sábado, 7 de fevereiro de 2015

TDAH - A PRIMEIRA VEZ A GENTE ESQUECE...






A primeira vez a gente nunca esquece?
Pois eu não me lembro nem da primeira, nem da segunda, nem da terceira...
Quantas vezes abro um celular para consertar e parece que nunca o vi na vida...
É estranho, mesmo que eu já tenha solucionado problemas semelhantes, sempre me parece que é a primeira vez. De repente, um insight me faz lembrar que já passei por aquilo, e que talvez eu a tenha registrado em algum lugar. Agora, nesse exato instante, enquanto escrevo esse post pensei em uma forma de auxiliar minha memória: filmar meu trabalho e salvar no youtube. Pena que vou me esquecer de que pensei nisso. Ou então, vou gravar os primeiros dez aparelhos que eu consertar, e depois me esqueço; outra possibilidade é que, posso filmar, salvar no youtube, e não registrar quais os celulares filmei e depois não conseguir encontrá-los... Enfim, um caos!
Assim é a minha vida, um eterno recomeço.
Claro, as linha gerais eu me lembro, mas aquele detalhe, aquele macete que facilita e faz a diferença... Esse sempre é um mistério para mim.
E não é apenas no trabalho, já disse aqui certa vez, que o livro que mais amo chama-se CEM ANOS DE SOLIDÃO, já o li quase uma dezena de vezes. Pois me lembro apenas das linhas gerais, mesmo tendo lido e relido quase à exaustão, confundo-me com os nomes dos personagens. Consigo guardar na alma a felicidade que sinto ao ler aquele livro, mas não os detalhes da narrativa.
E assim é tudo em minha vida. Uma vida riquíssima em linhas gerais, mas aqueles detalhes que diferem o normal do excelente, aqueles detalhes eu não possuo. Ou não me lembro.
Esqueço-me de quase tudo. De ter escrito isso ou aquilo, do meu sax, de meus projetos; sim, de quando em quando me recordo de haver pensado em determinado caminho pra atingir um determinado objetivo; que depois esqueci de percorrer. Segui o curso normal e medíocre da vida, aceitei a correnteza me esquecendo do que vira à margem da vida. Aquele ponto que me serviria de apoio para sair do rio da mediocridade e passar a singrar novos mares.
Simplesmente apagou-se da minha mente, da minha vida.
Quando me recordo, sinto uma dor enorme na alma...
A Ritalina ajuda nas coisas concretas da vida, como foco, atenção, disposição...
Pra essas outras, somente com um apoio psicológico profissional.
Mas isso, agora, está fora da minha realidade. Mas acreditem, tive uma proposta de tratamento gratuito há cerca de um ano atrás, e me esqueci de marcar. Liguei uma vez, mas era com outra pessoa; liguei pra essa outra pessoa, mas estava ocupada, ficou de retornar; não retornou. E a oferta morreu na minha cabeça. Somente agora me lembrei dela novamente. Mas, por vergonha não vou ligar novamente...
E assim caminha a vida...