terça-feira, 3 de setembro de 2013

UM TDAH SERÁ NORMAL UM DIA?





Estarei no caminho certo?
Jamais saberei.
Mas existe um caminho certo?
Sob qual parâmetro?
Lembrar-me de tudo?
Abandonar a impulsividade?
Derrotar meus sabotadores?
Estabilizar meu humor?
Acabar com meu sentimento de inferioridade?
Ou quem sabe desistir do meu isolamento?
Mas este é o caminho certo?
O linear caminho do equilíbrio.
A vida previsível dos que se lembram.
A monótona estabilidade dos que pensam antes de agir.
A feliz vida de quem jamais se sabotou.
O estável humor dos equilibrados.
Ah, a autoconfiança dos 'normais'.
Sem contar com os felizes sociáveis e seu incontável número de amigos.
Os piores momentos da minha vida vivi quando cedi aos meus impulsos.
Mas os melhores também devo à minha impulsividade.
Minha péssima memória me propiciou uma enorme capacidade de improvisação.
A auto sabotagem dói, não aprendemos com nossos erros, temos prejuízos constantes.
Mas e daí?
Esse sou eu!
Com ou sem remédio eu sou um TDAH.
Com ou sem remédio jamais serei como os'trouxas'.
Trarei sempre em minha alma as marcas gravadas pelo TDAH.
A torturada e riquíssima alma TDAH.
Não quero glamourizar o TDAH, mas ando pensando que o sonho de domá-lo, ou subjugá-lo, é apenas isso: um sonho.
Cinquenta anos de TDAH não tratado exigiriam um tratamento psicológico que não posso pagar. Terei de me confrontar comigo mesmo, enfrentar-me, destruir castelos imaginários erguidos ao longo da vida; escavar minha mente em busca de um Alexandre que jamais conheci ou convivi. E não sei se gostarei de conhecer.
Não estou pregando o não tratamento, apenas questionando nossa tentativa de ser 'normal'.
Creio que jamais o seremos. Seremos sempre um esboço, um rascunho de normalidade. Basta que cortemos as amarras de nossa camisa de força medicamentosa para que nosso TDAH transborde e reassuma o controle de nossas vidas.
Perdoem-me, me perdi.
Me perdi de mim mesmo.