TDAH E PREGUIÇA: POR QUE NÃO FAZEMOS MESMO SABENDO E QUERENDO?


"Silhueta de homem imóvel de costas diante de porta aberta com paisagem iluminada pelo sol — representação visual da paralisia mental do TDAH"
A porta está aberta. A paisagem à espera. Não nos movemos...


METADESCRIÇÃO (máximo 150 caracteres):

A preguiça no TDAH não é preguiça real. É medo, projeção negativa e paralisia mental. Entenda por que o TDAH não consegue agir mesmo querendo.


TEXTO OTIMIZADO:


Nota do Autor (2026): Escrevi este texto em 2014, dois anos após meu diagnóstico. Na época, tentava explicar para mim mesmo — e para quem me lia — que a "preguiça" que eu vivia não tinha nada a ver com a preguiça clássica. Hoje, com mais de uma década de convivência consciente com o transtorno, mantenho cada palavra. O que mudou é que agora entendo a ciência por trás: o que descrevo aqui tem relação direta com a Cegueira Temporal, a disfunção executiva e a desregulação emocional que o TDAH provoca.


O que é essa "preguiça" do TDAH?

Só quem tem TDAH sabe o que é ser acorrentado pela preguiça.

Uma enorme tortura mental que paralisa, acorrenta e impede a ação.

A mente de um TDAH é pantanosa, um enorme lodaçal de emoções e medo. Sim, medo. A preguiça no TDAH não é aquela clássica de não querer fazer nada. Não, em absoluto. A nossa preguiça advém de uma série infindável de pensamentos tortuosos e projeções negativas do que vem pela frente.


Como funciona a projeção negativa

Se o que se avizinha é uma festa, logo imaginamos o ambiente tumultuado, barulhento, cheio de gente das quais não gostamos, assuntos chatos e inconvenientes. Se é trabalho, sempre imaginamos que não obteremos o efeito desejado, ou ainda que se o fizermos o chefe não vai reconhecer, ou simplesmente não saberemos executar com a perfeição devida.

Ou seja, criamos um medo do futuro.

Imobilismo é segurança.

Mover-se é o desconhecido, é a exposição, é o risco.


A paralisia dos gestos mínimos

Às vezes, a preguiça nos impede de fazer gestos mínimos, de dar passos minúsculos. Quem está de fora riria se soubesse o que deixamos de fazer por preguiça. Não é a preguiça física. Não, nossa mente boicota aquela ação, torna-a desnecessária, maçante.

Nesse exato momento, sobre a minha mesa, jaz um celular que molhou e não tem mais conserto. Preciso devolvê-lo ao dono (a quem já comuniquei ser insolúvel) e já o montei. Na pressa, deixei de encaixar um alto-falante na carcaça e acabei de me deparar com ele. A primeira reação? Dane-se, o celular não tem conserto mesmo...

Mas aí entra o combate à preguiça: Deixa nada, isso faz parte do celular e deve ir com ele. Devo perder de cinco a dez minutos para colocá-lo no lugar. Tenho que fazer. E farei.


Procrastinação e autossabotagem

Nossa mente forja motivos para não fazer. Mas a consciência da doença deve arrebentar esses grilhões.

A procrastinação sofre do mesmo processo. Os adiamentos se dão em função de projeções mentais de que aquilo que deveríamos fazer é chato, inconveniente ou vai trazer prejuízo, dor, perda. Mas nada é, necessariamente, real. Na maioria das vezes é pura criação de nossas mentes.

Nossa vocação para a automutilação, autopunição, é uma grande aliada da procrastinação. Quantas vezes sabemos das prováveis consequências nefastas da postergação, mas empurramos com a barriga e corremos o risco. E pagamos o preço por isso.

Preguiça, procrastinação, medo, paralisia...

E ainda dizem que TDAH é invenção...


O que aprendi desde 2014

Ao longo dos anos, desenvolvi uma ferramenta simples: antes de qualquer atitude, pergunto: "Isso é meu ou do TDAH?" Muitas vezes opto por seguir a vontade da doença, mas sigo consciente — não tenho o direito de reclamar depois. Mas em geral, se vejo que é uma atitude contaminada pelo transtorno, mudo e faço o correto.

Não é perfeito. Ainda cometo falhas. Mas a consciência é o primeiro grilhão que se quebra.


