terça-feira, 18 de abril de 2017

O TDAH DESCONSTRUINDO O FUTURO






Após sermos diagnosticados portadores de TDAH, tendemos a botar na conta do transtorno todos os nossos problemas, falhas e idiossincrasias. Isso é normal; às vezes por ainda conhecermos pouco o TDAH, noutras por que é melhor para as nossas consciências culparmos uma doença e não nosso caráter.  
Em diversas ocasiões o que teremos é uma soma de tudo.  
E aí recebo um e-mail de K que afirma estar desconfortável com suas reações ao fim de relacionamentos rompidos por iniciativa dela. Antigos e duradouros são deixados para trás sem dor, sem remorso. O último, de poucos meses e pouco contato real, ainda dói.  
Antiguidade e longevidade não significam amor. A facilidade com que acabou demonstra isso. O contrário também vale. E isso não é TDAH. Isso é vida!  
Mas, quando acrescentamos o TDAH a essa equação temos alguns resultados interessantes: esquecemos mais fácil do que a maioria;  nos culpamos mais do que a maioria. Então, se estamos dispostos a esquecer, deletamos e seguimos nosso caminho sem olhar para trás; mas, se não temos certeza daquilo que fizemos, ou se não queríamos aquele fim, sofremos N vezes mais. Nos culpamos e nossa mente repassa aquilo milhões de vezes por dia até a exaustão mental. 
Disso tudo, o que mais me chamou atenção no relato de K é o que ela não percebeu: os dois grandes relacionamentos que ela terminou e pouco sentiu, foram aqueles que os parceiros NÃO queriam o fim do relacionamento. O que a fez sofrer foi justamente aquele em que seu companheiro concordou com o rompimento.  
Claro que pouco sei sobre as reais razões e o verdadeiro comportamento de K, mas no seu e-mail ela deixa transparecer que 'instigou' seu último namorado ao término; e ele terminou. Nada mais TDAH do que expor-se ao risco, à auto imolação, à expor a própria vida à tragédia. E depois ficar choramingando por colher aquilo que plantou. 
Creio, K, que você está sofrendo pelos motivos errados. Nenhum de seus namorados são seus verdadeiros problemas; o TDAH sim. Não se preocupe tanto com suas reações após o fim dos relacionamentos. O que deve  te faz sofrer é seu comportamento inexplicável de terminar com namorados antevendo que tais relacionamentos não terão futuro. Com esse tipo de comportamento não terão mesmo. O futuro, K, não existe; ele é construído diariamente por cada pessoa, por cada casal, por cada gesto, por cada intenção. Imaginar que este ou aquele relacionamento não terá futuro é decretar seu fim antecipado. Só tem futuro o que queremos que tenha. E você deixou claro que 'matou' antecipadamente cada um deles. 
O que posso dizer? Para que você aproveite esse período sozinha para conhecer-se, conhecer bem o transtorno e viver o presente. Você não tem bola de cristal para adivinhar se esse ou aquele relacionamento terá futuro. Isso tem muita cara de auto sabotagem. 

3 comentários:

  1. Opá!!! Eu sou TDAH com muito orgulho, com muito amor, alegrias e sofrimentos.
    Vou simplificar,as agruras e manias do "doido" tdah todos aqui já conhecem, tenho 41 anos de idade, á unica coisa que consegui fazer direito em minha vida foi conquistar uma (s) mulher(es) cabelo ruin, fisico perna fina e barriga grande, ginecomastia grau 2, e um detalhe, caolho de um olho, que me rendeu apelido carinhoso que meus amigos adoravam me chamar,principalmente na frente de garotas, eles gritavam: Ceguinho!!!
    Eu com eles na balada só pegava o resto que sobrava, mas sozinho era implacável, a mistura álcool e tdah era fenomenal, inspiração de um Dom Juan,as garotas não resistiam a um papo agradável e hipnotizador, namorava e pegava verdadeiras beldades, meus amigos e parentes sempre com ha mesma pergunta, oque que esse cara faz pra conseguir essas mulheres???
    Só que meus relacionamentos ficavam cansativos para mim e duravam de 15 á 18 meses, eu esfriava,traia e deixava acabar,quando acabava e eu sentia que era pra valer, corria atrás e sofria até arrumar outra.
    Foi indo até que com 35 anos conheci uma mulher de 30 anos em uma cidade pequena onde eu fui passear em um final de semana, ela uma morena de parar o transito, alta, magra, cabelos lisos, escorridos até á cintura.
    Ela estava em um restaurante com algumas amigas, notei o semblante triste e olheiras nela, consegui fazer amizade, sentei na mesa dela, comecei um papo em grupo,só que me sentei ao lado dela, usei minha persuasão e fui trazendo a conversa para o lado pessoal dela, quando dei por mim estava nós dois a sós em uma mesa no canto reservado do bar, e ela me contando sobre a sua recente separação, 5 meses apenas de um casamento de mais de 10 anos.
    Eu consegui naquela noite apenas beijos e abraços,só que devido o sabor de aventura fui me envolvendo, e me lasquei...
    A mulher era louca, um ex noivo tinha tentado se matar, o ex marido na separação deu depressão e ficava trancado dentro de um quarto durante o dia e anoite ficava rondando as ruas da cidade.
    Bem comecei nessa,fui entrando no labirinto, eu com tdah,ela doida demais, a família dela me dizia que ela não prestava, e eu não pensava que era tanto.
    Lá se vão quase 7 anos que estou com a doida,ela da plantão de 24 hrs em pronto socorro ((é enfermeira) chega xingando que acasa tá uma bagunça, liga a maquina de lavar, vai arrumar casa,fazer almoço e ainda me ajuda a fazer picolés (temos uma sorveteria)
    Ela diz que sou lerdo, esquecido, que não perco a cabeça porque tá grudada no pescoço, me xinga e humilha porca usa da bagunça e desorganização, manda eu urinar sentado para não molhar o vaso (eu não obedeço) ela não gosta que bebo,esses dias ela estava dando plantão e eu em um barzinho com o som do carro ligado, não sei como ela me rastreou, só sei que ela chegou e eu na mesa com dois amigos, ela me desceu o braço e jogou o congelador do bar no meio da rua.
    Já separamos bem algumas vezes, mas logo fazemos as pazes,a ultima briga foi porque bebi e perdi minha carteira com todo o meu salario do mês, em outra feita já havia perdido a chave do nosso carro em um passeio que fomos, foi um prejuízo.
    Ela tem uma filha que esta hoje com 8 anos,quando conheci á mãe dela, ela estava com 1 e 8 meses, é o xerox da mãe, em tudo até no gênio,mas amo as duas, ela (a criança) me chama de pai amor...È isso o meu tratamento de choque que deu no meu TDAH.

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  2. E infelizmente talvez entre essas e outras muitos tdahs acabam deixando pra trás pessoas importantes que pudessem dar amor, carinho e apoio, sem ao menos pensar que poderiam estar deixando algo muito maior.

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  3. Eu sempre me saboto pensando que algo não tem futuro, no momento está acontecendo no meu emprego meu comportamento é muito parecido com a k. O bom é poder enxergar essa armadilhas conhecer seu inimigo(você mesmo).

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