sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O TDAH QUE FALA BALEIÊS





Sim, eu quero falar baleiês!
E quero o direito de esquecer, ou não me lembrar, sem dor.
Sim, e quero seguir a correnteza do TDAH e ir aonde ela me levar.
Quero rir de mim mesmo; quero me olhar no espelho sem culpa; quero parar de me acusar, ou de me arrepender.
Sim, eu quero falar baleiês!
E quero que as pessoas me entendam. Quero poder falar do meu TDAH sem que as pessoas desconversem.
Quero deixar de ser um problema, e passar a ser uma alternativa.
Quero passar a mão sobre meu corpo e ver as cicatrizes desaparecerem suavemente.
Sim, eu quero falar baleiês!
E quero muitas Dorys ao meu lado.
Quero que minha memória falha deixe de ser folclórica ou tragicômica, para ser apenas um momento normal na vida de seres humanos falhos. Como todos são.
Quero que o TDAH deixe de ser um rótulo, para ser um direito.
Sim, eu quero falar baleiês!
E quero renascer a cada queda, e ter ao meu lado quem me apoie e me ajude.
Quero poder ser eu mesmo, em casa, na escola, no trabalho, sem ter que me esforçar para encobrir as falhas que denigrem minha imagem.
Sim eu quero falar baleiês!
E quero parar de ter minha vida e minha conduta pautada pelos 'trouxas', que nada sabem de TDAH, que nada sabem de dor, que nada sabem de quedas, que nada sabem de renascimento.
Sim, eu quero falar baleiês!
E quero que o mundo me respeite.
Quero não, exijo!