Se você vive essa paralisia todos os dias e as pessoas ao redor dizem que é "só preguiça", saiba: não é. Para entender a ciência por trás, consulte a ABDA — Associação Brasileira do Déficit de Atenção.


Leia Também

12 Sintomas do TDAH em Adultos: Relato Real de Quem Convive com o Transtorno — A procrastinação e a paralisia que descrevo aqui são dois dos doze sintomas que listei com exemplos reais da minha vida.

Praticar o TDAH — O dia em que parei de me vigiar e paguei o preço. A conclusão de que o TDAH precisa ser vivenciado e experienciado.

A Ritalina e Seus Efeitos: O Que Aprendi em Anos de Tratamento — A medicação não elimina a paralisia mental, mas ajuda a enxergar com mais clareza quando é o TDAH falando.

TDAH Adquirido: Meu TDAH Tem Endereço: Temporal Esquerdo — A descoberta de que meu TDAH pode ter origem em uma lesão cerebral e dezenove anos de Gardenal.

Estatuto do TDAH — Artigo 4: "Fica decretada a extinção da necessidade de decisões e atitudes imediatas." A paralisia, em formato de manifesto.


FAQ — Perguntas Frequentes

P: Pessoas com TDAH são preguiçosas?

R: Não. O que parece preguiça no TDAH é na verdade uma paralisia mental causada por disfunção executiva. O cérebro TDAH tem dificuldade em iniciar tarefas, mesmo quando a pessoa sabe exatamente o que precisa fazer. Não é falta de vontade — é dificuldade neurológica de transformar intenção em ação.

P: Qual a diferença entre preguiça normal e a "preguiça" do TDAH?

R: A preguiça clássica é uma escolha — a pessoa poderia fazer, mas não quer. No TDAH, a pessoa quer fazer, sabe que precisa fazer, muitas vezes sabe exatamente como fazer, mas não consegue iniciar. Há uma projeção negativa do futuro e um medo paralisante que bloqueia a ação.

P: O que é a paralisia do TDAH?

R: É o momento em que o portador sabe o que precisa fazer, mas o cérebro não consegue converter essa intenção em movimento. Não é preguiça — é uma falha no sistema executivo que o TDAH provoca. A pessoa fica parada, consciente da inação, sofrendo por não agir.

P: A medicação resolve a procrastinação do TDAH?

R: A Ritalina e outros estimulantes ajudam a reduzir a paralisia, mas não eliminam completamente. A medicação melhora a função executiva, facilitando a iniciação de tarefas. Mas o tratamento completo exige também psicoeducação e estratégias comportamentais. Relato minha experiência com a Ritalina em [link].

P: Por que pessoas com TDAH projetam cenários negativos antes de agir?

R: A dificuldade com a regulação emocinal faz com que o cérebro TDAH priorize riscos e ameaças. Somado à baixa autoestima acumulada por anos de fracassos, isso cria um padrão automático de projeção negativa — a mente "ensaia" o fracasso antes mesmo de tentar.


O que mudou

AntesDepois
~450 palavras~1.100 palavras (SEO competitivo)
Sem subtítulos5 seções com subtítulos claros
Sem FAQ5 perguntas e respostas
Sem Leia Também5 links internos para posts estratégicos
Sem metadescriçãoMetadescrição otimizada
Sem nota do autorNota que contextualiza e adiciona credibilidade
Título genérico para SEOTítulo com termos pesquisáveis
Parágrafo final do Alexandre nos comentáriosIntegrado ao texto ("O que aprendi desde 2014")

O detalhe mais importante

O Alexandre respondeu nos comentários com detalhes preciosos — mencionou Ritalina, Sertralina, Venvanse, Ritalina LA, Centrum Select, a pergunta "isso é meu ou do TDAH?", e uma troca longa com um leitor chamado Léo. Essa resposta sua nos comentários é tão boa quanto o post. Integrei parte dela na seção "O que aprendi desde 2014". O restante — especialmente a resposta sobre medicamentos — poderia ser transformado em um post separado sobre a experiência com diferentes medicações.


Quer seguir para a página de Ritalina, ou prefere otimizar mais posts individuais primeiro?

TDAH E PREGUIÇA: POR QUE NÃO FAZEMOS MESMO SABENDO E QUERENDO? ESSE É UMA ADAPTAÇÃO DO PRIMEIRO TÍTULO. O QUE ACHA?

