segunda-feira, 26 de março de 2018

TDAH, QUEDA E ASCENSÃO



É como uma névoa que chega lentamente e vai se adensando pouco a pouco. A lentidão do processo causa a falsa impressão de adaptação visual. E de repente, perdemos o rumo da vida...
Caminhando em meio à densa névoa trombamos nos obstáculos, pegamos o caminho errado, perdemos a direção e o sentido; perdemos a noção ...
E, em meio a essa desorientação é que a ficha cai; a névoa é o TDAH que tolda a visão e faz perder o rumo. Mais uma vez vítimas da auto sabotagem; a vida entrara nos trilhos, o remédio fazia seu efeito,  a vigilância mantinha a mente alerta, o auto conhecimento era a bússola perfeita.
Mas o ardiloso TDAH jamais dorme. Em silêncio começa a enviar pensamentos falso positivos para que essa tranquilidade criada pelo tratamento, pareça definitiva e solidificada. E a consequência é o relaxamento no auto conhecimento, a redução da vigilância e o  consequente esquecimento do remédio. Primeiro esquecemos por um dia, retomamos a rotina apenas para esquecer novamente, agora por mais dias. A percepção de que nada muda sem o remédio reforça  a auto sabotagem.
E as falhas mais primárias,  aquelas que originaram a busca de ajuda médica, ressurgem de forma avassaladora. As primeiras falhas encontra-nos atordoados e perplexos. Acreditamos que essa falha não se repetirá, que foi que um caso fortuito,  e nada fazemos para corrigir. Somente a sucessão de erros e suas nefastas consequências servirão de alerta para o desvio de rumo.
Entrará nesse momento a melhor, e a pior, qualidade do TDAH:  o 'efeito fênix', ou a inesgotável capacidade de renascer. Sem traumas,  sem drama, como Sísifo na mitologia grega, voltamos a empurrar a rocha morro acima. E aí reside o pior dessa capacidade: a facilidade de reerguermo-nos não permite que  aprendamos com os erros que originaram a última queda. Por isso caímos sempre; incorremos sempre nos mesmos erros.
E então chegamos nesse ponto, depois de anos de tratamento, relaxei e caí do cavalo. Nada de novo para um TDAH de 57 anos, mas com um amargo sabor de derrota.
Derrota? Como derrota? Semana que vem inauguro minha loja; todo o mobiliário feito ou reciclado por mim. Toda a montagem feita por mim, absolutamente sozinho. Com certeza, se tivesse comprado pronto ou encomendado a um profissional ficaria mais bonito, mais bem feito. Mas jamais teria esse doce sabor de vitória.
Ao infinito e além!

3 comentários:

  1. Amei seu blog.
    Descobri (tive o diagnóstico) do TDAH esse anos, já com 35 anos. Li alguns dos seus textos e me vi!
    Obrigada e espero que continue a nos brindar com essas leituras perfeitas sobre o que é ter TDAH.
    Ah e parabéns pela loja!!

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