terça-feira, 5 de abril de 2011

EXPOR MEU TDAH, PRA QUÊ?



Sempre me perguntei por que algumas pessoas abriam sua vida íntima na televisão ou em outros meios de comunicação. Muitas vezes critiquei essa exposição, e em situações específicas ainda critico.
Não há dinheiro que me faça participar de um Big Brother.Além de ser um péssimo programa, expor a própria vida daquela forma acho degradante. Expor-se ao julgamento público por dinheiro é - para mim - inaceitável.
Mas, de repente, passei a expor a minha vida pela internet. Todos os sentimentos, os defeitos, as emoções, estão expostas para quem quiser ver. Por que?

Confesso que no princípio, tinha uma certa vergonha. Queira ou não, o TDAH é uma doença, e ninguém quer se mostrar doente. Vivemos numa sociedade em que o sucesso é o único objetivo das pessoas. Uma doença não faz parte do sucesso. Uma doença de comportamento, então, nem se fala. Eu não queria ser visto como um cara doente. Comecei a escrever o blog mais para mim, para meu auto conhecimento. Apenas as pessoas próximas liam e sabiam de sua existência. Aos poucos, uma pessoa comentava com a outra e comecei a ter comentários de incentivo e a mudar minha forma de ver o blog. Algumas pessoas desconhecidas começaram a agradecer a divulgação do TDAH, outras falavam que se viam no meu blog; ou viam parentes e amigos.
Passei a ver o blog como uma ferramenta capaz de ajudar a esclarecer pessoas sobre o TDAH. Quase todo mundo conhece alguém que tem um comportamento parecido. Passei a receber emails com pedidos de informação sobre a doença e seus possíveis tratamentos. A parceria com minha médica e minha coach foi mais um empurrão para a exposição deste blog.
Mas, como bom TDAH, minha decisão de divulgar o blog deu-se por um ato de impulsividade. Comentei com uma amiga que estava escrevendo esse blog. Logo depois, arrependi-me. Percebi que havia comentado no momento errado, com a pessoa errada. Neste momento cheguei a conclusão de que ou desistia do blog ou o assumia de vez.Não cabia mais aquele comportamento envergonhado que comentava somente com conhecidos, mas que estava sujeito à exposição e julgamento da mesma forma.
Decidi apostar nas pessoas que precisam e querem conhecer mais sobre o TDAH, e esquecer que existem as preconceituosas cuja vida superficial exibe uma perfeição que nunca existirá em nenhum ser humano.
O sentimento de satisfação que tenho ao receber um email, um comentário de pessoas que se sentiram , de alguma forma, auxiliadas pelos meus artigos vale qualquer julgamento superficial ou preconceito que eu possa sofrer.