É melhor que a minha. Vou ser direto sobre por quê.


Comparação

Minha versãoSua versão
"Por Que Não Conseguimos Fazer Nada Mesmo Querendo""Por Que Não Fazemos Mesmo Sabendo e Querendo"

O que a sua adiciona:

A palavra "Sabendo" é a diferença. Ela contém o paradoxo central do texto — a pessoa sabe o que precisa fazer, quer fazer, e mesmo assim não faz. É exatamente isso que o texto descreve.

Minha versão diz "não conseguimos fazer nada" — é mais genérica. A sua diz "não fazemos mesmo sabendo e querendo" — é mais precisa e mais provocativa.

"Fazemos" no lugar de "conseguimos fazer nada" também é mais direto. Curto. Limpo.


Veredicto

Use a sua. É mais forte, mais fiel ao texto e mais identificável para quem tem TDAH.

text

Publica com esse título.


METADESCRIÇÃO (máximo 150 caracteres):

A preguiça no TDAH não é preguiça real. É medo, projeção negativa e paralisia mental. Entenda por que o TDAH não consegue agir mesmo querendo.


TEXTO OTIMIZADO:


Nota do Autor (2026): Escrevi este texto em 2014, dois anos após meu diagnóstico. Na época, tentava explicar para mim mesmo — e para quem me lia — que a "preguiça" que eu vivia não tinha nada a ver com a preguiça clássica. Hoje, com mais de uma década de convivência consciente com o transtorno, mantenho cada palavra. O que mudou é que agora entendo a ciência por trás: o que descrevo aqui tem relação direta com a Cegueira Temporal, a disfunção executiva e a desregulação emocional que o TDAH provoca.


O que é essa "preguiça" do TDAH?

Só quem tem TDAH sabe o que é ser acorrentado pela preguiça.

Uma enorme tortura mental que paralisa, acorrenta e impede a ação.

A mente de um TDAH é pantanosa, um enorme lodaçal de emoções e medo. Sim, medo. A preguiça no TDAH não é aquela clássica de não querer fazer nada. Não, em absoluto. A nossa preguiça advém de uma série infindável de pensamentos tortuosos e projeções negativas do que vem pela frente.


Como funciona a projeção negativa

Se o que se avizinha é uma festa, logo imaginamos o ambiente tumultuado, barulhento, cheio de gente das quais não gostamos, assuntos chatos e inconvenientes. Se é trabalho, sempre imaginamos que não obteremos o efeito desejado, ou ainda que se o fizermos o chefe não vai reconhecer, ou simplesmente não saberemos executar com a perfeição devida.

Ou seja, criamos um medo do futuro.

Imobilismo é segurança.

Mover-se é o desconhecido, é a exposição, é o risco.


A paralisia dos gestos mínimos

Às vezes, a preguiça nos impede de fazer gestos mínimos, de dar passos minúsculos. Quem está de fora riria se soubesse o que deixamos de fazer por preguiça. Não é a preguiça física. Não, nossa mente boicota aquela ação, torna-a desnecessária, maçante.

Nesse exato momento, sobre a minha mesa, jaz um celular que molhou e não tem mais conserto. Preciso devolvê-lo ao dono (a quem já comuniquei ser insolúvel) e já o montei. Na pressa, deixei de encaixar um alto-falante na carcaça e acabei de me deparar com ele. A primeira reação? Dane-se, o celular não tem conserto mesmo...

Mas aí entra o combate à preguiça: Deixa nada, isso faz parte do celular e deve ir com ele. Devo perder de cinco a dez minutos para colocá-lo no lugar. Tenho que fazer. E farei.


Procrastinação e autossabotagem

Nossa mente forja motivos para não fazer. Mas a consciência da doença deve arrebentar esses grilhões.

A procrastinação sofre do mesmo processo. Os adiamentos se dão em função de projeções mentais de que aquilo que deveríamos fazer é chato, inconveniente ou vai trazer prejuízo, dor, perda. Mas nada é, necessariamente, real. Na maioria das vezes é pura criação de nossas mentes.

Nossa vocação para a automutilação, autopunição, é uma grande aliada da procrastinação. Quantas vezes sabemos das prováveis consequências nefastas da postergação, mas empurramos com a barriga e corremos o risco. E pagamos o preço por isso.

