sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O TDAH E A TRISTEZA ARTIFICIAL





Ela vem silenciosa e repentinamente... Os primeiros sintomas são os membros pesados... Um tipo de fraqueza muscular nos apossa que os gestos mais banais parecem um enorme esforço. A vida se torna uma inimiga cinza, densa e pesada. Até as pálpebras pesam. Tudo parece maior e mais difícil de se realizar.  
Esse torpor, esse desânimo, essa sensação de ter sido derrotado pela vida instala-se a partir do nada. Uma frase desconexa, uma lembrança, uma falha... Não existe um gatilho específico. Apenas algo desperta aquela sombra densa que recobre, repentinamente, nossas vidas. E o mais estranho é que, do mesmo jeito que surge, desaparece sem deixar vestígios. De um momento para o outro, aquela sensação de que você é o pior ser humano da terra desaparece. Sim, D E S A P A R E C E. 
E você não sabe como.  
Escrevendo esse texto, lembrei-me de ter essas crises de 'melancolia' na adolescência, e que passavam misteriosamente ao som de um samba de João Bosco e Aldir Blanc. Sim, um samba -tratamento.  
Cheguei a tomar remédio por isso. Inutilmente, diga-se de passagem. Depois que descobri que fazia parte do pacote do TDAH resolvi mudar minha convivência com esse torpor. Passei a reconhecê-lo e confrontá-lo. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Você, de tanto prestar atenção ao seu próprio comportamento, começa a reconhecer onde termina sua personalidade e onde começa o TDAH. E aí você pode combatê-lo. E foi o que fiz. E faço. Basta que eu comece a sentir o gosto da derrota na boca, a semiparalisia do sentimento de inferioridade, que eu começo a me questionar: aconteceu algo objetivo para me deixar nesse estado? Se não aconteceu, o que é verdade na enorme maioria dos casos, eu entro na fase dois; o combate. Procuro pensar em coisas boas que eu tenha feito, músicas, coisas que li e gostei... Bobinho, né? E é mesmo. Mas funciona como um milagre. Esse estado, é um estado artificial, imotivado, não é seu, é do transtorno. E ele desaparece. Como por encanto...  
Claro, existem momentos concretos, provocados por problemas reais. Mas são minorias. 
O que faço é isso : 
Auto conhecimento. A cada reação, a cada sentimento, a cada decisão, pense e analise aquilo que viveu. Se você leu e se informou sobre o TDAH, vai começar a reconhecer onde e como ele age na sua vida.  
Enfrentamento. É tentar mudar aquele comportamento influenciado pelo TDAH. Não vai ser fácil, não vai ser sempre. Mas vai ser possível.  
Se não der certo hoje, vai dar amanhã ou depois. Só não pode é desistir. Aliás, lembrei-me de uma frase do meu amigo de TDAH Frank Slade - que sumiu como todo bom TDAH - O TDAH que nos derruba é o mesmo que nos dá força para nos reerguermos.  

PS.: Agradeço à amiga Fabíola, de Recife, pela sugestão do tema e do título.