O TDAH E O SENTIMENTO DE INFERIORIDADE.


Uma fotografia em close-up, com iluminação pálida e fria em tons de cinza e azul esverdeado desbotado. O foco está no rosto de uma pessoa, onde apenas metade está visível, e a outra metade é obscurecida por uma transparência esfumaçada e melancólica, simbolizando a invisibilidade emocional, o cansaço e a fragmentação da autoestima no TDAH.


Nota do Autor

Este texto é um desabafo sobre os dias em que o TDAH nos faz sentir "menores" do que somos. A inferioridade aqui não é apenas baixa autoestima, mas o peso de anos lidando com a sensação de insuficiência. Escrever sobre isso é uma forma de dar nome a esses fantasmas e lembrar que, mesmo sentados à "mesa do canto", nossa história ainda tem muito a ser escrita.




A Definição da Insuficiência

Não sei o que escrever. Comecei um texto sobre sentimento de inferioridade, mas não gostei. Estava muito inferior. Afinal, o que é sentir-se inferior? Não sei se me considero tão bom ao ponto de conseguir definir esse sentimento. 
Eterna insuficiência? 
Eterna falta? Falta de caráter, falta de coragem, falta de sabedoria, falta de razão. 
Conquistar por sorte e não merecimento. 
Não vencer; os outros que perdem.

O Silêncio e a Invisibilidade

Fechar-se em si mesmo, não tenho nada a dizer. Ou a fazer. Ou a contribuir. 
Querer entrar e sair sem ser notado. E sentir-se péssimo pois ninguém notou sua presença. Ou sua ausência. 
Preparar-se arduamente para um momento e calar-se por medo de dizer besteira. 
Saber que está certo e silenciar diante do erro. 
Olhar para ser olhado. 
Satisfazer-se com migalhas do olhar alheio. Apenas um olhar fugaz, rápido e incerto é capaz de acender uma centelha de esperança nessa alma enxovalhada pela incerteza.

O Medo da Rejeição e a Escassez

Desistir de conquistar o "sim" por medo de enfrentar a possibilidade do não. 
Ser menor do que parece. 
Menos do que parece. 
Mais do que merece. 
Sentar-se à mesa do canto, ficar num canto da vida, sentir-se posto a escanteio. 
Desconfiar do amor recebido, duvidar que seja tanto, temer que o outro possa encontrar alguém melhor. É esperar cem, mas ficar agradecido por receber sessenta.

A Prisão do Medo

Amar a mão que apedreja. Melhor a pedra que o nada. 
Temer a liberdade por medo da solidão. 
Encolher-se diante da arrogância, ainda que burra. 
Encantar-se pela bajulação. 
Conformar-se com a mentira. 
Desejar a própria morte como forma de punição ao outro. Temer a morte por medo de que ninguém vá ao velório.



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Saiba como o TDAH afeta a autoestima e a saúde emocional na vida adulta no portal da ABDA: Associação Brasileira do Déficit de Atenção 



























Comentários

  1. esse post foi assustadoramente melancólico, porém, assustadoramente, familiar.. O complexo de inferioridade do TDAH é algo que assusta, apesar de nunca demonstrar isso pra ninguém. Quem me rodeia sempre vai dizer o quanto eu sou um cara confiante e positivo, mas no fundo só eu sei o quanto eu tenho medo de tudo dar errado, de ser considerado incapaz, insuficiente. São comportamentos que eu sempre julguei normais frente a frustrações, porém vou descobrindo que são comportamentos, na verdade, inerentes a uma patologia mental. É assim com isso e, provavelmente, é assim com inumeros outros pensamentos que eu julgava ser 'normal' antes do diagnóstico..

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  2. Ótimo texto, me reconheci lendo-o.