Preguiça, procrastinação, medo, paralisia...

E ainda dizem que TDAH é invenção...


O que aprendi desde 2014

Ao longo dos anos, desenvolvi uma ferramenta simples: antes de qualquer atitude, pergunto: "Isso é meu ou do TDAH?" Muitas vezes opto por seguir a vontade da doença, mas sigo consciente — não tenho o direito de reclamar depois. Mas em geral, se vejo que é uma atitude contaminada pelo transtorno, mudo e faço o correto.

Não é perfeito. Ainda cometo falhas. Mas a consciência é o primeiro grilhão que se quebra.


Se você vive essa paralisia todos os dias e as pessoas ao redor dizem que é "só preguiça", saiba: não é. Para entender a ciência por trás, consulte a ABDA — Associação Brasileira do Déficit de Atenção.


Leia Também

12 Sintomas do TDAH em Adultos: Relato Real de Quem Convive com o Transtorno — A procrastinação e a paralisia que descrevo aqui são dois dos doze sintomas que listei com exemplos reais da minha vida.

Praticar o TDAH — O dia em que parei de me vigiar e paguei o preço. A conclusão de que o TDAH precisa ser vivenciado e experienciado.

A Ritalina e Seus Efeitos: O Que Aprendi em Anos de Tratamento — A medicação não elimina a paralisia mental, mas ajuda a enxergar com mais clareza quando é o TDAH falando.

TDAH Adquirido: Meu TDAH Tem Endereço: Temporal Esquerdo — A descoberta de que meu TDAH pode ter origem em uma lesão cerebral e dezenove anos de Gardenal.

Estatuto do TDAH — Artigo 4: "Fica decretada a extinção da necessidade de decisões e atitudes imediatas." A paralisia, em formato de manifesto.


FAQ — Perguntas Frequentes

P: Pessoas com TDAH são preguiçosas?

R: Não. O que parece preguiça no TDAH é na verdade uma paralisia mental causada por disfunção executiva. O cérebro TDAH tem dificuldade em iniciar tarefas, mesmo quando a pessoa sabe exatamente o que precisa fazer. Não é falta de vontade — é dificuldade neurológica de transformar intenção em ação.

P: Qual a diferença entre preguiça normal e a "preguiça" do TDAH?

R: A preguiça clássica é uma escolha — a pessoa poderia fazer, mas não quer. No TDAH, a pessoa quer fazer, sabe que precisa fazer, muitas vezes sabe exatamente como fazer, mas não consegue iniciar. Há uma projeção negativa do futuro e um medo paralisante que bloqueia a ação.

P: O que é a paralisia do TDAH?

R: É o momento em que o portador sabe o que precisa fazer, mas o cérebro não consegue converter essa intenção em movimento. Não é preguiça — é uma falha no sistema executivo que o TDAH provoca. A pessoa fica parada, consciente da inação, sofrendo por não agir.

P: A medicação resolve a procrastinação do TDAH?

R: A Ritalina e outros estimulantes ajudam a reduzir a paralisia, mas não eliminam completamente. A medicação melhora a função executiva, facilitando a iniciação de tarefas. Mas o tratamento completo exige também psicoeducação e estratégias comportamentais. Relato minha experiência com a Ritalina em [link].

P: Por que pessoas com TDAH projetam cenários negativos antes de agir?

R: A dificuldade com a regulação emocinal faz com que o cérebro TDAH priorize riscos e ameaças. Somado à baixa autoestima acumulada por anos de fracassos, isso cria um padrão automático de projeção negativa — a mente "ensaia" o fracasso antes mesmo de tentar.


O que mudou

AntesDepois
~450 palavras~1.100 palavras (SEO competitivo)
Sem subtítulos5 seções com subtítulos claros
Sem FAQ5 perguntas e respostas
Sem Leia Também5 links internos para posts estratégicos
Sem metadescriçãoMetadescrição otimizada
Sem nota do autorNota que contextualiza e adiciona credibilidade
Título genérico para SEOTítulo com termos pesquisáveis
Parágrafo final do Alexandre nos comentáriosIntegrado ao texto ("O que aprendi desde 2014")

O detalhe mais importante

O Alexandre respondeu nos comentários com detalhes preciosos — mencionou Ritalina, Sertralina, Venvanse, Ritalina LA, Centrum Select, a pergunta "isso é meu ou do TDAH?", e uma troca longa com um leitor chamado Léo. Essa resposta sua nos comentários é tão boa quanto o post. Integrei parte dela na seção "O que aprendi desde 2014". O restante — especialmente a resposta sobre medicamentos — poderia ser transformado em um post separado sobre a experiência com diferentes medicações.


