sábado, 10 de maio de 2014

O TDAH NUMA EXPLOSÃO DE FANTASIA




Onde mora a realidade em mim?
Em algum pequeno escaninho de minha mente, penso eu.
De resto... Sou fantasia!
Em alguns períodos, chego a crer que a realidade venceu, derrotou a fantasia. Qual nada! Como fênix, a fantasia renasce e toma seu lugar em minha mente.
Não sou real, não nasci para a acre realidade. Minha mente é um caleidoscópio de inebriantes imagens, palavras e sentimentos desconexos, irreais, mas que se concatenam criando sonhos carnavalescos e luxuriantes. Ah, que alegria sentir minha alma invadida pelas imagens oníricas do TDAH. Um sentimento de alegria, quase euforia, me invade o peito.
Uma enorme vontade de sair correndo, abraçando a tudo e a todos.
O sonho me faz viver!
Aí dirá meu lado real: cuidado, isso é uma auto sabotagem!
Ao que responderei: auto sabotagem é a minha realidade; o meu trabalho; meu dia a dia.
Não vou me desconectar. Não é isso! Apenas terminei de ler um livro fantasioso, irreal e inacreditável, como eu sou. Como é o meu TDAH! Como é minha vida!
Minha vida é um conto de realismo fantástico!
Um correr sem começo ou fim, em meio a uma névoa rala que, se não me impede a visão, tampouco me permite reconhecer a vida em detalhes. Pouco consigo divisar entre a inocência e a malícia; ou entre o verdadeiro amor e a dissimulação; ou entre a verdade e a mentira; ou entre a desonestidade e a honestidade. Muito me prejudiquei por essa visão parcial da vida; parcial não, essa visão desfocada da vida. Uma vida de idas e vindas; uma vida de tensão infinita,em que jamais há paz; uma vida de sobressaltos; uma vida de derrotas intermináveis e vitórias surpreendentes e inesperadas. Uma vida cinza, com explosões de cores feéricas, que chegam quase a cegar. E retornam para o cinza...
Mas desconheço a derrota, minha coragem mora na fantasia de um ser invencível.
Também desconheço o desânimo, minha a alma é tingida pela fantasia de um ser feliz em si mesmo.
Caído, muitas vezes agrido a mim mesmo, critico-me, ofendo-me; mas sou inexpugnável! Minha têmpera foi forjada na fornalha da fantasia; uma fantasia de um ser eterno, de um Sísifo e sua interminável força montanha acima.
Ai, ai... Quantas vezes duvidei de mim mesmo, de meu caráter, de minha moral, de meus caminhos. Mas sempre, em meios aos momentos de treva, uma réstia de luz surgia e acabava por inundar o negrume com a luz mágica da fantasia de uma alma pura, inocente e boa.
Enfim, a fantasia salvou-me da realidade.
Abro os olhos e firo-me com a realidade, deixo minha mente mergulhar na fantasia e escapo...
É certo?
O que é certo?
Nenhuma realidade é melhor do que o sonho.
Realidade é rascunho do sonho.
E eu detesto rascunhos!