domingo, 4 de outubro de 2015

TDAH ILUDIDO

                                          Imagem do blog livros e afins


Já fui mais de uma vez criticado pelo tom pessimista de meus posts. Vários leitores querem que eu fale sobre as maravilhas de ser TDAH.
 Preciso esclarecer que  esse blog reflete o meu sentimento em relação ao TDAH. E eu DETESTO ser TDAH. Nao tenho nenhuma ilusão quanto às pseudo virtudes dos portadores. E sabem por quê? Tenho 55 anos e o TDAH não trouxe NENHUM benefício pra minha vida. NENHUM.
Essa semana mais um leitor veio com essa conversa. Ressalte a 'super inteligência do tdah, sua criatividade, sua capacidade de adaptação, sua resiliência...'
Primeiro: Não existe 'super inteligência ' no TDAH. Isso é mentira! Podemos ter inteligência acima da média, o que é muito diferente.
Segundo: Criatividade. Outra ilusão! De que vale tanta criatividade se abandonamos os projetos pela metade? Se em nossas cabeças brotam novas ideias a todo instante soterrando as velhas antes que elas dêem frutos?
Terceiro: Capacidade de adaptação e Resiliência. Até já fiz um post sobre isso.  Sim, somos resilientes. Mas nossa resiliência vem de nossos próprios erros. Destroçamos e recuperamos nossas vidas várias vezes. Adaptamos e 'desadaptamos' com a mesma velocidade. Isso são virtudes que só servem pra consumo próprio. Até porque pra consumo externo os defeitos da doença superam em muito essas 'virtudes'. Imagine no trabalho: A péssima memória, a desorganização, a perda de foco, o desânimo que se abate ao menor dissabor, a perda de interesse pelos projetos ainda em andamento. Tudo isso supera essas pseudo virtudes.
Normalmente quem defende ou enaltece o TDAH são pessoas jovens, que ainda não experimentaram as derrotas impostas pela doença.
Enaltecer o TDAH é o mesmo que pedir a um diabético que se sinta feliz, afinal seu sangue é mais doce. Ou a um cardíaco alegando que seu coração é mais sensível.
Vamos parar com essa conversa mole. TDAH é doença, e doença nenhuma é boa ou tem seu lado bom.
O único lado bom do TDAH é pra quem não tem. Até pra quem convive com TDAHs é um saco. Somos inconstantes, esquecidos, desorganizados, não sabemos lidar com dinheiro, com emoções, com pessoas, com estudos...
Somos verdadeiros caos ambulantes.
Ao leitor Samuel, e a todos os que pensam da mesma maneira: Eu não me sinto bem com o TDAH, não gosto de ter TDAH e não vejo nenhuma utilidade em ficar fingindo que é bom ser doente.
Esse espaço é para dividirmos nossas lutas diárias e nossos sentimentos; e esses são os meus.
E peço que me respeitem.