Quer seguir para a página de Ritalina, ou prefere otimizar mais posts individuais primeiro?

TDAH E PREGUIÇA: POR QUE NÃO FAZEMOS MESMO SABENDO E QUERENDO? ESSE É UMA ADAPTAÇÃO DO PRIMEIRO TÍTULO. O QUE ACHA?

É melhor que a minha. Vou ser direto sobre por quê.


Comparação

Minha versãoSua versão
"Por Que Não Conseguimos Fazer Nada Mesmo Querendo""Por Que Não Fazemos Mesmo Sabendo e Querendo"

O que a sua adiciona:

A palavra "Sabendo" é a diferença. Ela contém o paradoxo central do texto — a pessoa sabe o que precisa fazer, quer fazer, e mesmo assim não faz. É exatamente isso que o texto descreve.

Minha versão diz "não conseguimos fazer nada" — é mais genérica. A sua diz "não fazemos mesmo sabendo e querendo" — é mais precisa e mais provocativa.

"Fazemos" no lugar de "conseguimos fazer nada" também é mais direto. Curto. Limpo.


Veredicto

Use a sua. É mais forte, mais fiel ao texto e mais identificável para quem tem TDAH.

text

Publica com esse título.

 


Nota do Autor (2026): Escrevi este texto em 2014, quatro anos após meu diagnóstico. Na época, tentava explicar para mim mesmo — e para quem me lia — que a "preguiça" que eu vivia não tinha nada a ver com a preguiça clássica. Hoje, com mais de uma década de convivência consciente com o transtorno, mantenho cada palavra. O que mudou é que agora entendo a ciência por trás: o que descrevo aqui tem relação direta com a Cegueira Temporal, a disfunção executiva e a desregulação emocional que o TDAH provoca.

 

O que é essa "preguiça" do TDAH?


Só quem tem TDAH sabe o que é ser acorrentado pela preguiça.

Uma enorme tortura mental que paralisa, acorrenta e impede a ação.

A mente de um TDAH é pantanosa, um enorme lodaçal de emoções e medo. Sim, medo. A preguiça no TDAH não é aquela clássica de não querer fazer nada. Não, em absoluto. A nossa preguiça advém de uma série infindável de pensamentos tortuosos e projeções negativas do que vem pela frente.


 Como funciona a projeção negativa


Se o que se avizinha é uma festa, logo imaginamos o ambiente tumultuado, barulhento, cheio de gente das quais não gostamos, assuntos chatos e inconvenientes. Se é trabalho, sempre imaginamos que não obteremos o efeito desejado, ou ainda que se o fizermos o chefe não vai reconhecer, ou simplesmente não saberemos executar com a perfeição devida.

Ou seja, criamos um medo do futuro.
Imobilismo é segurança.
Mover-se é o desconhecido, é a exposição, é o risco.

A Paralisia dos Gestos Mínimos 

Às vezes, a preguiça nos impede de fazer gestos mínimos, de dar passos minúsculos. Quem está de fora riria se soubesse o que deixamos de fazer por preguiça. Não é a preguiça física. Não, nossa mente boicota aquela ação, torna-a desnecessária, maçante.
Nesse exato momento, sobre a minha mesa, jaz um celular que molhou e não tem mais conserto. Preciso devolvê-lo ao dono ( a quem já comuniquei ser insolúvel ) e já o montei. Na pressa, deixei de encaixar um altofalante na carcaça e acabei de me deparar com ele. A primeira reação? Dane-se, o celular não tem conserto mesmo...
Mas aí entra o combate à preguiça: Deixa nada, isso faz parte do celular e deve ir com ele. Devo perder de cinco a dez minutos para colocá-lo no lugar. Tenho que fazer. E farei.