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    1. Somos muito parecidos Sté, compartilhamos os mesmos devaneios e os mesmos sofrimentos. E ainda tem gente que duvida da existência do TDAH.
      Obrigado por sua participação
      Alexandre

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  3. Olá Alexandre! Cada vez que leio teus textos mais mega, hiper, ultra contente e feliz eu fico. Porque agora, somente agora vejo que não sou a única criatura do mundo que aje e pensa assim... (tenho 34 anos).
    Aquele domingo (em março/13) que ví no Fantástico aquela reportagem sobre TDAH que me caiu a ficha..."Peraí tem alguma coisa, encontrei alguém q. se parece comigo...kkkkkkkkk." Me autodiagnostiquei tda. Fui atrás e encontrei teu blog.
    Agora não paro mais de ler!
    Valeu,
    Vanessa

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    1. Bom dia, Vanessa!
      Mas você procurou um médico? está se tratando?
      Cuide-se Vanessa, a vida tratada é mega, hiper, ultra melhor!!!! rsrs
      Não se sabote, amiga, corra já pro médico.
      Acesse o site da ABDA(www.tdah.org.br) e veja se existe algum médico em sua cidade cadastrado no site. Se não, procure um neurologista ou psiquiatra, mas certifique-se de que ele trata de TDAH, existem uns pseudo médicos por aí que nem reconhecem a existência da doença.
      Abração e seja feliz
      Alexandre

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    2. Alexandre, eu descobri aos 32 anos, faz quase 13 que convivo com o diagnóstico e não me acertei ainda quanto a isso.
      O meu problema é principalmente na dificuldade de ter uma comorbidade junto, já que trato de ansiedade crônica (agora numa fase melhor, ainda que no meio da pandemia).
      Estimulantes (ritaline, venvanse, etc) não deram certo pra mim, tenho crises homéricas de ansiedade, potencializa demais esse problema.
      Mas ainda não desanimei (apesar de ter dias que sim), penso que ainda vou me sentir mais satisfeita e menos frustrada no dia-a-dia pra dar conta das tarefas normais de um adulto.

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  4. Oi Alexandre!
    Sim, já faz tempo q. acesso o site da abda e blogs. Um site q. me ajudou a esclarecer mta coisa é o www.medicinadocomportamento.com.br, da Dra. Ana Beatriz Barbosa.
    Até há pouco tempo atrás eu tinha pensado em fazer sessões de coaching, mas aí lí q. pra vc foi uma superdose de ritalina, então resolví experimentar..
    Também já agendei consulta no psiqui..
    Até mais,
    Abç
    Vanessa

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  5. É isso aí... Andrea.

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  6. Esse texto me lembro a música Medo, do grande Lenine.
    Coloquei nos meus favoritos.
    :)

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  7. Fantástico!
    Lembro-me bem dessas incertezas e desconfianças em meu último relacionamento. Nos tornamos outras pessoas, né? Começamos a agir duma forma tão diferente do que éramos quando solteiros.
    É... Acho que essa baixa autoestima que carregamos é uma das sensações mais surreais. Perguntava cada coisa, chorava por cada coisa, sentia cada coisa...
    E o mais intrigante: isso não se limita às relações amorosas. Mas sim a qualquer relação mais íntima. Essa ideia de rejeição fica muito forte!

    Abraço!

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. Olá Alexandre!
    Quase nunca comento nada na internet, mas esse post eu não poderia deixar de comentar. A minha vida toda foi de insatisfação com "meu eu", sempre me senti a mais feia, a mais gorda, a mais chata, sempre procurava conquistar as pessoas problemáticas que, do meu ponto de vista ninguém queria porque pensava que não teria como ela me recusar e adivinhe, acabava sendo rejeitada e aí o sofrimento era algo que quase me matava, até hoje ainda me sinto inferior, tento trabalhar isso em mim pois já faço uso de medicações para TDAH, descobri primeiro em meu filho que é praticamente meu xerox, está em tratamento também. Depois que descobri, foi libertador, minha mãe também era, claro que não diagnosticada e nem tratada, nossa relação era um caos "TDAH IDOSA versus TDAH CRIANÇA, ADOLESCENTE E ADULTA, ela faleceu eu já tinha 43 anos e fui diagnosticada aos 50 também. Enfim estou lendo seus textos, muito bacana, tem alguns que parecem que foram escritos baseados em mim rsrsrs.
    Quero ler todos!!!

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    1. Boa tarde! Tento imaginar esse relacionamento geracional de TDAHs, não deve ter sido nada fácil. E pior, num tempo em que não existia TDAH, erámos problemáticos, esquisitos, canalhas..
      Quantas vezes me senti o pior dos homens. Pra mim o diagnóstico foi um alívio. Me conte mais o que está achando dos textos, o blog anda muito parado, por culpa minha que o abandonei por muito tempo. Mas estou de volta. Muito obrigado pelo seu comentário

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