TDAH E CRIATIVIDADE: O ESGOTAMENTO DE UMA MENTE QUE NUNCA DESLIGA
Nota do Autor (2026):Atualização: Releio este texto hoje e sorrio com a ideia da "Ritalina sabor uva". Dez anos depois, a ciência evoluiu, mas a batalha para domar o caos criativo continua a mesma. A criatividade é uma ferramenta incrível, desde que você seja o mestre, e não o escravo dela.Infelizmente em 2026 tentei acessar os dois blogs psicologia em foco e eu tenho tdah, e agora? e não consegui.
Viajando pela net, descobri o blog Psicologia em Foco da, ainda, estudante Gabriele de Albuquerque Silva. Um blog muito interessante sobre vários assuntos da área, mas com artigos muito práticos, objetivos e legais. O que me chamou a atenção foi um post chamado "UM OUTRO LADO DO TDAH?". Neste artigo, ela cita um estudo da Universidade de Michigan (USA), onde sessenta universitários foram testados quanto à sua criatividade. O grupo dos portadores de TDAH obteve os escores mais altos.
Muito legal, né?
NÃO!
O Custo da Criatividade sem Controle
O que fazer com uma criatividade sem controle? O que fazer quando sua mente é bombardeada de pensamentos aparentemente desconexos e associações de ideias completamente estapafúrdias? No blog da minha amiga Rita — Eu tenho TDAH, e agora? — seu último post foi sobre a fadiga mental. Esse é o resultado da criatividade sem controle: um cansaço mental absurdo.
Já vi muitas propagandas de tratamento de TDAH sem remédios. Obviamente, não os conheço para fazer uma crítica abalizada, mas creio não ser muito possível. Com ritalina e coaching já não é fácil. Como controlar a torrente de pensamentos que nos invade?
A Teoria e a Prática: Do Chuveiro ao Shopping
Um exemplo prático? Outro dia, escrevi neste blog até muito tarde, foi um dia muito legal, o blog teve muitos acessos, eu estava bastante motivado... Decidi tomar um banho antes de dormir. Entrei sob o chuveiro pensando em quanta gente ganha dinheiro com blog e tal. Não sei em que momento, derivei para o saxofone, para as aulas de sax, para adolescentes que são obrigados pelos pais a estudar instrumentos que não gostam e, de repente, começou a surgir na cabeça uma história de um adolescente assassino, aprendiz de saxofone.
O sono foi pro espaço. Saí do banho e voltei para o computador. A história está saindo lentamente, lentamente. Sabe por quê? Dias depois fui ao Rio de Janeiro e precisei ficar matando o tempo em um shopping até a hora do meu compromisso. Sentei-me em uma espécie de sala de estar com sofás e poltronas e fiquei no notebook.
De repente, surgiu uma moça, mas uma moça linda, linda mesmo. Instantaneamente, todos os homens que ali estavam olharam e acompanharam o caminhar lento e charmosíssimo da moça. Achei muito interessante que todos nós tivéssemos a mesma reação. Na hora, começou a surgir um novo conto: quatro homens diferentes, com enfoques diferentes, expressam sua reação diante da linda moça que desfila distraída pelo shopping. Comecei a escrever usando o notebook, cuja bateria já estava nos estertores e logo, logo veio a óbito. Passei para o celular e escrevi freneticamente as quatro impressões dos quatro caras presentes, e mais a quinta, a da moça que percebeu o efeito que causou naqueles homens.
Com isso, tenho um conto quase completo (precisa de um bom retoque), uma história policial inacabada, o blog pra escrever e um outro projeto de blog, ainda em gestação e que está numa encruzilhada. São dois exemplos aproveitáveis em que dei alguma continuidade. Existem ainda todas aquelas ideias malucas e desenfreadas que brotam a todo instante na minha cabeça.
Desatenção e Perigo: Onde o Pensamento nos Leva
Nada! Nada é o que parece! Com raríssimas exceções, me deparo com uma pessoa ou situação que não tenha um desdobramento mental paralelo. Enquanto converso, algo que o interlocutor fala dispara uma associação de ideias e passo a pensar em outras coisas. Volta e meia não escuto nada do que disse meu interlocutor. Vejo sua boca movendo-se, sei mais ou menos o assunto e dou respostas padrão. Aquelas que servem para enterro, batizado, casamento, lavratura de escritura, etc. Se o interlocutor me perguntar alguma coisa, pronto, dancei.
Já bati o carro porque conversava com minha filha enquanto dirigia. Uma conversa tão boa, tão agradável, que me esqueci que estava dirigindo, que existiam outros veículos na estrada. BUMMM! Bati na traseira do carro que freou para passar pelo quebra-molas. A desatenção é fruto da enxurrada de ideias, de pensamentos que vão se associando, se encadeando e, muitas vezes, nos levam a lugares e situações completamente diferentes daquela em que deveríamos estar.
O Tratamento e a "Ritalina Sabor Morango"
Quando descobrimos o TDAH, passamos a nos observar mais, a nos conhecer melhor e a policiar nossos pensamentos. O problema é que, depois de muitos e muitos anos pensando daquela forma, muitas das vezes não percebemos que estamos repetindo aquele padrão. Por isso, acho difícil um tratamento sem medicamento. Principalmente em casos como o meu, em que o transtorno está instalado há muitos anos.
Outro dia, conversando com minha irmã caçula — também portadora — brinquei que deveriam criar uma ritalina mastigável, sabor uva, hortelã ou morango, para que a gente pudesse ir mastigando ao longo do dia. Principalmente naqueles dias em que a mente está em erupção. Exagero, claro. Mas tem hora que dá vontade de tomar 145 cápsulas de uma vez. Se pelo menos fossem saborosas...
Leia Também:
- TDAH e a Batalha contra a Preguiça: Para conectar a ideia de que a criatividade cansa e gera a paralisia.
- Manifesto do Amor TDAH: Para mostrar como essa "névoa" de pensamentos afeta os afetos.



ri muito lendo seu post!!! hahaha
ResponderExcluirEu inteira isso!