domingo, 20 de novembro de 2011

SUJEITO ESQUISITO!




Eu sei que sou esquisito.
Não gosto de cachorro, nem de gato. Não gosto de música sertaneja, não gosto de gente, não gosto de aglomeração, não gosto de festa - nem pra mim - não gosto nem de natal mais. Detesto emails lindos, com frases edificantes e imagens tocantes. Não gosto de poesia. Não como verduras ou coisas saudáveis, odeio cerveja - e bebidas alcoólicas em geral - não como torresmo, nem feijoada. Acabo ficando meio à margem das coisas e das pessoas - o que diga-se de passagem não acho ruim. Detesto barulho, gritaria, ou pessoas escandalosamente felizes. Essas pessoas que de tão felizes externam seu estado de espírito aos urros e em público. Odeio mensagens em carros, aquelas em que as pessoas externam suas crenças, seus gostos, e seus amores; seja por Deus, pela família ou pela esposa, noiva ou pelo cãozinho.
Não gosto de filmes de luta e aventura, nunca gostei de Stalonne, Schwarzenegger, Van Damme e outros astros da luta. Detesto desenho animado, principalmente dos Simpsons; jamais gostei do Ayrton Senna, sempre torci pelo Piquet.
Não suporto regras, nem restrições.
Quando começo a conviver com novas pessoas, o que mais digo é: não gosto.
Apesar de a Luciana Fiel me repreender todas as vezes que falo isso, eu não consigo encontrar outra definição: eu sou um sujeito esquisito.
Gosto mesmo de muita pouca coisa.
Gosto de praia; vazia.
Gosto de música, de qualidade.
Gosto de livros, de internet, de escrever, de saxofone, de chocolate, de lasanha, de poucas pessoas. Pouquíssimas.
Adoro tecnologia, amo celulares e computadores.
Gosto da solidão.
Quase tudo o que gosto é individual, solitário.
Gosto de viver na corda bamba. Mas detesto conviver com esse sentimento, que me desespera, me angustia, me enche as mãos de desidrose. Mas continuo na corda da bamba. Continuo procurando a corda bamba, o fio da navalha.
Detesto a dor, mas procuro-a.
Odeio a incerteza, mas a cultivo.
Detesto confrontos, mas os provoco.
' Meu caminho é cada manhã,
não procure saber onde vou.
Meu destino não é de ninguém,
eu não deixo meus passos no chão.'
É, sem dúvida, eu sou um sujeito esquisito.
Tem dias que nem eu me aguento...