sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O TDAH EM BUSCA DE SI MESMO







Ainda me surpreendo comigo mesmo.
Sou capaz de atitudes que não imaginava, de sentimentos inesperados, de reações surpreendentes.
Mas quando uma pessoa amada se descobre TDAH e se entristece com isso só tenho um conselho:
mergulhe-se em si mesma.
Foi assim que aprendi a controlar uma série de reações que me pareciam incontroláveis. Escavando minha mente consegui separar o Alexandre do TDAH e hoje consigo enfrentar a doença ou deixar que ela aja por mim e com minha concordância.
Sim, muitas vezes me deixo levar pelo TDAH!
Sim, muitas vezes quero viver ou sentir aquilo que o TDAH está me oferecendo.
Isso é um retrocesso? Não, não acredito. Uma coisa é saltar em um precipício sem saber que é um precipício, sem saber o que te espera ao fim da queda. Outra muito diferente é saber-se saltando de um precipício, conhecendo o que te espera ao final, mas avaliando que o prazer do salto é maior do que a dor da queda.
Isso é uma opção consciente, uma escolha pessoal e não um salto no escuro.
Já disse isso a muita gente, conheça-se!
O diagnóstico de TDAH não é uma condenação, pelo contrário, é a chave de uma libertação, ou por outro lado, é a chave de um cadeado que abre a janela permitindo entrar o sol e a claridade que faltavam em nossas vidas.
Ritalina é importante, Concerta é importante, Venvanse é importante; coach é importante, psicóloga é importante. Mas encontrar-se, conhecer-se, explorar-se é fundamental; é uma viajem única, deliciosa, e absolutamente fundamental para o 'enquadramento' do TDAH.
Foi diagnosticado como TDAH? Está com fortíssimas suspeitas de ser um TDAH?
Não se desespere!
Não se deixe abater pelo TDAH! Levante a cabeça e enfrente, talvez essa seja a maior oportunidade que você terá em sua vida de assumir o controle da sua existência e mudá-la para sempre. No rumo que você desejar.
É ruim saber-se portador de uma doença?
É, mas não saber não te deixa imune a ela, pelo contrário, até então você lutava contra um inimigo escondido nas sombras da sua ignorância. O diagnóstico jogou luz sobre esse inimigo e você pode enfrentá-lo às claras, frente a frente.
Passe a pensar em todas as suas atitudes, sentimentos e reações.
Essa atitude é minha ou do TDAH? Dando a resposta agressiva que brota instantaneamente em sua menta você estará destruindo anos/meses de um relacionamento que deseja manter, ou é essa a resposta que merece ser dada?
Antes de explodir de ódio respire e pense quem está explodindo, você ou o TDAH?
Há meses, muitos meses, não tenho uma explosão de ódio. Daquelas de arrasar quarteirão.
Claro, não virei um santo ou um camarada perfeito, mas me policio. Os erros que cometo, cometo de forma consciente e pensada, se alguém tiver de arcar com as consequências serei eu, por pura opção.
Respire fundo, encha-se de coragem e siga em frente; a partir de agora você só tem a colher bons frutos de seu diagnóstico.
O TDAH é sério, é bravo, é sorrateiro, é ladino, mas você já está consciente de sua existência e sabe como ele age, enfrente-o, ele não é invencível; você sim.
O TDAH que nos derruba é o mesmo que nos dá força para nos reerguermos.
Use essa força a seu favor, você pode!