quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O TDAH FELIZ








Eu tenho consciência da sombra, da dor, da morte, dos prejuízos causados pelo TDAH; mas sou feliz.
Instintivamente fazemos um balanço do ano e da vida no dia do nosso aniversário, pelo menos eu faço. E ano após ano esse balanço tem sido positivo, e esse ano não foi diferente
Muitos dirão: mas depois de tantos posts sofridos, tantas lamurias esse cara vem falar que ta tudo bem, que ele é feliz?
Pois é, aprendi que a felicidade é algo muito mais amplo do que os revezes ocasionados pelo TDAH. As tragédias pessoais, ou mesmo a consciência que tenho das mazelas de nosso cruel país ou do mundo não têm o poder de me infelicitar.
Muito se diz que não existe felicidade, mas momentos felizes; discordo, eu sou feliz no sentido amplo da palavra e da vida. Sou feliz por estar vivo e saudável, por ter minhas filhas, minhas irmãs e meus pais.
Não estou fazendo o jogo do contente, detesto esse tipo de comportamento, mas apenas expondo minha maneira de sentir minha vida. Gosto de pensar na vida como uma grande jornada; e o prazer da caminhada, o explorar novos caminhos, o descortinar de novas paisagens é muito mais prazeroso e importante do que as quedas, as topadas, as câimbras, ou seja lá o que tive de enfrentar nessa caminhada. Ser TDAH não aumentou ou diminuiu minha sensação de felicidade; assim como me dificultou em muitos momentos, me proporcionou prazeres intensos em outros.
O TDAH dificultou-me a vida, mas não inviabilizou-a.
Como eu seria sem o TDAH? Jamais saberei. Pior ou melhor? Nunca poderei julgar isentamente.
Pra que me entregar a essa doença?
Vivi 50 anos com TDAH e sem diagnóstico, quantos mais viverei com o diagnóstico e a consciência de que posso ser uma pessoa melhor? Que posso fazer da minha jornada algo mais prazeroso e mais leve?
Ou por outro lado, que a consciência do TDAH possa melhorar minha convivência com as pessoas que amo?
Com ou sem TDAH os seres humanos falham, magoam e são magoados, claro que a doença potencializa nossas chances de erro, mas não posso vincular minha vida a isso.
Eu sou muito maior do que o TDAH; eu sou muito melhor do que os erros que cometi; eu sou muito mais do que as mágoas que causei.
Cheguei aos 53 anos de muita luta, e muitíssimo prazer; de muita dor e muitíssimo amor; de muita solidão e muitíssima convivência prazerosa. Com ou sem TDAH, cheguei aos 53 anos feliz!
E ninguém jamais vai me tirar isso!