quarta-feira, 8 de junho de 2016

UM TDAH SERIAL KILLER







Tenho que confessar: Sou um serial killer!!! 
Verdade, já matei inúmeras pessoas. E eu fico me perguntando se sou o único TDAH assassino em série. O único eu já sei que não sou; ontem uma amiga me chamou no WhatsApp para me contar seus pensamentos homicidas; descobri então que não sou o único. 
Aí resolvi pesquisar; existem outros TDAHs que já mataram mentalmente parentes, amigos e até desconhecidos? Se existirem, manifestem-se, por favor.
Mas não pensava: Vou matar essa pessoa! Não, de repente, em meio a uma conversa amena e despretensiosa, surgia diante dos meus olhos um flash onde me via assassinando meu interlocutor... 
Ou, quando estava num local cheio de gente, era tomado por um momento de fúria mental e acabava chacinando toda aquela turba que me cercava. 
Engraçado que essas imagens homicidas desapareceram da minha vida a alguns anos. Não sei quando nem porque. Só me lembrei disso nessa conversa com minha amiga. Veio-me à memória cenas nítidas que me preocuparam na época. Cheguei a temer que pudesse vir a cometer mesmo um crime. Mas jamais tive vontade de matar alguém. Jamais! 
São flashes de uma imaginação absurdamente fértil e descontrolada. Mais nada. 
E não paravam somente nessas cenas homicidas; 'previa' acidentes e tragédias. Nunca se concretizaram, acho; mas quantas vezes imaginei veículos na estrada capotando, atravessando a pista e se chocando com aqueles que vinham em sentido contrário. Já vi prédios desabando, encostas desmoronando e tsunamis destruindo cidades. 
Tipo Calvin e Haroldo. O moleque vai andando pela rua e a simples visão de um cachorro deitado desencadeia em sua mente uma luta de vida ou morte contra aquela 'fera' ali dormitando. 
Se você é TDAH e ainda não leu a tiras deles, não sabe o que está perdendo.  
Você vai se reconhecer em cada tirinha. 
Nunca combati isso diretamente, nem sei se tive consciência disso, talvez o tratamento tenha domado esse devaneio estranho, o que sei é que acabou. E é bom que tenha acabado, ainda que fosse inofensivo, é desagradável ver-me matando pessoas que gosto. E mesmo as desconhecidas não merecem esse triste fim. 
Confesso que algumas pessoas até acho que mereceriam, mas isso é outra conversa...