terça-feira, 26 de maio de 2015

TDAH: EU QUERO ME CURAR?





Calma... Eu sei que TDAH não tem cura.
Ainda que tivesse, eu fico pensando: Será que quero abandonar meus devaneios? Minhas viagens à lua? 
Vou trocar meu refúgio pelo quê? 
Sei que ando com a cabeça nas nuvens e que isso é responsável por muitos dos meus erros. Mas como será viver sem isso? Como será encarar de frente todos os meus erros, tombos e falhas? 
Quero isso mesmo? 
A cada 'viagem' salvo a humanidade, salvo minha vida, escrevo livros e critico sábios e boçais. Como vou viver na mediocridade dos ' trouxas ' ? Como vou me ater a esse mundinho vil da realidade mesquinha dos pobres mortais? 
Como vou me conformar com a jaula mental daqueles que não almejam o prêmio Nobel; não almejam sequer um Oscar ou um Grammy? 
Não sei se suportarei tal quitinete mental. 
Como domar pensamentos e sentimentos de tal magnitude? 
Dirão os trouxas que isso é infantilidade. E é verdade. Dirão também que isso prejudica minha vida. E isso também é verdade. Dirão ainda que fujo da realidade. E ainda direi que é verdade. 
Mas essa força infinita do TDAH não virá daí? Desse sonho sem fim que nos alimenta? Não será esse o lenitivo de nossas feridas?  
Uma frase da amiga Ana Paula chamou minha atenção: A gente chora, distrai e esquece. 
Sim! Distrai é a  palavra chave! 
Enquanto os trouxas ficam remoendo a derrota, cultivando a dor, criando salvaguardas pra não cair na mesma esparrela, o TDAH não; distrai e esquece. 
E recomeça de novo. É, com pleonasmo mesmo. Recomeçamos tanto, mas tanto, mas tanto, que só o pleonasmo pra representar com exatidão. 
Sim, já sei o que dirão os idiotas da objetividade: Claro, você recomeça porque não aprende com os erros. 
Tem razão, mas a vida do Harry Potter rendeu seis ou sete filmes baseados em seis livros e arrastaram multidões aos cinemas e livrarias do mundo inteiro. 
A vida dos trouxas daria um livro de umas oitenta páginas e, no máximo,  um curta metragem. Que só a família iria assistir... 
Sei lá, acho que prefiro ter duas ou três lápides no meu túmulo a abrir mão das vidas que levo em minha mente.