticada. É isso: O TDAH precisa ser praticado! Ele precisa estar sempre à tona na minha vida para que eu não o esqueça e me deixe ser surpreendido por ele. 
Novos medicamentos? Estou acompanhando, de longe, os relatos sobre o Atentah e as primeiras impressões sobre o uso do Canabidiol para TDAH. Ainda não me decidi se tentarei. De qualquer forma, não direi jamais que nunca retomarei o uso da Ritalina, ela foi fundamental para a tomada das rédeas da minha vida aos cinquenta anos de idade, quando descobri o TDAH. Nesse momento não está fazendo muito sentindo conviver com toda aquela ansiedade, mas, se precisar novamente, não hesitarei em retomar seu uso. 
A vida muda, nós mudamos, os efeitos dos medicamentos mudam, nossas prioridades mudam. 
Tratamento não é dogma.
É ferramenta.
E ferramentas existem para nos servir — não para nos definir.

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