domingo, 22 de maio de 2011

A MONTANHA RUSSA DO TRATAMENTO DO TDAH.



No princípio foi a perplexidade
Uma doença
Depois a revolta; por que tão tarde?
Por que não descobrir a tempo de mudar minha vida?
Depois a consciência de que ainda tenho muita vida a viver.
E a mudar.
E veio o tratamento.
E a esperança de que tudo mudaria como num passe de mágica.
E não mudou.
E veio a decepção, o desinteresse, a vontade de abandonar o tratamento.
A ritalina não resolve, não sinto seus efeitos.
Por fim, comecei a ter consciência de que a mudança é um processo.
Um passo após o outro.
O exercício da paciência.
O fino véu que me cobria a vida começa aos poucos a desaparecer.
Mudanças de perspectiva, de padrão mental.
Os frutos da persistência começam a ser colhidos.
Mas tenho a certeza de que a vigilância deve ser permanente.
Carrego dentro de mim o inimigo; ele hiberna, mas não está morto.
Apenas aguarda que eu baixe a guarda para atacar de novo.
( Por falar nisso, hora da ritalina.rs)
Paciência, motivação, vigilância.
Isso resulta em auto estima, amor próprio, vontade de viver melhor.
Como todo tratamento é chato, cansativo, enjoado, mas os efeitos do TDAH
são muito piores, são cruéis e dolorosos.
Eu não quero mais senti-los.
Eu quero viver.