quarta-feira, 1 de março de 2017

O TDAH E A VIDA SEM PAIXÃO





Sem paixão não dá nem pra chupar um picolé. (Nelson Rodrigues)

E aí a pessoa disse: ' Na nossa idade o amor é uma construção. Não existe mais aquilo de paixão.'
Pelo visto esta pessoa está construindo um barraco de pau a pique.
Deve ser muito triste viver sem paixão.
Eu, como TDAH, não imagino o que é isso.
Não sei viver sem paixão. Tenho que ser apaixonado pelo que faço, por quem eu convivo, pelo que leio, pelo que como...
Viver sem paixão não é vida.
Creio que nenhum TDAH consegue viver sem paixão. É o combustível da vida. E não acredito que a paixão seja obrigatoriamente efêmera. Não precisa necessariamente ser...
A paixão se renova, basta querer. Basta escolher manter acesa a chama da paixão. Não adianta ao advogado estudar economia, ele tem que estudar o Direito , encantar-se com os desafios do Direito. Ou então vai cair na mesmice e ficará medíocre. Nesse caso o melhor é mudar de profissão.
Sou apaixonado por cidades que nunca estive, como Florença, por épocas que não me recordo de ter vivido, como a Renascença, mas Ilhéus e Veneza - cidades tão opostas - me arrebataram e lembro-me de ambas com paixão ... Tenho paixão por café, chocolate, queijo... Sou absolutamente apaixonado pelo livro Cem anos de solidão, já disse isso aqui cem vezes.
Não há vida sem paixão. O problema é que vincularam a paixão à um fogaréu intenso e de curto prazo. E não creio nisso. Todas as manhãs escolho apaixonar-me pela minha mulher. Claro, não digo isso literalmente. Mas quando opto por mandar um poema, uma declaração de amor, ou um mero bom dia para ela diariamente, eu conquisto-a um pouquinho mais, e me apaixono um pouco mais também.
Ao assistir o filme O Senhor dos Anéis pela milésima vez, encanto-me um pouco mais por sua grandiosidade, suas personagens fascinantes, e alimento minha paixão por esse filme.
Eu escolho manter acesa minhas paixões. E elas me fazem sentir que minha vida vale a pena.
Não é o dinheiro, ou o status, ou o reconhecimento que me movem; são minhas paixões.
Por isso concordo e admiro Nelson Rodrigues, tem que existir paixão por viver. O dia em que elas acabarem, o dia em que não me restar nem a paixão por uma xícara de café, já estará na hora de morrer. E aí morrerei sem receio ou pena de mim mesmo.
Viver já não valerá mais a pena.