domingo, 19 de fevereiro de 2012

SEGUIR EM FRENTE APESAR DO TDAH



Existe uma certa tendência a ficarmos agarrados ao passado, às nossas piores características ao sermos diagnosticados como portadores de TDAH. Passamos a fazer uma enorme revisão de nossas vidas, de nossas escolhas, falhas e acertos, responsabilizando o TDAH pelos erros e sonhando com novos tempos.
O tempo vai passando e começamos a nos confrontar com vários dilemas, em geral o primeiro é  fazer ou não o tratamento, depois, manter ou não o tratamento. Uma enorme vontade de contar ao mundo aos berros: OLHA, MUNDO, EU TENHO TDAH! MEU COMPORTAMENTO ATÉ AQUI ESTAVA CONTAMINADO PELO TDAH! As vezes ensaiamos contar aos amigos mais próximos, ou a outros nem tão próximos e, normalmente quando o fazemos a resposta é o silêncio, a descrença, ou um sorriso amarelo. Aí caímos na real: ninguém quer saber, ninguém quer lidar com um 'maluquinho' de uma hora pra outra. Teriam de mudar seus conceitos a nosso respeito.
E agora? Com quem compartilhar meu TDAH e todas as dúvidas que ele me traz?
Quer um conselho? Procurar um psicólogo, escrever um blog ou procurar outros portadores para discutir as angústias. Os 'normais' não querem se incomodar com nossos problemas.
Mas o melhor conselho é: sigamos em frente. Não podemos nos prender ao TDAH, o que foi feito no passado não volta, as pessoas que magoamos ou deixamos dificilmente vão acreditar que agimos sob influencia do TDAH.
A consciência do TDAH tem de ser usada por nós mesmos para um auto policiamento, para evitar que continuemos repetindo os mesmos comportamentos.
Usar o TDAH como muleta e desculpa pra vida é uma enorme tentação, mas nos impede de seguir em frente, de obter novas conquistas e de construir uma nova vida. Obviamente não vamos nos proibir de falar no assunto nem criar um tabu sobre ele, mas o TDAH não somos nós, ele é apenas uma parte de nossa personalidade, de nosso comportamento.
A vida continua, apesar de sermos portadores de TDAH; a terra continua girando, apesar de sermos portadores de TDAH; as pessoas continuam amando, brigando, nascendo, morrendo, apesar de sermos portadores de TDAH; portanto, não se grude às pedras como uma concha. O diagnóstico  de TDAH é um trampolim para alçarmos novos voos, atingir novos patamares e novas possibilidades.
A vida oferece infinitas possibilidades, mas quem está olhando para trás não as percebe.