quarta-feira, 9 de maio de 2018

RITALINA, A DROGA LEGAL. MÁ FÉ OU IGNORÂNCIA?








Tem circulado um texto no Facebook, aliás, voltou a circular porque é um texto antigo publicado por uma revista chamada Saber Viver Mais, escrito por Roberto Amado, com base em informações de um site chamado Antropo Sofy e replicado por outra página chamada Resiliência Humana (ufa), chamando a Ritalina de droga, de similar à cocaína, da classe das anfetaminas...
Um amontoado de asneiras sem fim. O texto certamente foi escrito por uma pessoa que não tem a menor ideia do que é ser portador de TDAH. Nunca conviveu com uma criança hiperativa e acaba por produzir um texto cheio de lugares comuns, mas extremamente pernicioso por usar termos apelativos e chavões preconceituosos.
A Ritalina não causa dependência, um dos maiores problemas do tratamento do TDAH é porque nos esquecemos de tomar o remédio; e isso não nos causa nenhum efeito colateral além de ficarmos sem tratamento. A Ritalina não provoca síndrome de abstinência, qualquer TDAH é testemunha disso; paramos e voltamos a tomar o remédio a qualquer tempo a qualquer hora, sem nenhuma crise de abstinência.Outra mentira: a Ritalina robotiza; nada mais falso!
Insurgir-se contra o único medicamento de baixo custo que funciona, ainda que parcialmente , no controle do TDAH é má fé, desonestidade e falta de caráter. A única opção ao Metilfenidato custa cerca de vinte vezes mais.
As afirmações de que estraga-se o futuro de crianças diferentes é desonesta, nefasta e ridícula; escola nenhuma quer uma criança hiperativa, que não para sentada, que não presta atenção, que perturba os colegas. Um aluno hiperativo é um estorvo em sala de aula. E em casa. Em onde for. Testemunho pessoal: Fui convidado a sair de uma escola; perambulei por várias sem sucesso... Com muito custo consegui tirar o segundo grau e entrar na faculdade; que obviamente não concluí em três oportunidades. Minha vida poderia ter sido outra se tivesse descoberto o TDAH ainda na adolescência...
Pergunte a essa tal médica que trabalha na Unicamp se ela vive fora do esquema; se ela se insurgiu ou se insurge contra as regras; se ela é impulsiva fala o que quer, na hora que quer; se ela viajava nas aulas da faculdade de medicina; se ela esquece os horários das aulas ou das provas de seus alunos; pergunte a essa senhora se ela perde os trabalhos de seus alunos ou orientandos...
Essa senhora é ridícula! Ela sim, coloca em risco o futuro de quem acredita em afirmações desprovidas de conexão com a realidade. Beirando a má fé.
A vida exige foco, atenção, disciplina, produtividade... Tudo o que essa senhora tem em seu trabalho de professora da Unicamp. Ela não tem o direito de jogar com o futuro de seus pequenos pacientes com o objetivo de ganhar fama como ‘defensora dos diferentes’.
Respeitem os portadores de TDAH! Nosso transtorno é reconhecido pela ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE  e consta da CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE DOENÇAS (CID) sob o código F90. Esta classificação é traduzida em 45 idiomas e adotadas em 115 países. Ou seja, todas estas pessoas, cientistas e países estão errados? Somente esta tal médica e quem escreveu este texto eivado de erros e más intenções estão certos?
O brasileiro ama a teoria da conspiração! Sempre somos vítimas de malvados capitalistas internacionais que sugam nosso sangue. E acabamos caindo nas garras de pessoas mal informadas, mal intencionadas ou simplesmente ignorantes.

3 comentários:

  1. Isso é de uma irresponsabilidade sem precedentes. Quem conhece e convive com alguém que tem o TDAH sabe a diferença que a ritalina faz na vida da pessoa.

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  2. " A única opção ao Metilfenidato custa cerca de vinte vezes mais." Fiquei curioso aqui, qual opção que você está falando ?

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    1. Oi Pedro, a única opção que existe no momento é o Venvanse. Mas custa mais de trezentos reais uma caixa.
      Um abraço

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