segunda-feira, 27 de junho de 2016

O TDAH E A DOR DO PASSADO




O seu passado dói? 
O meu não.  
Duro dizer isso, mas é a verdade. 
As pessoas que passaram por minha vida, os lugares em que vivi, as empresas em que trabalhei, ocupam hoje um local nebuloso e distante em minha vida. Relembro- os sem dor ou emoção especial. Jamais volto num ex local de trabalhonuma ex casa... Apenas fizeram parte da minha vida. Obviamente, tenho consciência de que contribuíram para quem sou hojereconheço o que fizeram por mim, mas emocionalmente...
Não olho pra trás, apenas sigo adiante. 
Aqueles posts do Facebook alusivos ao passado:  Se você comeu isso ou aquilo; se você usou essa ou aquela roupa... Não me emocionam, são apenas curiosidades.  
Assim como não dói, o passado não serve como aprendizado. Repito n vezes o mesmo erro, sigo os mesmos caminhos que me levaram a lugar nenhum sem reconhece-los ou se os reconheço, sou incapaz de me lembrar de suas desastrosas consequências. 
Apenas sigo adiante... 
Não sei se isso é bom ou ruim, não conheço outra forma de ser para comparar. Essa é a minha forma de viver. Sob o jugo do TDAH. Ou sob a égide do TDAH. Dependendo do ponto de vista.  
Sou muito elogiado por ter superado as consequências de minha derrocada empresarial aparentemente sem máculas. Vaidosamente agradeço, mas na verdade creio que isso seja muito mais uma característica do TDAH do que mérito meu. O passado pouco me atinge, pouco me afeta, por consequência, o passado de sucesso empresarial e financeiro está lá, naquela vala comum, nebulosa e distante onde tudo do meu passado se encontra. Isso é bom, sigo a vida sem me abalar com o fracasso ou o declínio financeiro. Mas, por outro lado, creio que se montasse uma nova empresa cometeria os mesmos erros. 
O que não marca para o bem, não marca para o mal. É apenas o passado... 
Assim são os sentimentos; minhas mágoas mais profundas, meu ódios eternos, desvanecem com o tempo e acabam naquela vala nebulosa... 
Em algumas ocasiões eu me cobro sentir mais do que sinto; noutras até finjo que sinto mais do que o que efetivamente estou sentindo. 
Quando me deparo com pessoas saudosistas fico pensando se são melhores, ou vivem, melhor do que eu. Mas agarrar-se ao passado, viver olhando pelo retrovisor me parece doloroso. E inútil. Aquilo que passou, foi superado, foi vivido e não pode mais ser revivido. Não se pode mais reviver os sabores, os odores, os toques, os sons... Até por que, você já não será mais a mesma pessoa que viveu aquela primeira experiência. Relembrar? Talvez, mas sem fidelidade. Quem relembra, lembra através de seus filtros mentais, de suas experiências posteriores e, automaticamente, relembra da forma que melhor lhe parece. 
Enquanto eu; eu apenas sigo adiante... 
O mais curioso:  O meu sonho era ser professor de História!