quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ISSO É BOM OU RUIM?



Minha ex esposa volta e meia falava que eu tenho a capacidade de seguir adiante na vida, sem olhar para trás.
É claro que não é exatamente assim, mas tenho uma característica de não me prender ao passado, nem mesmo quando - visto de fora - esse passado poderia parecer melhor.
Essa é uma característica providencial para um TDAH, cuja impulsividade leva a mudanças drásticas de vida; algumas delas dramáticas.
Hoje, por exemplo, meus rendimentos devem girar em torno de dez por cento do que eu ganhava há dois anos e pouco atrás. Isso de forma nenhuma me incomoda. Lógico que em alguns momentos a falta de dinheiro incomoda, mas de maneira nenhuma me deprime ou me desanima. Vivo o presente; se essa é minha realidade é nela que vivo.
Outro dia, conversando com um amigo ele comentou que eu não me abati com a derrocada das lojas e a queda de meu padrão de vida. A vida é mais do que isso, e eu tenho muito mais do que isso. Estar vivo é mais importante do que o padrão de vida.
Depois que fechei as lojas descobri o TDAH, passei a me tratar, aprendi uma nova profissão, criei esse blog, praticamente sou uma nova pessoa. É muita coisa nova, e boa, para eu perder meu tempo lamentando o que passou.
Prender-se ao passado é perder a oportunidade de conhecer tudo o que pode acontecer de bom no novo caminho trilhado.
Algumas vezes, dói; noutras vezes, bate um medo de haver errado; mas em geral, não olho para trás. De nada vale olhar para trás, se estou nesse caminho - por escolha ou não - é para ele que eu vou olhar.
E pronto.
Já fui chamado de egoísta, de insensível, de mil outras coisas.
Sou um pouco disso também, mas quem não é.
Isso bem pode ser uma defesa inconsciente do TDAH, uma forma de preservar minha sanidade com tantas mudanças provocadas pela minha impulsividade e pela necessidade de adrenalina.
Pouco importa, vou construindo uma nova vida; o que passou serve de experiência, mas jamais será uma âncora a impedir que eu singre novos mares.