sábado, 15 de outubro de 2011

O TDAH E O PRAZER.



HEDONISTA!
Quantas vezes ouvi isso em minha vida.
Segundo os dicionários Hedonista é o partidário da filosofia do Hedonismo que pregava que o prazer é o objetivo da vida.
Ouvi isso como uma ofensa, uma agressão, uma característica negativa e perniciosa.
Querer o prazer é um erro?
Transformar o prazer em objeto de uma vida é errado?
Onde está escrito que o objetivo da vida é o sofrimento?
O amor não é uma forma de prazer? Mesmo o amor fraternal é uma expressão de prazer.
O amor a Deus é, também, uma forma de prazer.
Onde está o erro do prazer na vida de um TDAH?
É simples, nós não sabemos avaliar se aquele momento de prazer que estamos tendo ( ou que estamos em vias de ter) é mais ou menos importante do que nossa vida concreta.
No post 'Imaginação de TDAH?' falo sobre isso. Uma situação hipotética cujas consequências são catastróficas, mas não são inverossímeis. Muitas tragédias são feitas de uma sucessão de pequenos erros e ou de pequenas negligências. E essas são características reais na vida de um portador de TDAH. A procrastinação é uma forma de negligência, a impulsividade também; negligenciamos as consequências de nossos atos.
Assim é o prazer na vida de um TDAH. E não falo apenas do prazer 'carnal' nos braços de outra, ou de outro. Quando eu era representante comercial autônomo, parei certa vez para almoçar na cidade de Oliveira (MG). Durante o almoço, comecei a ler o livro 'O Auto da Compadecida' de Ariano Suassuna e adorei a história. Eu ria sozinho no restaurante. Acabei de almoçar, fui pro carro e continuei a ler o livro e só retornei ao trabalho após terminar de lê-lo. Tirei mais de quatro horas de almoço. Eu tinha consciência de que deveria voltar a trabalhar; minha renda dependia diretamente das minhas vendas, mas o prazer da leitura era maior e mais forte do que a necessidade de vender e ganhar dinheiro.
O prazer como a mais forte motivação da vida.
Ainda hoje, com quase um ano de ritalina na cuca, não concebo uma vida sem prazer. Mas, como dizia Cazuza na música Ideologia: " o meu prazer, agora é risco de vida..." No caso dele era em sentido literal, no meu, em sentido figurado. Muitas vezes coloquei minha vida em risco por prazer.
Hoje não sei se consigo fazer o mesmo.
Perdi o jeito? Perdi a coragem? Ou é efeito do freio da ritalina ou do freio da maturidade?
Sei lá, mas parece que a necessidade do prazer encontrou um opositor. Ou está perdendo a força.
Mas, sinceramente, ainda sinto falta daquela adrenalina correndo nas veias, daquela sensação de andar na corda bamba sem rede de proteção.
Assim foi com o cigarro. Sem ritalina, mas motivado pelos insistentes pedidos da Marina, abandonei o cigarro há treze anos. Não cogito voltar, mas ainda sinto vontade de fumar em alguns momentos.

2 comentários:

  1. como sempre, traduzindo minha vida.

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  2. Você acha que de alguma forma o cigarro te "ajudava" quanto a concentração,ansiedade e memória? alguns artigos científicos demonstram resultados positivos da nicotina...longe de indicar pra alguém!

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