Procrastinação e Autossabotagem


Nossa mente forja motivos para não fazê-lo. Mas a consciência da doença deve arrebentar esses grilhões.
A procrastinação sofre do mesmo processo.
Os adiamentos se dão em função de projeções mentais de que aquilo que deveríamos fazer é chato, inconveniente ou vai trazer prejuízo, dor, perda... Mas nada é, necessariamente, real. Na maioria das vezes é pura criação de nossas mentes.
Nossa vocação para a automutilação, autopunição, é uma grande aliada da procrastinação. Quantas vezes sabemos das prováveis consequências nefastas da postergação, mas empurramos com a barriga e corremos o risco.      E pagamos o preço por isso.
Preguiça, procrastinação, medo, paralisia...

E ainda dizem que TDAH é invenção...



O que aprendi desde 2014

Ao longo dos anos, desenvolvi uma ferramenta simples: antes de qualquer atitude, pergunto: "Isso é meu ou do TDAH?" Muitas vezes opto por seguir a vontade da doença, mas sigo consciente — não tenho o direito de reclamar depois. Mas em geral, se vejo que é uma atitude contaminada pelo transtorno, mudo e faço o correto.
Não é perfeito. Ainda cometo falhas. Mas a consciência é o primeiro grilhão que se quebra.


Se você vive essa paralisia todos os dias e as pessoas ao redor dizem que é "só preguiça", saiba: não é. Para entender a ciência por trás, consulte a ABDA — Associação Brasileira do Déficit de Atenção.


Leia Também


12 Sintomas do TDAH em Adultos: Relato Real de Quem Convive com o Transtorno — A procrastinação e a paralisia que descrevo aqui são dois dos doze sintomas que listei com exemplos reais da minha vida.

Praticar o TDAH — O dia em que parei de me vigiar e paguei o preço. A conclusão de que o TDAH precisa ser vivenciado e experienciado.

A Ritalina e Seus Efeitos: O Que Aprendi em Anos de Tratamento — A medicação não elimina a paralisia mental, mas ajuda a enxergar com mais clareza quando é o TDAH falando. 

TDAH Adquirido: Meu TDAH Tem Endereço: Temporal Esquerdo — A descoberta de que meu TDAH pode ter origem em uma lesão cerebral e dezenove anos de Gardenal.

Estatuto do TDAH — Artigo 4: "Fica decretada a extinção da necessidade de decisões e atitudes imediatas." A paralisia, em formato de manifesto.


FAQ — Perguntas Frequentes


P: Pessoas com TDAH são preguiçosas?

R: Não. O que parece preguiça no TDAH é na verdade uma paralisia mental causada por disfunção executiva. O cérebro TDAH tem dificuldade em iniciar tarefas, mesmo quando a pessoa sabe exatamente o que precisa fazer. Não é falta de vontade — é dificuldade neurológica de transformar intenção em ação.

P: Qual a diferença entre preguiça normal e a "preguiça" do TDAH?

R: A preguiça clássica é uma escolha — a pessoa poderia fazer, mas não quer. No TDAH, a pessoa quer fazer, sabe que precisa fazer, muitas vezes sabe exatamente como fazer, mas não consegue iniciar. Há uma projeção negativa do futuro e um medo paralisante que bloqueia a ação.

P: O que é a paralisia do TDAH?

R: É o momento em que o portador sabe o que precisa fazer, mas o cérebro não consegue converter essa intenção em movimento. Não é preguiça — é uma falha no sistema executivo que o TDAH provoca. A pessoa fica parada, consciente da inação, sofrendo por não agir.

P: A medicação resolve a procrastinação do TDAH?

R: A Ritalina e outros estimulantes ajudam a reduzir a paralisia, mas não eliminam completamente. A medicação melhora a função executiva, facilitando a iniciação de tarefas. Mas o tratamento completo exige também psicoeducação e estratégias comportamentais. Relato minha experiência com a Ritalina em https://www.tdah-reconstruindoavida.com.br/p/ritalina-e-tdah.html


P: Por que pessoas com TDAH projetam cenários negativos antes de agir?


R: A dificuldade com a regulação emocional faz com que o cérebro TDAH priorize riscos e ameaças. Somado à baixa autoestima acumulada por anos de fracassos, isso cria um padrão automático de projeção negativa — a mente "ensaia" o fracasso antes mesmo de tentar.


Alexandre Schubert

14 Comentários

  1. bem verdade....

