domingo, 11 de março de 2012

O TDAH E A VERDADE.





O que é a verdade?
Sei lá.
De verdade?
Hoje existem fatos que não sei ao certo se existiram, se os vivi, ou se são apenas sonhos ou criações fantasiosas de uma usina infindável de sentimentos, sensações e memórias.
Repeti tantas vezes as mesmas histórias que hoje acredito nelas.
Mas elas aconteceram?
Claro.
Que sim, ou que não?
Bem, aí já não sei responder.
Mas afinal, pouco importa.
Se vivi ou não, é problema meu. Se sinto, vivi. E ponto final.
Mas terei vivido?
Por que duvido de mim mesmo, de meus sentimentos, da minha história de vida?
Sei lá, ás vezes me bate uma dúvida danada.
Fico a recordar de fatos  e sentimentos e me pergunto: fulana existiu? ciclano fez, realmente, parte da minha vida?
Amei tanto assim?
Sofri isso tudo mesmo?
Como posso estar aqui hoje, escrevendo um blog, andando, vivendo?
Onde estão os pedaços de mim que ficaram pelo caminho?
Como e onde estarão as pessoas que um dia foram fundamentais em minha vida?
Como pude prescindir de seu convívio?
Ficaram pelo caminho. Um pouco de mim ficou ali, na sua memória, na sua vida.
Talvez eu esteja inteiro por que trouxe um pouco dessas pessoas também.
Mas como sobrevivi a essas perdas?
Estranho, muito estranho.
Como acreditar em tudo se uma parte da minha vida foi forjada de turbilhões de pensamentos,
sentimentos e sensações que não vivi?
Mas se senti, se criei, se imaginei, em algum momento eles existiram.
O pensamento é uma forma de realidade?
Se penso, existe?
Assim como o louco de ciúmes cria em sua mente traições e comportamentos que não existiram e
age baseado nesses pensamentos, eu - ou nós- quando 'viajamos' criamos uma realidade?
Não é apenas um pensamento, é uma sensação.
Quando procrastino, imagino o que deveria fazer, o desconforto que aquele fazer  vai me gerar e
crio em cima desse desconforto um motivo para não fazê-lo.
A ira que me sobe repentinamente, mesmo que eu consiga me controlar, afeta-me fisicamente. Minhas têmporas latejam, o coração pulsa na garganta, a boca seca. Ainda que eu me controle e a domine, essa raiva existiu e se manifestou em sensações.
Quando 'viajo' em pensamento, ele me gera sensações, sentimentos, quase concretos, quase palpáveis.
Se sinto, é por que vivi. Se vivi é verdade. Se é verdade, mesmo que não tenha existido, vivi, senti.
Existiu!
E ainda tem gente(?) que diz que o TDAH é invenção!