segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O TDAH NÃO É PARA ESSE MUNDO






Os portadores de TDAH seriam diferentes num mundo diferente?
Os críticos do TDAH alegam - entre outras idiotices - que está havendo um excesso de diagnósticos, uma explosão de receituários de Ritalina, blá, blá, blá...
Essa tal 'explosão' não seria um mero reflexo do 'novo' mundo em que vivemos?
Sou péssimo sob pressão, nem um pouco competitivo e me descontrolo facilmente se preciso agir e pensar muito rapidamente...
E esse é o mundo de hoje; alta pressão, alta velocidade e altíssima competitividade.
Não é de se estranhar que os diagnósticos de TDAH tenham aumentado tanto. Uma doença que compromete a memória, o foco, dificulta o cumprimento de metas, a conclusão de cursos, a estabilidade dos relacionamentos, é absolutamente inadequada - quase incapacitante mesmo - numa época onde essas características são altamente exigidas e valorizadas,
Não basta ser formado, é preciso ter mestrado, especialização e ser fluente em, pelo menos, um idioma. Abandonei duas faculdades, me matriculei e abandonei  sei lá quantos cursos de inglês. E um de italiano que nem fui na primeira aula. Mas paguei a matrícula e uma mensalidade.  Ao bom profissional ainda é recomendado fazer uma atividade física, relacionar-se bem ( o tal de networking), bombar no Facebook (sim, isso também é considerado nas entrevista de emprego hoje em dia) e ser pró ativo, trabalhar bem em equipe. Todas,  características que não possuo. Odeio atividade física, sou muiiiiito preguiçoso; tenho tendência a ermitão, odeio networking; enchi o saco de Facebook e sou péssimo pra trabalhar em equipe. Pró ativo eu sou nos primeiros quinze dias, depois começo a procrastinar e tudo vai por água abaixo.
Num mundo mais light, minhas características típicas da doença seriam bem toleradas ou nem percebidas.
Como disfarçar a procrastinação num mundo onde tudo é pra ontem?
Como ser 'desmemoriado' num mundo onde devemos fazer mais a cada dia? Mais no trabalho, mais em casa ( como cônjuge e como pai/mãe), até como amigo temos que ser melhores, mais ativos, mais presentes. Como lembrar-se de aniversários, mimos, compras, compromissos... Aja Ritalina!
Os detratores do TDAH desconsideram tudo isso; o importante é nos agredir.
Mas a verdade, é que sem pressão a criatividade floresce mais facilmente. Esse blog, por exemplo, minha exigência de trabalho aumentou muito e acabei sacrificando os posts aqui nesse espaço. Até penso em escrever novos posts, mas me dá uma preguiçaaaaaaa....
Esse post que estou escrevendo, comecei ontem, e só surgiu por sugestão do Gabriel Valandro que comentou sobre o assunto no último post.
Acho que não somos dessa época. Somos de um tempo mais lento, mais tranquilo e mais humano. Um tempo onde o ser humano  era mais importante do que as empresas e a economia servia ao ser humano, e não o contrário.
A um enorme custo, vamos tentando nos adaptar a essa época de pressões descabidas. Ganhamos umas, perdemos outras; mas perdemos todos a possibilidade de sermos mais úteis ao nosso mundo, às pessoas e, principalmente, de levarmos uma vida mais plena e feliz.