sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O TDAH INQUEBRANTÁVEL








Não sei quem sou, nunca soube...
Não sou futuro; nem presente. Sou ausência...
Não sou coragem; medo muito menos. Sou liberdade...
Memória sei que não sou; nem tampouco esquecimento. Sou incômodo...
Sim, incômodo. Incomodo a você, incomodo a mim mesmo, incomodo à sociedade em geral. Essa sociedade que me ignora, que finge não me enxergar, que não quer me ouvir.
Mas eu grito, me debato, me imponho.
Me imponho com meu silêncio, minha reclusão, minha rebeldia, minha inconstância, minha volatilidade.
Quem não me engole, tem de me aspirar; quem não me tolera, tem de me carregar.
Estou aí, à volta de quem não me quer, não me acredita, não me respeita.
Minha vida errante, minha memória claudicante, minha impulsividade incontrolável, até agridem. Mas o que mais incomoda, é essa capacidade TDAHDIANA  de se restaurar, se reerguer, de renascer. A infinita - e talvez infantil - capacidade de sacudir a poeira, ignorar as feridas e os andrajos, e de cabeça erguida e sorriso no rosto, seguir o caminho.
Ao nos reerguermos com esse sorriso e de cabeça erguida, damos a eles o argumento de que, na verdade, somos um bando de cretinos.
Mas não, somos sobreviventes de nós mesmos, da nossa doença, da nossa auto destruição.
Ergo-me agora pela enésima vez; o coração que ontem sangrava, cicatrizou. A dor lancinante, desapareceu. O medo, dissipou-se. Uma nova vida nasceu. Sem exagero, cada amanhecer é uma nova vida para o TDAH.
Quem pode suportar tamanha visão?
Onde está aquele farrapo humano de ontem?
Jaz ali, onde o corpo esteve caído até ontem. Hoje não mais; hoje sou novo, resplandecente, confiante...
Ninguém de fora entende tamanha mudança. Mas você, que é igual a mim, sabe; sabe que a força está dentro de cada um de nós. Sabe que o TDAH que nos derruba, é o mesmo que nos dá força para nos reerguermos.
Enquanto isso, os trouxas choram e rangem os dentes.
Que fiquem assim, é o que eles merecem...