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  2. Talvez considerar o que se projetou na mente (com aquela certeza) antes de encarar o evento, com o que realmente aconteceu de fato, quando se decidiu fazer o que não iria ser feito, nos dê algo para que possamos colocar o pé na realidade, sem esperar, claro, que de uma hora para a outra tornemo-nos pessoas normais, mas esperando minimizar nossas ilusões da realidade, das reações das pessoas, etc. das consequências de nossas atitudes dentro desse caos que é a vida.

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  3. Pode ser a sobrecarga que o TDA-H cria dentro de si mesmo quando vai realizar uma tarefa. A pessoa, por não conseguir ficar com a mente quieta em apenas uma tarefa, em um assunto, já fica com uma sobrecarga para cada parte do serviço, talvez porque fica querendo abarcar todo o processo de uma vez na cabeça. Procure ver se não é uma das coisas que te atrapalham e criam a ansiedade. O importante é se observar, mas não precisa ser sempre, pois sempre é pedir demais para um TDA-H. E perceba que nesse caso é a parte psicológica do problema, e o psicológico é quem está criando a ansiedade, e não um problema bioquímico, talvez ir mudando aos poucos a forma de pensar, tendo consciência de que não precisa pensar em tanta coisa ao mesmo tempo, não sei...

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  4. Gente será que até hoje ninguém está a procura da cura do Tdah? Preciso tá vivo para sentir a sensação de não ser tdah. 😕

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    Respostas
    1. Autoconhecimento, aprender a ter paciência, saber que isso leva tempo, questão de 1 a 2 anos de prática por algumas poucas vezes ao dia, saber que as coisas que planejamos em nossas cabeças são possíveis mas não no tempo que queremos, parar de ficar buscando sensações e prazeres o tempo todo e em tudo, aprender a voltar para o seu ponto, ou seja, sua cabeça fica saindo do agora para ir para outros lugares com as imaginações crônicas, etc. Lembrando que leva tempo e prática, portanto não fique ansioso em querer conseguir isso logo. Tem que curtir uma vitória de cada vez, geralmente se percebe uma melhora por semana. Então, vamos supor que você precisa de 200 pontos de melhora, são cerca de 200 semanas, a não ser que você consiga algumas melhoras concomitantes, se cair para 150, são 150 semanas, ou seja, quase 3 anos, mas estou jogando lá em cima. O negócio é que depois de umas 5 coisas que você já melhorou isso já te deu um ânimo grande e você já é outra pessoa.

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    2. Léo, eu também tenho muita vontade de sentir essa sensação. Um dia na vida pelo menos...
      Abraços

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  5. É bem assim, a preguiça é criada pelo medo de errar de novo, por traumas inconscientes de erros passados, medo de agir na frente dos outros e ouvir aqueles comentários "você não tá vendo isso? como você é aérea! O que eu acabei de falar?Você repetiu o mesmo erro de novo! você não quer melhorar!", etc.
    A nossa preguiça, por mais crônica e errada que seja, é mais como um trauma. Diferente daquela preguiça em que a pessoa adia tudo por prazer em ficar sem fazer nada. Tem pessoas que gostam de ter preguiça, têm orgulho de serem vistos como preguiçosos, inventam desculpas pra tudo, só fazem o que querem. Mas quando se arrependem, conseguem mudar de comportamento sozinhos.
    Já pra quem tem tdah, o controle e a mudança já é mais difícil.
    Fe

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu acho que o que ocorre é o seguinte: nenhum TDA-H é preguiçoso, e se fosse, ocorreria o que falaram acima, ou seja, conseguiria deixar de ser, já que no fundo é uma pessoa normal. Pessoa essa que em algum momento da vida começou a imaginar coisas e gostou, por ser uma pessoa criativa a sua cabeça realmente criava coisas mais interessantes dentro dela, de forma que a própria realidade não a instigava muito. Portanto, pela busca desse prazer, dessas sensações, a pessoa entrou em um vício, mas ninguém a avisou das consequências que ela teria, que seria a dificuldade de se "olhar para fora" e ver as cosias sem tantos pensamentos, sem aquela "cortina translúcida" de pensamentos que se intercala com a realidade que entra pelos olhos e torna tudo semi real, semi virtual, além de nos deixar como um barrichelo, para trás, não consegue seguir o que todo mundo entende, pois estamos o tempo todo com uma cabeça fugidia, muito mais fugidia do que preguiçosa, criando um simulacro de que somos assim e de que isso não tem cura. Claro, as comorbidades podem existir e serem coisas a parte, com causas diferentes, mas que não deixam de influenciar a vida da pessoa, aumentando a confusão da p... toda.

