quarta-feira, 6 de maio de 2015

TDAH: O CONFRONTO DESNECESSÁRIO



Quer uma boa briga?
Confronte seu TDAH!  Marido, esposa, namorado, filha, filho...
Você terá um vulcão de volta.
Aqueles mais passivos podem até não responder no mesmo diapasão, mas se fecharão às suas palavras, aos seus sentimentos, à sua razão.
E mais, estarão mais um passo distante de você.
Todos nós odiamos o confronto, mas não sabemos reagir de outra forma.
Como na fábula do escorpião e do sapo, é da nossa natureza.
Uma boa briga, um enorme barraco, terá como efeito imediato um gigantesco desprezo por você. Não importa se a razão está ou não com você, odiamos essas demonstrações de fraqueza e desequilíbrio. E detestamos os fracos.
Ainda que a resposta do TDAH seja o silêncio, nunca fará o que você quer. Só de pirraça. Só pra te mostrar que sua fraqueza não tem efeito prático algum.
Pare agora!
Repense sua estratégia, seu modo de agir com seu TDAH favorito. Esse caminho até agora foi inútil, só gerou briga e desgaste,
Mas atenção, não confunda mudança de estratégia com passividade ou omissão. Não! Pare pra pensar em quando, como ou por que em alguns momentos seu TDAH favorito fez exatamente o que você queria ou aquilo que era correto. Qual foi a sua abordagem? Qual foi a motivação do seu TDAH?
Seu filho adolescente é um problema? Faz o oposto do que deveria?
Pense na vida que ele leva: É isso mesmo que ele queria fazer? Era essa vida que ele sonhava?
Obviamente algumas coisas são inegociáveis, mas ele ama natação, ou inglês, ou as aulas de reforço?
Sei lá, talvez ele prefira box, muay thai, balé, xadrez ou música. Negocie com ele. Tire uma tarefa em troca de algo que ele goste, desde que ele ofereça melhoras no estudo ou no comportamento.
Seu marido é instável? Irascível? Insuportável?
Pense também na vida que ele tem. Ele trabalha no que ama? Sua profissão é o seu sonho?
Sabemos que é dificílimo conviver com uma pessoa cheia de potencial na adolescência e que hoje, dez, quinze anos depois é um retumbante fracasso. Ele destruiu seus sonhos por burrice, infantilidade, ingenuidade... Mas imagine; como será que ele se sente? Imagine o gosto amargo que ele carrega na boca 24 horas por dia. Imagine o sentimento que ele tem ao passar diante daquela rua, daquela escola, daqueles símbolos de sua derrota. Dói muito! Mas muito mesmo. E você o taxa de insensível; mas sua alma sangra. Sangra diariamente...
Já não é dor demais? Ainda que não pareça, é.
Aprenda a comer pelas beiradas, sem confronto, sem brigas. A primeira reação do seu TDAH foi dizer não, aí você briga. Não! Cale-se e pareça concordar. Depois, em outro momento, tangencie o assunto, fale levemente sobre as opções e deixe a tortuosa cabeça dele concluir aquilo que você quer.
Mude! bater de frente é derrota na certa.
Para ambos os lados.