domingo, 29 de junho de 2014

TDAH, POBREZINHO DESAJUSTADO...






Incrível como existem pessoas grosseiras e infelizes nesse mundo. Mesmo quando estão com a razão podem estragar tudo o que dizem com sua amargura, grosseria e preconceito. Recebi um comentário no meu último post cujo teor é aceitável até o ponto em que nos rotula de 'pobrezinhos desajustados'.
Esse rótulo infeliz denota preconceito, falta de educação, desconhecimento e ignorância de uma pessoa que escondeu-se confortavelmente no anonimato.
Concordo plenamente que nenhuma mulher (ou ser vivo) seja obrigado a aceitar ou suportar maus tratos, principalmente os físicos. Mas daí afirmar que nos 'escondemos' atrás do TDAH é uma agressão ignominiosa. Além da falta de caráter de esconder-se para vir num espaço dedicado ao debate franco e honesto, simplesmente para injetar seu veneno e sua estupidez, seu comentário só demonstra o atraso da medicina brasileira. Em qualquer país mais evoluído esse debate já foi ultrapassado sendo esses dinossauros do conhecimento já praticamente extintos e suas opiniões completamente desmoralizadas. Não aqui no Brasil. Aqui ainda existem pessoas mal intencionadas, ou simplesmente ignorantes, que se julgam no direito de tripudiar sobre o sentimento de outros seres humanos, simplesmente para defender suas ideias anacrônicas e nefastas.
Isto posto, vamos ao que presta desse infeliz comentário: não usei esse post ou o TDAH para justificar absolutamente nada; apenas relatei características existentes em grande parte dos portadores de TDAH.
Concordo com um outro comentário que credita esses ataques de fúria a outras doenças como bipolaridade, ou sei lá mais o quê. No meu caso, minha médica diagnosticou como Transtorno de humor. Mas andei pensando nisso, não acho que nossos ( ou meus) ataques de ira tenham a ver com as comorbidades (que claro, agravam todo o quadro) mas também com nossa absoluta incapacidade de lidar com pressões.
Aí entra o papel do parceiro(a). Ninguém é perfeito ou possui 'sangue de barata', mas o parceiro inteligente é aquele que não confronta o TDAH diretamente. Esse é o pior caminho, principalmente quando damos uma resposta impensada e imediata para um assunto que mereceria maior reflexão e análise. Se o(a) parceiro - não obrigatoriamente cônjuge, mas colega de trabalho e etc.- parar para analisar nosso comportamento, perceberá que damos uma resposta imediata, e muitas vezes agressiva, para muda-la mais adiante. Com um pouco de percepção e sensibilidade quem convive conosco observará que se deixar passar aquele momento, em breve estaremos aceitando argumentos e mudando nossas opiniões. Principalmente com a parceira, e aí falo por mim, é muito fácil conseguir as coisas, basta que seja com jeito. Confrontou, já era.
Só vim a perceber isso depois do diagnóstico.
Nesse último post tem um comentário de uma leitora que afirma que seu marido não mantém a palavra dada. Mas eu também não! Sou dado à bravatas no calor do momento que quase todo mundo que convive intimamente comigo sabe que não se realizarão. Mas podem se concretizar no calor do bate boca ou no momento da ira.
Acho que isso é inerente mais à nossa incapacidade de lidar com as pressões, de sentirmo-nos acuados, do que propriamente com um transtorno de humor. Desespero-me ao ver-me sem saída; ao notar que por mais que eu diga, a pessoa não me escuta; por mais que eu prove a pessoa não crê. Acusar-me injustamente é um fator desencadeador de um desespero que desaguará, fatalmente, numa explosão de ira.
Não estou justificando o injustificável. Apenas estou discutindo com cada um de vocês o que sentimos. Abro meu coração, minha alma, minha vida, para debatermos em alto nível os melhores caminhos para melhorarmos nossas vidas.
Mas, infelizmente, estamos sujeitos aos ataques dos boçais de plantão.