quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O TDAH E AS PREMISSAS DELIRANTES





Quantas vezes eu, um descrente, implorei a Deus um caminho correto, uma opção que fosse boa para mim, e para as pessoas envolvidas naquele momento. Fervorosamente implorei uma indicação.
Mais tranquilo após a oração, escolhi o caminho errado.
Quantas vezes listei no papel todas as opções de que dispunha elencando vantagens e desvantagens de cada uma delas. Com a segurança da racionalidade optei pelo caminho errado.
Quantas vezes meus olhos enxergaram belíssimos oásis em meio ao deserto em que vivia... Pra lá corri com a sede dos desidratados. E descobri que eram apenas miragens...
Todas essas decisões têm em comum o fato de terem sido tomadas sob falsas premissas.
Mesmo depois de muito rezar e implorar, optei pelo caminho que queria seguir.
Ao listar vantagens e desvantagens dei peso dez àquilo que era desimportante e ignorei fragilidades gritantes.
Quanto às miragens, eu sabia todo o tempo que não passavam disso: miragens.
E aí?
Quem elabora cada palavra em minha mente, cada decisão, cada desejo, cada passo, sou eu assessorado pelo TDAH. Ou seria o TDAH assessorado por mim?
O tempo todo as variáveis são submetidas ao crivo da doença. A mente alegórica do TDAH ergue imagens delirantemente belas para aquilo que ela quer fazer. E empobrece o que não é prazer imediato, ganho à vista.
Ao analisar 'friamente' cada uma das opções, aquela que não quero salta aos meus olhos como uma tortura permanente; a eternização dos meu piores sentimentos e sensações. A opção tdahdiana não! Essa é um carro alegórico digno de Joãosinho Trinta ( o Joãozinho dele é com S mesmo), o gênio criador do moderno carnaval carioca.
Eu opto pelo carro alegórico para logo depois descobrir que o carnaval dura apenas quatro dias; que seu ouro é falso e que tudo ao seu redor é apenas ilusão.
Mas, mesmo ao caminhar sobre os destroços da alegoria minha mente martela: Mas você teve os quatro dias de carnaval...
E passei a vida correndo atrás de micaretas e carnavais  fora de época. E em todos eles acabei com o mesmo sabor: insatisfação. Não era isso que eu imaginava.
Uma falsa coragem traveste a inconsequência.
E sigo em frente.
Mas, o peito sangra e a mente cobra. Os descaminhos podem ser facilmente seguidos pela trilha de sangue e corpos deixados para trás.
E sigo em frente.
A superação não é uma opção.
E sigo em frente.
Nenhum tratamento mata o carnavalesco TDAH; e no final a decisão será sempre minha.
Mas sei hoje olhar para trás e reconhecer os erros e mesmo na dúvida, optar por caminhos diferentes de outrora.
Não consigo calar as lamúrias da minha mente por contraria-la, mas posso conviver com isso.
E posso conviver também com um carnaval sem Joãosinho Trinta, mais pobre, pela televisão.
O gênio delirante morreu!
E sigo em frente.