quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O TDAH PARA O NOVO ANO





Sabe o que eu quero pra 2015?
Ser eu mesmo!
Com TDAH e tudo!
Quero dar de cara comigo em primeiro de janeiro próximo, e prometo não me deixar escapar.
Olharei em meus olhos e reconhecerei meus sonhos adiados ou abandonados. Verei em seu brilho as grandes coisas com que sonhei e permiti que a realidade as enterrasse vivas. Mas não permitirei que morram sufocadas. Sonhos são para serem perseguidos a vida inteira. A realidade não tem o direito de matá-los. 
Certamente o velho eu abraçará aquele que chega, mas em silêncio. O velho Alexandre não poderá contaminar o novo com sua dor, suas decepções e frustrações. Já basta o olhar sofrido e apagado com que fitará o recém chegado. Não! Não permitirei que fale, mas no abraço, aquele velho que parte levará no peito o calor da empolgação do novo eu. Seu calor cicatrizará feridas que ganhei ao longo desse penoso e interminável 2014. O velho eu caminhará sem sorrisos para o paraíso dos anos esquecidos; ou de triste lembrança. 
Mas o que muda com a simples mudança de um dia para o outro?
Nada!
Mas muda tudo!
Misteriosamente, inexplicavelmente nosso peito enche-se de esperança de mudanças e conquistas. Almejamos, sonhamos, planejamos, novas conquistas, novas atitudes, novos ganhos.
Eu não quero nada novo. Quero recuperar sonhos que permiti que a realidade esmagasse. Quero as cores da minha vida apagadas pelas dores desse ano insensível. Quero poder encarar a mim mesmo e me reconhecer.
Isso implica ser mais ou menos TDAH? Não, mas implica permitir que minha natureza TDAH seja mais respeitada, mais aceita, mais valorizada. Não falo aqui em abandonar tratamento ou mudar meu foco. Absolutamente... Apenas quero saltar da engrenagem que me esmaga e me pasteuriza. 
Continuarei meu tratamento, mas respeitarei mais minha natureza. Perseguirei incessantemente esse objetivo: deixar de ser aplainado; robotizado; esmagado; uniformizado.
Tenho de me reencontrar sob pena de perenizar a melancolia que paira sobre mim a algum tempo.
É isso!
Prometo ser eu em 2015!
Esquecido, sim; mas lembrando do que me é caro. Procrastinador, sim; mas não adiando minhas crenças, meus sonhos, minha vida. Sem completar projetos, sim; mas apenas aqueles não verdadeiros, aqueles sonhados por outrem pra minha vida. Falta de foco, sim; deixarei de focar no que me infelicita, ainda que escondido sob a capa de segurança ou recompensa futura. Alterações de humor, sim; mas de alegre para feliz; de triste para feliz; momentos tristes sempre existirão, mas ano triste nunca mais. Dificuldade de rotina, sim; mas dessa rotina massacrante da vida hodierna. Impulsividade, sim; muita impulsividade pra atirar pra bem longe as amarras da camisa de força da pseudo estabilidade. Pseudo estabilidade cujo preço é a alma cinza; cinza chumbo.
2015 surge como o sol que rompe dias de nuvens pesadas como chumbo; a noite que enfim começa a ser derrotada pelo amanhecer...
Seja bem vindo, ano novo! Te recebo de alma aberta!