      Excluir
    2. Oi, eu vivo em outro mundo sim, desde criança. Mas gostar ,eu pelo menos, nunca gostei. Me faz ser vista como egoísta, faz as pessoas se afastarem de mim, por eu não dar a devida atenção a elas. Olhar pra fora, muitas vezes é assustador, mas no fundo preferiria viver com os pés no chão. Vivo em outro mundo, mas não por opção.
      Fe

      Excluir
    3. Quando eu era pequena, eu até gostava de viver no mundo da imaginação, inventava estorinhas e me apagava de tudo a minha volta. Igual o Lucas Silva e Silva daquele seriado infantil " Mundo da Lua". Mas o maior motivo do meu desligamento, não é por devaneios, é por falta de percepção. Mesmo quando minha cabeça está em total silêncio, muita coisa a minha volta me passa desapercebido. Não raro as pessoas precisam gritar pra eu conseguir dar ouvido a elas.
      Fe

      Excluir
  6. Alexandre, quais medicamentos vc toma?

    Por gentileza, ando em crises...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Amigo, no princípio tomei Ritalina e Sertralina; a segunda para amenizar minha ira. Depois de alguns meses, aprendi a me controlar melhor e suspendi a Sertralina. Depois de cerca de quatro anos tomando Ritalina, estou desde março sem nenhum medicamento pra TDAH. Tenho tomado apenas um polivitamínico para pessoas acima de 50 anos, o Centrum Select. Estou fazendo uma experiência com meu auto controle e está dando relativamente certo. Ainda cometo falhas mas mesmo medicado ainda cometia. Agora devo voltar com a Ritalina para testar se terei algum ganho no dia a dia. Assim que tiver uma comparação posto aqui.
      O importante é sua conscientização da doença e vontade de mudar. Hoje em dia, tudo o que eu faço, tudo o que envolve atitude, eu submeto ao crivo da minha consciência: isso é meu ou do TDAH? Muitas vezes opto por seguir a vontade da doença, mas sigo consciente, não tenho o direito de reclamar depois. Mas em geral se vejo que é uma atitude 'contaminada' pela doença, mudo e faço o correto.
      Existem além da Ritalina comum, a Ritalina LA (uma ritalina de longa duração, mas deixou muitoooo nervoso), o Concerta (é uma Ritalina LA com dosagens diferentes, nunca usei) e o Venvanse ( é considerado o mais recente do mercado, mas não me adaptei muito bem. Tomava 30mg por dia e fiquei meio alheio à vida. Passei um dos piores momentos da minha vida sob efeito desse remédio e me senti como num filme, nem parecia que era comigo. Hoje minha médica fala que eu devo testar 10mg por dia, mas ainda estou avaliando; é muito caro.).
      Abraços
      Alexandre

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  7. Galera , em tudo em nossa vida , devemos nós concentrar na solução do problema, isso ocorre comigo todo santo dia , tenho 18 anos , descobri meu Tdah á exatamente 6 meses ...

    Lembro de ter sofrido muito quando terminei com minha ex , sabe por que ?? Eu era muito inseguro , o que leva automaticamente a você ser ciumento , possessivo ... Era chato mesmo kkk

    Nada é por acaso nessa vida , mudei muito nesses meses de tratamento , faço terapia comportamental , ritalina e lexapro todo dia kk , meus amigos de estrada !! Tenho sim .. Pensamentos desorganizados , ansiedade , tudo !!

    Hoje luto pelos meus sonhos , todos somos capazes , nada é fácil ! Admito que tem dias que não estou bem , isso é fato ! Meu objetivo de vida será ajudar a todos que sofrem com o Tdah , não sou leigo no assunto mas sei que posso !

    Abraços guerreiros !!

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  8. Nossa!
    Você disse tudo. Sinto-me assim, e é uma luta constante comigo mesma, angústias, medos que me bloqueiam, noites projetando e manhãs sem realizações. É difícil, ninguém acredita no que digo, só acham que eu não sou determinada, e não quero de verdade. Isso me deixa depressiva.

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