domingo, 12 de maio de 2013

O TDAH E A IMAGINAÇÃO DELIRANTE









Aquele TDAH que, em sua imaginação, jamais salvou a humanidade que atire a primeira pedra.
Esse post foi "instigado" pela leitora Michelle. Talvez a palavra certa devesse ser "encorajado" pois já ameacei escrevê-lo várias vezes mas, confesso, fiquei com uma certa vergonha.

" Olá estive lendo a histórias e gostei muito,também sou TDAH !!!uma outra hora conto minha história á todos Vocês.Mas estou interessada em saber sobre essas histórias que fazemos até exaustão,isso é característica do TDAH?História que imaginamos e fazemos o tempo todo,sempre bem sucedidos e sempre o protagonista e estamos em evidência,choramos e até rimos sozinhos....Seria isso? dê exemplos sobre isso !!!!Grande abraço Michelle"

Sim, sim, sim, isso é puro TDAH! Sempre tive uma imaginação delirante. Já salvei vidas aos milhões, já mudei os destinos da humanidade, mas também mudei destinos de pessoas específicas; administrei e salvei grandes empresas em dificuldade. 
Acho que trabalhei tanto e fiz tanta coisa - mentalmente - pela humanidade que não me restaram forças para fazer coisas simples na vida real. 
Antes não podia ver uma empresa em dificuldade, meu time perder, ou coisas equivalentes que logo já me imaginava o herói que mudaria aquele destino trágico.
Isso começou a mudar quando eu cheguei a acreditar que a imaginação poderia influenciar no meu destino. Comecei a pensar que o teor daquilo que eu imaginava influenciava no meu dia seguinte (sempre tinha esses pensamentos quando ocioso, na hora de dormir). Cogitei que se eu criasse uma mirabolante história de benfeitor da humanidade isso se reverteria beneficamente pra minha vida no dia seguinte, na vida real.
Aí a luz vermelha se acendeu!
Percebi que havia passado dos limites e comecei a alterar o teor dos meus pensamentos. 
Como não conseguia ficar sem pensar em nada, passei a direcionar meus temas de delírio; passei a imaginar o que poderia ser feito para mudar a educação, por exemplo. Essa foi uma mudança significativa, não era eu o protagonista ou o salvador da humanidade, apenas imaginava quais os melhores caminhos pra essa ou aquela questão. Acabei por me habituar a esses pensamentos; deliberadamente tento evitar os problemas do trabalho pra não perder o sono, tentar imaginar caminhos pra questão do oriente médio ( que não me diz respeito diretamente) pode ser mais narcotizante do que os problemas do dia a dia e durmo como um bebê apesar de tomar meia garrafa de café todas as noites.
Mas aí entra o tratamento; e um dia, observei uma mudança no meu padrão mental, eu não me perco mais em pensamentos. Ou não me perco tanto. Consigo perceber quando fujo; mas estou muito mais focado no blog,por exemplo, ou no trabalho, e às vezes estou tão concentrado que, deliberadamente, mudo de pensamento. Rio sozinho quando falo pra mim mesmo: deixa eu salvar o mundo pra evitar a insônia. 
Essa é a diferença, eu tenho o controle! 
Ou como diria He Man: eu tenho a força!!!