quarta-feira, 1 de abril de 2015

O TDAH E OS PROJETOS ABANDONADOS




Um comentário no blog dizia que deixar projetos inconclusos consome energia, desgasta...
Deve desgastar mesmo, principalmente se a pessoa tem consciência de que o deixou sem conclusão.
Não com um TDAH. E aí reside a principal confusão que um não TDAH faz ao tentar nos ajudar. Não temos consciência de que abandonamos os projetos, simplesmente eles são substituídos por novos sonhos, por novos projetos, por novas sensações...
O projeto é sabotado por uma série de comportamentos erráticos que tomamos ao longo de sua construção.
O abandonamos por que cansamos dele, por que enjoamos, por que o legal é projetar e não concluir. O sonho é  mais importante do que a obra. Muitas vezes elaborar o projeto já sacia o desejo por ele, não é necessário concluí-lo.
O que sabota um projeto é a infinidade de caminhos mentais que se abrem durante sua elaboração. A cada passo, novas emoções se nos oferecem, são novas janelas, com novas e interessantes paisagens; que por sua vez, se abrem para novas janelas, que se abrem para novas janelas... E o projeto original foi apenas o  mote para tantas sensações; já foi esquecido, morreu, caiu no limbo.
O TDAH nos guia pelos labirintos da mente, mas ele também não conhece o caminho. Mas ainda que saibamos disso, não conseguimos nos desvencilhar dele.
O que nos resta é inverter essa relação; deixarmos de ser guiados pelo TDAH e passarmos a guiá-lo por entre os corredores da mente humana.
Não sabemos se encontraremos a saída, mas sabemos que, pelo menos,  assumimos o controle dessa busca.