terça-feira, 15 de novembro de 2011

EU NÄO SOU HIPERATIVO!

Eu recebo diversos comentários de pessoas recém diagnosticadas como portadoras de Tdah; em sua grande maioria afirmam que não possuem o H, ou seja, não são hiperativas. Até eu mesmo acreditei que minha hiperatividade havia ficado na infância. Lêdo engano. Hoje de manhã, enquanto fazia meu café, eu me distraía lendo a embalagem de um bolo. Imagine, algo interessantíssimo de ser lido. Nesse momento, caiu a ficha; sempre relacionamos a hiperatividade àquele comportamento fisicamente inquieto. Lembramo-nos daquelas crianças insuportavelmente levadas, ou daqueles adultos que agitam mãos e pés sem parar. Mas, esquecemos de nós mesmos, de nossos comportamentos mentais. Comecei a pensar em como me comporto quando estou sozinho; só assisto televisão com o notebook, um livro ou o celular na mão. Enquanto assisto, leio algo. Sempre foi assim. Raríssimos são casos em que acompanho somente o que está na TV. Em geral, programas legendados me obrigam a um acompanhamento exclusivo. Acabo levantando no meio do filme ou programa para beber uma água ou qualquer outra desculpa para sair do imobilismo. Por isso prefiro às séries aos filmes. Aquelas são mais curtas, são rapidamente concluidas e me liberam pra dar uma movimentada. Ou pelo menos quebram aquela sequência de tempo preso a um só sentimento, a um só enredo, a um só clima. Quase não vou ao cinema. Vou bem durante uns trinta, quarenta minutos; depois disso começo a consultar o relógio e a entrar em conflito com a poltrona, por mais confortável que ela seja.
Quando  almoço sozinho sempre tenho um livro ou um jornal à mão, que leio enquanto como. Hoje em dia, levo meu celular com acesso à internet. Acho terrível ficar ali sentado com os olhos boiando e a cabeça no nada.
Em casa sozinho? A TV ta ligada o tempo todo. Mesmo quando estou no banho e não consigo distinguir o que ela está dizendo, seu ruído me conforta e me enche o cérebro.
Mas é tarde da noite, tenho que respeitar o sono alheio? Ocupo minha cabeça com histórias, algumas inverossímeis, outras nem tanto; mas solto minha imaginação e assim não vejo o tempo passar.
Odeio dormir. Considero o sono como um estado de coma. Um momento inútill, em que, consumimos um pedaço de nossa vida sem saboreá-lo. Sem, sequer, saber que consumimos um pedaço significativo de nossas vidas. Parafraseando Machado de Assis: dormir é uma forma provisória de morrer.
É, realmente, eu não sou hiperativo!