sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O TDAH PRECISA DE AJUDA




Conversando com a amiga Ana Paula de BH, soube que ela havia contratado uma organizadora para 'destravar' um trabalho que precisava fazer, mas que vinha procrastinando a tempos. Até aí, normal para um TDAH. O que me chamou atenção nisso tudo foi quando ela disse que só agiu após "reconhecer que precisava de ajuda externa". Sim, parece tão simples; mas não é.
Parei de fumar em julho de 1998 após 24 anos de dependência absoluta do cigarro. Tentei parar inúmeras vezes, algumas delas com êxito de até uma semana. Mas sempre voltava. Só comecei  parar de verdade quando reconheci que sozinho jamais iria conseguir. E esse reconhecimento foi a chave para o sucesso; procurei ajuda especializada e parei definitivamente.
Esse foi o caso da Ana Paula. Por meses ela lidou com esse trabalho de reorganização de sua vida profissional sem sucesso. Por várias vezes levantou pela manhã decidida a resolver tudo de uma vez por todas. Só que não! O desânimo se apoderava, a procrastinação tomava conta de sua mente e as horas passavam; os dias passavam; os meses passavam. Um dia caiu a ficha: sozinha jamais vou conseguir! E buscou ajuda especializada. A organizadora resolveu em poucos dias o que ela não conseguiu em meses. Preguiça? Desleixo? Desorganização? Não; TDAH!
Todas aquelas caixas acumuladas representavam uma vida de outros tempos, e Ana não sabia se queria ver. Sua mente a boicotava dando ares de desimportância ao conteúdo daquelas caixas empilhadas. Seu sentimento de inferioridade é tão grande que desvalorizou sua atuação profissional nos anos anteriores, tirando-lhe qualquer desejo de remexer em sua papelada. Pra que remexer em coisas tão pueris? Tão ínfimas? Tão sem valor?
E Ana chegou a cogitar abandonar sua profissão. Afinal, sempre se sentiu uma profissional mediana e de pouco valor.
Então chegou a organizadora; num tapa desmanchou aquela fortaleza de mediocridade e desnudou a vida passada de Ana. E foi um choque! Ana não se lembrava exatamente do conteúdo das caixas, e redescobriu uma vida que esquecera; que sua mente boicotara. Ali dentro estavam ótimos momentos de que ela nem se lembrava de ter vivido. Ali dentro ela se reencontrou com antigos trabalhos de excelentes resultados para si e seus clientes. Ali dentro, repousava uma Ana Paula que ela própria não se lembrava de ser.
Assim funciona o TDAH. Nossa mente, silenciosamente, cobre com um véu negro tudo aquilo que fizemos, aprendemos, vivenciamos, sentimos, de bom. A culpa, os erros, as falhas, essas não, essas permanecem vivas e pontiagudas a nos incomodar cotidianamente. O resultado disso é um medo eterno de enfrentarmos tudo. Afinal sempre nos depararemos com o nosso pior, seja no passado, seja no futuro, uma vez que jamais construiremos nada de bom.
Pense; você pode estar precisando de ajuda externa nesse momento. Reconheça! Somente os fortes tem o poder de reconhecer suas fraquezas e transforma-las em mais pontos fortes.
Depois de tudo pronto, Ana Paula está curtindo sua 'caverna', como ela  nomeou. Um local de estudos, de trabalho, mas acima de tudo, um local onde a Ana Paula medrosa e inerte pode conviver com a Ana Paula competente e ativa que repousava nas caixas de papelão desde Fevereiro encoberta pelo pó do TDAH.
E ainda duvidam da existência dele...